quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Clara Ferreira Alves

Não conheço Clara Ferreira Alves. Julgo que integrámos juntos uma comitiva presidencial, há já muitos anos, mas não me recordo de com ela ter trocado mais do que duas palavras. Às vezes, nos programas televisivos onde participa, irrita-me um tom algo chocarreiro que utiliza e uma deriva "tutóloga" - isto é, de quem fala de tudo com ar de cátedra -, que se confunde com um certo pretensiosismo.

Dito isto, feita esta "distanciação", quero dizer que a leio com grande regularidade e com grande prazer. Acho a escrita de Clara Ferreira Alves de uma vivacidade rara, com uma utilização medida e elegante da adjetivação, de onde emanam um lastro cultural sólido e a procura de uma estética de sólido bom gosto. Posso discordar dela bastante - e isso já aconteceu mais no passado - mas não deixo de lhe reconhecer a coragem de uma cronista que, não sendo independente, tem a coragem de deixar transparecer opiniões fortes, contrastantes, não fugindo à polémica. Volto ao princípio: o que nela mais me agrada é a escrita "em si", um estilo dinâmico, com ritmo, aquilo a que eu chamo - valha isso o que valer - um excelente português. Faz parte de quantos escrevem de uma forma que eu invejo.

Deparei-me agora com um novo livro de Clara Ferreira Alves, "Estado de Guerra". Estou a (re)lê-la com imenso agrado e proveito. E, como amostra, deixo esta sua definição de algum jornalismo: "O jornalismo, aterrorizado com a ideia de que a cultura é pesada e de que o mundo tem de ser leve, nivelou a inteligência e a memória pelo mais baixo denominador comum, na esteira das televisões generalistas". Reconheçamos que, num mundo de corporativismos ferozes, é preciso alguma coragem para dizer verdades simples. "Como punhos", para utilizar uma expressão que o meu pai costumava utilizar muito.

24 comentários:

Anónimo disse...

O Senhor Embaixador também não escreve mal, e, com punhos... É, aliás, motivo suficiente para acompanhar as "suas divagações" a par de uns textos de valor literário reconhecido por todos os comentadores do blog: duas ou três coisas.
Clara Ferreira Alves parece ser tão "afastada" das coisas que muias vezes critica!

Anónimo disse...

Escreve muito bem e dava textos da Clara Ferreira Alves quando era Professor no Liceu Francês aos meus 20 anos. E a escrita da Clara é como o Vinho do Porto...

Anónimo disse...

Não posso estar mais de acordo!
João Vieira

tulipas disse...

Bom Dia
Sr. Embaixador,

Estou completamente de acordo com a sua opinião. Efectivamente gosto de ler o que Clara Ferreira Alves escreve, independente se estou ou não de acordo.
Tal como também gosto de ler o que o Senhor Embaixador escreve.
Desejos de um Feliz Ano Novo!

Rubi disse...

Senhor embaixador: almejo um dia escrever como a senhora Clara Ferreira Alves e como o senhor embaixador. Ambos escrevem extraordinariamente bem, como demonstra este seu último texto!

Anónimo disse...

Também gosto quando escreve contra o Passos, elogia o Soares e farto-me de rir sobre os cartões VIP dourados da Tap que ela também tem e que acha que agora há povo demais a ter e que nada é como dantes! Para fazer sonhar professores da província?

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

http://aventar.eu/blogs-do-ano-2012/blogs-do-ano-2012-votacoes-1a-fase-24/

Por enquanto este blogue ainda só tem 2 votos ( 1 deles é meu) mas convido os leitores deste blogue a votarem no Duas ou Três Coisas para blogue do ano.

Está na secção GENERALIDADES.

Anónimo disse...

Rubi,
Se quer vir a escrever bem, comece por não usar palavras como "almejo".

Anónimo disse...

Com um pedido de desculpa antecipado, será prentenCiosismo ou pretenSiosismo? Como deriva de pretenSão, creio ser a segunda. Mas, sujeito a confirmação, como é óbvio.
Cumprimentos.

Anónimo disse...

Gosto muito da "Pluma Caprichosa" e do "Eixo do Mal".
Será defeito meu ou a Clara Ferreira Alves não só escreve bem?!

Anónimo disse...

A qualidade literária nem comento porque a milhas daquela que um dia, com esforço, almejo alcançar.

Contudo sobre CFA registo um comentário seu, com o qual concordo em absoluto, em que, entre virgulas, afirma: "não sendo independente" ....

É essa falta de independência, que por vezes roça o fanatismo e a idolatria, que retira conteúdo à bela forma como que a escriba domina a nossa língua ... é pena.

N371111

Anónimo disse...

Pois é... CFA é uma fugura interessante no meio publicista em Portugal. No entanto, cultiva uma postura caracteristica do movimento post-modernista português onde a arrogância e a agressividade lhe retira qualidades, por necessitar de afirmar veementemente o seu saber. Mas, eu não sei

Anónimo disse...

Senhor Embaixador permita-me um comentário dedicado ao anónimo das 14:54 ...

Almejar .. desejar com ânsia: "abraseada de sede almejando uma fonte", Camilo, "Mártires", in Grande Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, 14ª edição

N371111

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro N37111: eu näo me quero substituir ao comentador que se referiu ao "almejar". Não é que a palavra esteja "errada". E, porém, um termo algo "emplumado" numa escrita contemporânea. Mas o comentador é aqui muito bem vindo para explicar a sua ideia.

Helena Sacadura Cabral disse...

Pois eu não almejo nada, sobretudo se for emplumado.
Concordo com N 371111 e creio CFA tem uma escrita com bom ritmo. Mas quanto à sua pretensa independência, confesso, deixa muito a desejar.
Mas posso estar a ser injusta, porque não vejo o Eixo do Mal. É que com a crise tive que cortar alguns programas.

Anónimo disse...

Concordo com a HSC e o N 371111. Aprecio muito a escrita, mas o pretensiocismo e a falta de independência "tiram-me do sério".

Isabel BP

patricio branco disse...

há 2 claras ferreiras alves, a que escreve e a que se mostra ao vivo na televisão. são completamente diferentes, a que escreve no expresso, cronicas pensadas e estruturadas, e a que fala no eixo do mal, uma brincadeira narcisistica de clara mais uns tantos dizendo graças uns para os outros. estou com hsc, não vejo o eixo, poupo em televisão, e a estação tambem devia poupar não transmitindo um programa que não sei para que serve.

Anónimo disse...

Eu não me esqueço aqui há uns anos a Clara Ferreira Alves e a Paula Moura Pinheiro no jardim do Palácio das Laranjeiras a falarem num programa cultural do Conde Alfarrobo para aqui, o Conde Alfarrobo para acolá. Se o Diogo Quintela tivesse visto o programa caía para o lado...
JPS

Anónimo disse...

Exma HSC, sempre certeira. Quanta sabedoria!
E eu vejo, normalmente, o eixo do mal. Dá-me para cada coisa…
Mas neste post acho que descobri que existe (ou passou a existir há algum tempo) preten”c”iosismo… Com “c” de… Cavaco. Porque a “presunção” de que só se é igualado por outro, se esse outro nascer duas vezes, não é com certeza o pretensiosismo que normalmente percecionamos… (há que rir um pouco neste “vale de lágrimas”)

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Anónimo das 01:04
Agora fui eu que ri, sem "pretensiosismo", com o seu comentário. Mas, confesso, emplumadamente!

Anónimo disse...

Talvez tenha razão e tenha sido de bom coração o comentário do anónimo das 14:54. Percebi-o como cyber bulling e como "almejo" entrar no céu .... :)

N371111

Anónimo disse...

Clara Ferreira Alves parece ser tão "afastada" das coisas que muitas vezes critica, como disse o 1º comentário. Por exemplo, o Sr. Relvas não foi eleito (Eixo do mal 2013-02-23)contráriamente ao que disse deve ter sido induzida pelo dr. Montenegro.

Teresa Sousa disse...

Querida Clara já me habituei a algumas das suas incongruências mas o seu comentário em relação à greve dos professores pareceu-me pouco refletido. Certamente não saberá como é a vida de um professor, por isso fala,de coisas que desconhece.

Anónimo disse...

É verdade, eu também não gostei do comentário da (Dra) Clara em relação à greve dos professores. Seria bom para ela tentar LECCIONAR durante um dia, de preferência a 100 Kms de casa para ficar a saber como é bom ser PROFESSOR(A).Eu deixei de estar no ACTIVO há 6 meses, portanto sei do que falo. Ah, e também lamento que sendo ela, CFA, tão defensora da LÍNGUA PORTUGUESA, tenha aderido a este desventurado (des)acordo ortogáfico, assim como à sua banalização usual de anglicismos/americanismos.

MJRF