terça-feira, 27 de novembro de 2012

O nosso património

Foi há um ano que o Fado foi consagrado pela UNESCO como "património imaterial" da humanidade. Eu estava ainda longe de assumir responsabilidades no âmbito da organização e, à distância, como qualquer português, fiquei feliz com essa decisão.

O processo apresentado por Portugal foi então considerado exemplar, muito bem planificado e trabalhado no seio da organização e dos seus Estados membros. O nosso país tem dado provas que "não brinca em serviço", quando se compromete em iniciativas no mundo multilateral, onde apresenta um saldo muito positivo de êxitos.

Esta é mais uma razão para, no futuro, dever continuar a haver, por parte do Estado português, um grande cuidado na seleção das candidaturas que patrocina na UNESCO -  quer como "património imaterial" quer "material". Não é apenas porque uma entidade nacional entende, com maior ou menor razão, que um determinado "bem" português  deve merecer uma consagração no quadro da organização que isso deve comprometer, automaticamente, o nosso país. O Estado português, que tem como responsabilidade gerir a nossa imagem e os nossos interesses junto das entidades internacionais, tem a estrita obrigação de ser muito seletivo naquilo em que vai comprometer o nome de Portugal. Reconheço, com facilidade, que, às vezes, isso pode parecer antipático face a algumas iniciativas, suscitando reações regionais ou sectoriais menos compreensivas para com essas decisões. Mas o interesse nacional prevalece sempre sobre motivações locais, por mais bem intencionadas que sejam. 

Recordo que, há meses, tomámos a decisão, com algum custo público, de nos opormos à apresentação da candidatura a "património imaterial" do Cante Alentejano. Na altura, foi considerado que o respetivo processo não estava suficientemente preparado. Passaram alguns meses e, após um trabalho mais aturado e cientificamente apoiado, que melhorou substancialmente o projeto de candidatura, vamos avançar com ela no início de 2013. Valeu a pena esperar e não ceder às pressões do momento. 

O voluntarismo é muito importante e pode ser louvável. Mas nunca substitui o rigor e o profissionalismo.

4 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Nem mais!

Helena Oneto disse...

Um post positivo. Um -so- comentario positivo!!!

Anónimo disse...

Bem feito!

Anónimo disse...

Pois é.... O Fado..... Quem diria, há quarenta anos, que este regime iría propor que esta expressão artistica portuguesa, na altura considerada decadente, fosse reconhecida pela UNESCO. Mas... eu não sei