quinta-feira, abril 26, 2012

Feriado

Conversa ouvida, há uns anos, ao almoço, numa mesa ao lado, num restaurante lisboeta, num dia 24 de abril:

- Eu, cá por mim, detesto o 25 de abril! Só trouxe balbúrdia, arruinou a economia e foi uma deceção! Então, cravos vermelhos, nem vê-los!

-  E o que é que fazes amanhã?

- Vou para o monte, ali ao pé de Serpa, já pedi a tarde ao chefe. Tirando uns dias de férias, e ligando ao 1º de maio, faz-se uma "ponte" imensa. Dá um jeitaço!  

Pois dá!

quarta-feira, abril 25, 2012

Os partidos e o 25 de abril

Hoje, dia 25 de abril, convidei para um almoço na embaixada  dois representantes em França de cada um dos cinco partidos políticos que hoje têm representação na nossa Assembleia da República. Durante cerca de duas horas, revisitámos, celebrando-a, a data fundacional da democracia que nos rege, numa discussão serena, onde não deixaram de estar presentes as divergências de que se constitui a diversidade da nossa vida política. Mas onde também ficou evidente, acima dessas diferenças, o quanto Portugal deve a quem o libertou de uma ditadura que criou um triste interregno, de cerca de meio século, numa vida democrática que havia sido iniciada em 1820.

A política é uma atividade nobre que, em grande parte, se objetiva através da ação dos partidos políticos, entidades congregadoras de vontades e portadoras de projetos de sociedade, por natureza contraditórios entre si. Nos últimos tempos, em Portugal, mas não só, a atividade partidária tem vindo a ser denegrida, nos simplismo de um discurso de matriz populista, identificada como um mero exercício de lóbi, como espaço para o carreirismo pessoal, para a concretização de algumas negociatas e para agendas que, muitas vezes, estão longe da prossecução do interesse público que deveria ser o centro da sua atividade. É muito provável que, numa certa medida, essa acusação possa ter alguma sustentação na realidade, justificando assim todos os esforços que possam ser feitos para uma regeneração do nosso sistema partidário. Mas que fique claro: sem os partidos políticos, estes ou outros, não há democracia.

O meu convite de hoje destinou-se, assim, a homenagear os partidos políticos portugueses, com uma saudação particular para aqueles que, nomeadamente em França, já existiam antes do 25 de abril e através de cuja ação militante, muitas vezes em condições bem difíceis, também foi possível ajudar a concretizá-lo.

Miguel Portas (1958-2012)

Acho que Miguel Portas, se tivesse podido determinar a data da sua saída deste mundo, gostaria que ela tivesse coincidido com um 25 de abril. Por algumas horas, isso não foi possível. Mas os cravos de hoje são para ele.

Conheci pessoalmente o Miguel há cerca de dez anos. Eu estava colocado em Viena, tínhamos amigos comuns e, um dia, recebi dele um e-mail, manifestando o desejo de trocarmos impressões sobre as questões europeias, numa ocasião em que eu passasse por Lisboa. Era um assunto em que eu trabalhara alguns anos e pelo qual me continuava a interessar, embora dele desligado profissionalmente. 

Convidou-me para almoçar, sugerindo, cuidadoso com os riscos para o meu "estatuto", aquilo que considerava um sítio "discreto": um pequeno restaurante na praça da Armada (ao lado das "espanholas"), que costumava frequentar (e que eu, por "milagre", não conhecia). Ri-me, intimamente, divertido com o que sabia ir ser o grau de "discrição" do lugar: minutos depois da nossa chegada, as escassas mesas foram invadidas por funcionários do ministério dos Negócios estrangeiros, os quais, nessa tarde de fins de 2002, devem ter espalhado, por uns claustros das Necessidades à época um tanto assombrados, terem sido testemunhas de uma conversa sigilosa entre um embaixador algo conhecido e um deputado do Bloco de esquerda. Recordo-me bem de preocupação do Miguel quando, bem disposto, lhe revelei as presumíveis consequências, em matéria de inevitável "gossip", desse nosso encontro. E sosseguei-o quanto à importância que eu próprio (não) dava ao facto.

O Miguel Portas que então conheci - e com quem, em anos futuros, apenas troquei bastantes e-mails, dada a nossa vida geograficamente distante - era um homem sereno, com um sorriso acolhedor, extremamente delicado, que transpirava honestidade e sentido de dedicação à coisa pública. Tinha seguido, desde bastante novo, um percurso político de grande dignidade, retratado de forma curiosa num pouco conhecido livro inglês, de 1975, que um dia descobri num "sebo" (alfarrabista) brasileiro. O Brasil, aliás, interessava-o bastante, como sempre sublinhava um amigo comum, que muito me falava dele - Tarso Genro, ministro da Justiça e agora governador do Rio Grande do Sul.

À época desse nosso encontro, o Miguel estava muito preocupado com o sentido que as coisas tomavam na Europa. Mas, contrariamente a mim,  angustiava-o menos a nova arquitetura institucional que se desenhava, e, muito mais, o sentido, que lia como quase totalitário, da deriva neoliberal que atravessava as políticas que iam fazendo o seu caminho em Bruxelas. Mal nós imaginávamos o que estava por aí para vir...

Recordo-me de, na conversa, o ter interrogado sobre a génese do Bloco de Esquerda, tentando perceber como era possível a convivência, no seu seio, de tradições trotskistas e maoístas, dimensões que eu julgava mais incompatíveis do que a água com o azeite. Contou-me o papel que as pessoas como ele, originárias do PCP e chegadas ao Bloco através da "Política XXI", representavam nesse (então) curioso projeto político. E recordo-me bem de uma frase que me disse: "No fundo, eu sou hoje considerado como situado na ala direita do Bloco".

Miguel Portas fez um trabalho notável no Parlamento Europeu, sem concessões, com imensa coragem, correndo mesmo o risco de afrontar as iras corporativas, de que é bem demonstrativa uma notável e quase histórica intervenção, que pode ser vista aqui. Ainda na passada semana, em Bruxelas, dele falei com amigos, que me avisaram do agravamento da sua doença.

É quase um lugar comum dizer que homens como Miguel Portas fazem muita falta à política portuguesa. Mas fazem-no muito mais à sua família - muito em especial à sua mãe, Helena Sacadura Cabral, estimada comentadora deste blogue, bem como ao seu irmão, Paulo, meu ministro - a quem deixo a expressão amiga e muito sincera do meu grande pesar por esta perda.

Este 25 de abril é muito mais triste sem Miguel Portas.

terça-feira, abril 24, 2012

Com cravos, sempre!

Correndo o risco de parecer pretensioso, mas atenta a discussão em torno das comemorações do 25 de abril, apetece-me respigar o que aqui publiquei, em 25 de abril de 2010:

"Em Portugal, o 25 de abril é oficialmente celebrado com uma sessão de discursos políticos e partidários na Assembleia da República. Todos os anos, para além da aturada observação jornalística de quem leva ou não um cravo ao peito, a atenção pública volta-se para o tom e exegese dessas intervenções, que invariavelmente utilizam a comemoração abrilista para tratar a realidade da conjuntura política do presente. Assim, aquilo que poderia ser um espaço de proclamação de elegias à liberdade conquistada nessa data acaba por se transformar numa arena de severo combate político, com as diversas leituras de "abril" a servirem de arma de arremesso, mais ou menos subliminares. Julgo que ninguém, com sinceridade, acreditará que essa maratona declaratória contribui, minimamente, para louvar as virtualidades da Revolução e para cativar novas gerações para o culto desse momento fundacional da nossa democracia.

Noutro registo, menos plural e um pouco mais "biaisé", um grupo de muito respeitáveis militares que fizeram a Revolução de abril, acompanhados por figuras da nossa história política (quase sempre já) passada, acolitados por incontornáveis representantes de forças políticas e sindicais de lateralização óbvia, desce a avenida da Liberdade, aí já com total abundância de cravos e com a exibição de slogans que fazem parte do património típico da memória revolucionária. Ninguém negará, contudo, que o tom peculiar dessa manifestação acaba por excluir muitos outros, para quem a memória da Revolução se exprime em moldes mais serenos e menos polítizados. 

Na simples mas inalienável qualidade de cidadão, quero deixar aqui expresso, com a total consciência do peso do que escrevo, que considero que ambos os eventos acabam por funcionar, objetivamente, contra o 25 de Abril. 

Comemorar o 25 de Abril, celebrar essa magnífica Revolução que, por uma vez, quase que fez o milagre impossível de unir o país, deveria consubstanciar-se apenas na organização de festas populares por todo o país, com música, com bailes, com juventude, com alegria e, sempre, sem discursos e sem slogans. Como, aqui em França se faz com o "14 juillet". Ah! e com muitos cravos, para quem os quisesse e os apreciasse. A liberdade também se faz da possibilidade dessa opção. 

Mas que não reste a menor dúvida: nesta data, estive, estou e sempre estarei de cravo vermelho ao peito.".

Amanhã, na Embaixada de Portugal em Paris, reunirei, num almoço, representantes de todas as forças políticas com expressão na Assembleia da nossa República. Os partidos não esgotam a democracia, mas, sem eles, ela não existiria.

segunda-feira, abril 23, 2012

INSEAD

Na passada semana, convidei, para um jantar, doze jovens portugueses que estão a frequentar o INSEAD, a prestigiada "bussiness school" internacional existente em Fontainebleau, que já foi dirigida pelo professor António Borges.

Para quem, como eu, vive há mais de uma década fora do país, foi interessante poder trocar impressões com representantes de uma nova geração saída de universidades portuguesas, colhendo a sua perspetiva sobre o modo como leem a situação que Portugal atravessa.

Curioso, mas um pouco menos agradável, foi constatar que, na sua esmagadora maioria, esses futuros profissionais têm, como objetivo imediato, vir a exercer a sua atividade no estrangeiro. 

domingo, abril 22, 2012

Eleições

Há um antigo preceito segundo o qual o sistema constitucional francês faz com que, na primeira volta das eleições presidenciais, os cidadãos escolham o candidato que mais lhes agrada, e, na segunda volta, rejeitem o candidato de que menos gostem.

Hoje é dia da primeira volta das eleições presidenciais em França. Porque, ao contrário do que por vezes acontece em Portugal, nenhum candidato, na história da V República, alguma vez obteve, nessa mesma primeira volta, mais de 50% dos sufrágios, por forma a ser, desde logo, eleito, terá lugar um segundo escrutínio, em 6 de maio. Só nesse dia se conhecerá o nome do presidente da República, para os próximos cinco anos.

O facto de, segundo as sondagens, quase um em cada dois franceses anunciar que tenciona ir votar, na primeira volta, num candidato diferente dos dois que, com grande probabilidade, passarão à segunda volta, dá que pensar que a frase com que abri este post pode ter alguma coisa de verdade. 

sábado, abril 21, 2012

Corporações

São evidentes - e, para muitos, chocantes - os esforços de várias corporações para tentarem limitar o acesso às suas profissões. Há uns tempos, esses ventos sopraram do lado dos advogados. Mais recentemente, voltou a ouvir-se o apelo, embrulhado, como sempre, em argumentos de "qualidade", agora do lado dos médicos.

Há médicos a mais? Se assim for o caso, então talvez seja de introduzir mecanismos imperativos para forçar a ida para a província profunda da única profissão que tem um emprego garantido pelo Estado, logo no termo do curso. Auscultem-se as populações...

quinta-feira, abril 19, 2012

Vila Real


Benjamin Marques (1938-2012)

Faleceu, em Paris, o pintor português Benjamin Marques.

Há muitos anos residente em França, onde seguiu por vários percursos de vida, Benjamin Marques era uma figura muito respeitada e estimada no seio da comunidade cultural portuguesa. Reivindicando-se de uma herança surrealista, fruto de contactos na sua juventude lisboeta, a sua pintura mais recente seguia já abertamente por outros caminhos, como tive o ensejo de observar em exposições onde exibiu os seus trabalhos. Um dos seus hóbis de eleição era a história de arte, tendo proferido diversas conferências sobre o tema.

Benjamin Marques era um homem de alma grande, caloroso, de emoção fácil e verbo cuidado. Devo-lhe gestos de grande simpatia e vou sentir falta dos abraços com que sempre me acolhia. O coração traiu-o, na manhã de hoje. À sua família, bem como à sua grande amiga e colega artística Isabel Meirelles, deixo o testemunho do meu respeito pela sua memória.

Os jardins da Europa

No domingo passado, ao passar na "bruxelense" rue de la Loi, recheada de endereços que albergam outras tantas estruturas da União Europeia, alguém me perguntava se não estaríamos perante uma "mastodôntica" instituição, gastadora de recursos.

(A obcecação pelo "downsizing" dos serviços públicos é hoje um virus subliminar a que poucos escapam).

Ontem, num almoço, aqui em Paris, alguém lembrava que a União Europeia, no seu conjunto, tem menos funcionários do que a "Mairie" (Câmara municipal) de Paris. Ao que alguém comentou, numa nota primaveril: "mas tem muito menos jardineiros..." 

Sudão

Leio há pouco num jornal: "Omar Bachir, o presidente do Sudão, anunciou hoje querer libertar o Sudão do Sul dos seus líderes, afirmação que indicia a proximidade da guerra entre os dois países".

Sei que é uma aposta fácil ser pessimista em África, mas não resisto a lembrar o que aqui escrevi, há alguns meses, sobre o assunto.

quarta-feira, abril 18, 2012

Ardiles e Messi

Em Londres, em 1982, durante a guerra entre o Reino Unido e a Argentina, a propósito do arquipélago das Falkland/Malvinas, testemunhei o facto do fantástico jogador argentino Oswaldo Ardiles ter de ser cedido temporariamente pelo Tottenham, em face do ambiente hostil que se criou à sua volta.

A crise política que agora se instalou entre Madrid e Buenos Aires, por virtude da nacionalização conflitual de uma empresa petrolífera com capitais espanhóis, está, felizmente, muito longe de ter a dimensão do conflito desse mês de abril, há precisamente 30 anos. Por isso, tenho esperança em que um outro génio argentino do futebol, como Lionel Messi, não veja a sua brilhante carreira afetada por esta nova tensão. 

Será que o futebol pode escapar, por completo, à política?

terça-feira, abril 17, 2012

O tempo dos outros

O título deste post é o de um livro de Adriano Moreira, publicado nos anos 60 do século passado.

(Recordo-me de o ter utilizado como epígrafe equívoca de um artigo em "A Voz de Trás-os-Montes", em outubro de 1969, quando a Oposição democrática, que se opunha ao já então decadente marcelismo, aproveitava, com ansiedade, o estreito espaço de manobra pública que a censura da época lhe dava. Como um dos efémeros "porta-vozes" dessa mesma Oposição, em Vila Real, inundei o jornal de vários textos, até que a paciência do censor local, o capitão Medeiros, se esgotou e fui finalmente privado dessa tribuna, para aberto desagrado do diretor do jornal, (o então padre) Henrique Maria dos Santos*).

Lembrei-me deste título hoje, a propósito da imensa curiosidade com que o corpo diplomático acreditado em Paris acompanha as declarações dos responsáveis que a candidatura de François Hollande, o principal "challenger" do atual presidente, mantém para os vários setores governativos, em caso de vitória. Neste tempo que, segundo muitas sondagens, poderá vir a ser por aqui "o tempo dos outros", é importante podermos garantir às nossas autoridades uma previsão daquilo que uma possível nova administração pode vir a fazer, se acaso o resultado das urnas lhe vier a ser favorável. O respeito que é devido aos poderes instituídos, bem como à possibilidade de serem reconduzidos, pela livre expressão da vontade dos franceses, não deve nem pode limitar o nosso interesse e legitimidade em estarmos preparados para todas as eventuais alternativas. 

Com alguma ironia - sem a qual de há muito não sei viver -, costumo dizer que, basicamente, só há três circunstâncias em que os embaixadores têm por certo que as suas comunicações são lidas, com algum interesse, nas respetivas capitais: quando há crises nas relações bilaterais, quando há golpes de Estado nos países onde estão acreditados ou quando há localmente eleições marcadas por algum grau de indecisão quanto aos resultados. No dia de hoje, não sendo embaixador espanhol em Buenos Aires, nem estando na ingrata posição do meu colega em posto em Bissau, resta-me assumir o popular risco de opinar sobre a campanha presidencial francesa - na esperança, quiçá vã, de alguns dentre quantos me leem em Lisboa não tendam a dar mais crédito ao que, sobre o tema, vão escrevendo o "Financial Times", o "International Herald Tribune" ou mesmo o "Le Monde".

Em tempo: um comentador informou que Henrique Maria dos Santos faleceu em 13 de abril, quatro dias antes deste post em que eu falava da sua louvável abertura de espírito, nesses tempos complexos.

segunda-feira, abril 16, 2012

Guiné-Bissau

Hoje à tarde, na UNESCO, na terceira das jornadas "Vamos falar português", estava previsto como tema a abordagem da cooperação com a Guiné-Bissau, assunto que fora proposto pelo Brasil, bem antes dos tristes acontecimentos que ocorreram naquele país.

Porque todos acreditamos que, cedo ou tarde, as coisas se normalizarão, foi decidido, apesar de tudo, manter a agenda e dar conta de um interessante programa de ajuda educativa levado a cabo por uma ONG, também com forte empenhamento brasileiro.

Coube-me abrir a sessão e falar um pouco do modo como víamos o desenrolar dos acontecimentos em Bissau, lembrando a firme tomada de posição da CPLP e a inequívoca rejeição da ação militar por parte de instituições internacionais - como as Nações Unidas, a CEDAO e a União Europeia. 

Esta dia em que, de forma particular, se falou português na UNESCO esteve longe de ser, contudo, um dia feliz para os países que falam a nossa língua. 

domingo, abril 15, 2012

La Lys

Fomos algumas dezenas, neste sábado, entre portugueses e franceses, como todos os anos acontece, a saudar a memória de quantos combateram na batalha de La Lys, em abril de 1918. No cemitério militar português, em Richebourg, e no monumento aos soldados portugueses mortos, em La Couture, todos cumprimos um simples dever de gratidão e de respeito.

Faz muito bem, em particular em tempos difíceis, revisitar estes lugares, que nos ajudam a melhor entender o que significa ser português no mundo.


sábado, abril 14, 2012

O bacalhau e a política

Entre os políticos portugueses, os períodos de campanha eleitoral são conhecidos pelos "circuitos da carne assada", esse infindável périplo por mesas de restaurantes e pavilhões gimno-desportivos, com comida portuguesa, quase sempre mais em força do que em jeito.

Aqui em França, presumo que as coisas não devam ser muito diferentes. Mas, para além do predomínio da comida do seu país, o proselitismo de conjuntura obriga a que os políticos franceses em campanha não se eximam a provar a gastronomia típica das comunidades cujo voto pretendem conquistar. Já me contaram histórias deliciosas dos tempos de Jacques Chirac, ao tempo em que se interessava pelo voto dos portugueses.

Na campanha presidencial em curso, um determinado restaurante português ganhou foros de alguma fama, ao ter-se convertido numa espécie de cantina diária informal da candidata Marine Le Pen e da sua equipa. Há dias, foi a vez do presidente candidato Nicolas Sarkozy ter organizado um almoço, na periferia de Paris, num restaurante com cozinha portuguesa. Na passada semana, a "Academia do Bacalhau" de Paris, uma convivial agremiação de portugueses, convidou representantes das candidaturas de François Hollande e de Nicolas Sarkozy para, à volta do "fiel amigo", explicarem de que modo os interesses de afirmação cultural e linguística da comunidade de origem lusitana seria protegidos, em caso de vitória do seu candidato.

Nunca se saberá qual o sentido político maioritário dos cidadãos de origem portuguesa que dispõem de direito de voto nas eleições presidenciais que se concluirão em 6 de maio. Pelo que todos ficaremos sempre sem saber se o esforço de simpatia dos candidatos pela cozinha portuguesa teve algum efeito nessa opção. Mas, enfim, a verdade é que alguns tentaram...

sexta-feira, abril 13, 2012

Margarida Figueiredo

Só hoje me chamaram a atenção para a magnífica entrevista que a minha amiga e colega (do MNE e da mesa do "Procópio"), também embaixadora, Margarida Figueiredo concedeu à revista do "Público", no último domingo, muito bem conduzida por Anabela Mota Ribeiro.

Ficou ali um retrato muito livre e a quente de alguém que está de bem com a vida que teve e tem, contada de forma divertida, saudavelmente irónica e sem baias. Nela soube traduzir, em linguagem colorida e inteligente, aquele que foi o tempo da entrada das primeiras mulheres na carreira diplomática, tudo isso somado a flashs curiosos sobre a burguesia portuense de onde emanou e que, desde sempre, cuidou em abalar e provocar. Para quem conhece bem a Margarida - e eu faço parte desses eleitos -, imagina-se o tom divertido com que aquelas palavras foram ditas, envolvidas pelo fumo de muitos cigarros e com imenso chá à mistura, sempre longe da preocupação do "politicamente correto", porque esse nunca foi o seu estilo - ou melhor, essa é muita da sua graça.

Retenho o seu delicioso "filme" do MNE, ao tempo de início de funções de Mário Soares, como ministro, logo após o 25 de abril: "No dia em que Soares chegou, em menos de dois minutos, estava o MNE inteiro no átrio. Tudo a tirar o brasão do dedo e a descobrir a lavadeira na árvore genealógica".

Bravo, Margarida! 

quinta-feira, abril 12, 2012

Norte

Foi hoje sublinhada em Paris, por representantes de Guimarães 2012 - Capital europeia da cultura, a crescente presença de visitantes franceses nos seus eventos. Julgo que esse é resultado concreto do excelente trabalho que, desde há vários anos, tem sido feito pela delegação do Turismo de Portugal que funciona junto da embaixada, com vista a tornar a França num mercado emissor de turistas cada vez mais importante para o nosso país.

Hoje à tarde, nos espaços da Embaixada, juntámos cerca de uma centena de operadores turísticos e jornalistas para uma ação de promoção, não apenas de Guimarães 2012, mas igualmente do nosso magnífico Turismo de Habitação, tudo com a colaboração da Associação do Turismo do Porto e Norte de Portugal.

quarta-feira, abril 11, 2012

Marxismo turístico

Há muito quem considere que o marxismo faz hoje parte do "caixote do lixo da História", para utilizar uma formulação do próprio Marx.

Porém, verifiquei, há dias, que Karl Marx mantém uma pujante popularidade na sua terra natal, a cidade alemã de Trier (que, em outros tempos e com outra soberania, se chamava Trèves), próxima do Luxemburgo, onde a sua casa-museu é o principal motivo turístico da cidade.

Poderá assim dizer-se que os habitantes de Trier são, à sua maneira, "marxistas"?

"Casanostra"

Há anos que ando para criar uma lista, a trazer no iPhone, com aqueles restaurantes de que raramente me lembro, ou melhor, de que digo, desc...