sábado, outubro 17, 2026

Artur Santos Silva


A Universidade de Coimbra atribuiu a Artur Santos Silva um doutoramento "honoris causa". Nada me parece mais justo. Homenagear uma das grandes figuras do Portugal contemporâneo, além do mais com profundas ligações àquela universidade, é um ato que não prestigia apenas o próprio mas também a instituição que o promove.

Já por aqui escrevi, no passado, o que há muito penso. Mas quero repeti-lo. Artur Santos Silva é, para mim, e desde há muito, a personalização discreta da ética na vida cívica portuguesa. 

Oriundo de uma família liberal do Porto, cedo foi educado no culto da liberdade. Passou brevemente pela política e, tendo decidido adotar a independência como modo de vida, prestigiou-se profissionalmente, vindo a ser o criador de uma instituição bancária de referência, tendo trabalhado ainda em gestão empresarial. A banca, em diversos tempos e modos, ocupou grande parte da sua vida.

Pelo caminho, não deixou de intervir na ação pública, a seu modo e de forma equilibrada, com permanente bom-senso, grangeando um raro e alargado respeito. A cultura esteve sempre nos seus genes. Da Fundação de Serralves ao Porto Capital da Cultura (onde mostrou saber bater fragorosamente com a porta, quando isso se revelou imperativo), passando pela (sua) Universidade de Coimbra, onde presidiu ao seu Conselho Geral.

Artur Santos Silva viria ainda a titular com sucesso, na Fundação Calouste Gulbenkian, a presidência da mais importante instituição cultural do país, numa conjuntura bastante complexa da respetiva existência. 

Pelo meio, ficou também a liderança da comissão para a comemoração do Centenário da República - uma vez mais, o culto da ética republicana que sempre foi a sua. A Fundação ligada ao banco que ajudou a construir constituiu a última área onde se empenhou com visibilidade pública

Artur Santos Silva pode, muito simplesmente, ser qualificado como um grande homem de bem. Lamento que o país, em alguns ciclos de atribuição de responsabilidades para a sua gestão coletiva, não tenha tido a sabedoria de o aproveitar nas mais altas funções de Estado. Estou certo de que Portugal teria ganho com isso.

Um forte abraço de parabéns, meu caro Artur.

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