Desde há décadas, mantenho com a minha amiga Teresa de Sousa, que há muito considero ser a mais qualificada jornalista portuguesa em temas internacionais, um animado diálogo crítico, feito de muitas convergências e de algumas divergências - umas táticas, outras estratégicas.
No quadro do Forum Demos, um espaço de livre debate incansavelmente animado pela serenidade inquieta do Álvaro de Vasconcelos, temo-nos encontrado e desencontrado ao longo dos últimos anos. A Teresa, tal como o Álvaro, é oriunda de um tempo de luta anti-fascista que teve como referente as ideias maoístas puras e duras, das quais estive sempre bem distante. A partir daí, inicialmente sob a influência de um certo atlanticismo tributário da Guerra Fria a que não fui sensível, ambos evoluiram para um europeismo com tons federalizantes, do qual só muito lentamente me fui aproximando, na construção de um olhar, comum no essencial, sobre o mundo que nos está próximo.
Nos últimos tempos, voltámos a divergir um pouco: por exemplo, não olhamos da mesma forma as soluções práticas para o conflito ucraniano ou as virtualidades de figuras como Biden, Macron ou Merz. Mas, vá lá!: coincidimos, no essencial, na nossa perspetiva sobre a figura de Trump. A vida em democracia é isto mesmo: diálogo aberto, confrontação de ideias.
Teresa de Sousa vai amanhã receber um doutoramento "honoris causa" pelo ISCTE. Nada poderia ser mais justo. É a homenagem certa a uma grande jornalista, a uma intelectual de imenso mérito, a uma mulher livre, uma das figuras mais interessantes da geração política que lutou para que Abril se concretizasse e que, daí para a frente, defendeu sempre, com grande coerência, as ideias em que genuinamente acredita.
Parabéns, cara Teresa! Honra ao mérito!
