Fico sempre muito curioso com a seleção dos entrevistados que os jornalistas portugueses fazem quando se deslocam a certos países estrangeiros. A ninguém passa pela cabeça que, em Paris, Washington ou Londres, um episódico correspondente português pare no meio de uma rua para ouvir um cidadão sobre uma questão de política interna. Porém, em territórios mais "exóticos", como agora é a Grécia, já é vulgar assistir a essa estranha amostragem, através da qual o sentimento do país é medido por dois ou três cidadãos que se disponibilizam para dar a sua opinião. Penso sempre se, como português, me sentiria representado por uns fulanos entrevistados ao acaso no Rossio ou no Cais do Sodré...
Há, contudo, um "grau zero" na recolha deste tipo de opiniões de "populares": são os taxistas. Quando vejo um jornalista citar a opinião de um taxista, mudo logo de canal ou mudo de página num jornal. Porquê? Porque me lembro logo dos nossos...
