20 de maio de 1965. Um grupo de arruaceiros da ditadura, enquadrados por elementos da Legião Portuguesa, assaltava as instalações da Sociedade Portuguesa de Escritores, que o governo encerraria formalmente no dia subsequente. O motivo foi a atribuição à obra "Luuanda", de Luandino Vieira, um nacionalista angolano então preso no campo de concentração do Tarrafal, do prémio anual de literatura da Sociedade. António Valdemar conta a história hoje no Público. Membros do júri do prémio foram então detidos. Entre os elementos da direção da SPE que não se solidarizaram com os seus colegas figurava o nome de Luís Forjaz Trigueiros (1915-2000), jornalista, escritor e crítico. Por esse seu gesto, pagou para sempre um preço no mundo intelectual português.
20 de maio de 2015. Passou exatamente meio século, dia por dia, Há minutos, num alfarrabista de Campo de Ourique, por cinco euros, adquiri o "Diário 1962-1972" de João Palma Ferreira. Era da biblioteca de Trigueiros, com um cartão com a dedicatória: "Ao Luis Forjaz Trigueiros, recordando tantas amabilidades, com a gratidão do seu sempre admirador e amigo, João Palma-Ferreira, Salamanca, Abril, 72" . (Para tornar mais críptica a compra, vem dentro um bilhete para uma "poltrona" no Jardim Cinema, sessão da noite de 1 de março de 1969. 10 escudos, para que conste).
