Este é um país em que a culpa morre geralmente solteira e triste, mas a nossa imprensa investigativa, que às vezes tanto se assanha (e faz bem!) pelos estranhos circuitos de alguns milhares de euros, deveria aprofundar sobre quem é verdadeiramente responsável pela destruição de uma empresa, que já foi prestigiada e forte, como a PT. Pela porta pequena, saiu há semanas Henrique Granadeiro. Hoje, sai o "golden boy" Zeinal Bava, "corrido" pela brasileira OI e pela desconfiança dos mercados.
Que raio de "corporate governance" era seguida na empresa, que permitiu que a conseguissem desvalorizar desta forma? Das trapalhadas da sua ligação ao Brasil às cumplicidades com o universo BES, é muito triste ver uma das marcas mais fortes de Portugal no exterior ser hoje arrastada pelas ruas da amargura e da desqualificação.
E que tristeza é constatar que o que nos resta de Estado - depois da operação cirúrgica da sua descapitalização económica, funcional e humana, ideologicamente levada a cabo, com método, no último triénio - não é sequer capaz de entender que o futuro de um ativo estratégico como é a nossa maior empresa de comunicações não deveria estar hoje à mercê de um negócio que já nem passa por Lisboa. Não há vergonha? Não há.
