quarta-feira, 29 de outubro de 2014

MCDXLIV

Há dias, numa visita a uma casa senhorial do Minho, a simpática guia que nos acompanhava falou no "setenta e cinco aniversário" de alguém ligado ao monumento. No final da visita, discretamente, fiz-lhe notar que a referência numérica que ela havia feito estava talvez demasiado marcada pelo facto de muitos visitantes serem galegos - na Galiza diz-se "o setenta e cinco aniversário" - dado que, em português, se diz sempre "septuagésimo quinto". A jovem, que me pareceu com razoável cultura, terá entendido a minha subliminar e ínvia crítica, engoliu em seco e confessou que "assim é mais fácil..." Pois é: é mais fácil, mas está errado!
 
Dei então comigo a pensar se a juventude de hoje saberá ler um número romano. Recordei-me ainda de um professor liceal que nos ensinava que a melhor forma de entender os números romanos era o ano de 1444, que utiliza todas as letras possíveis para compor uma data - MCDXLIV.

Qual é a verdadeira utilidade disso, perguntarão alguns? Se formos por esse caminho, é melhor, de facto, ligarem a televisão para a "Casa dos Segredos"...   

15 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

O problema é que "eles" nunca aprenderam os números romanos. E duvido, até, que hoje sejam muitos os professores a sabê-los. Está tudo ligado na Casa dos Segredos. Seja a da TVI ou as outras que por aí andam...

Anónimo disse...

Pois é! Aquela vontade secreta de querer ter sido espanhola aliada à ignorância.

Na Província disse...

O Minho do meu coração, só espero que não tenha sido em Barcelos!
Parece-me que de facto os miúdos não aprendem os números romanos, pelo menos os meus no 4º ano não sabem.

Frederico Lucas disse...

Eu acredito no potencial das pessoas.
Acredito que a "jovem" tenha compreendido o reparo e num futuro não repetirá esse erro.
Acontece-me ser corrigido com muita frequência. E nem sempre estou preparado para as criticas que escuto. Mas são essas críticas que me fazem crescer, ao invés dos prémios e elogios.

Ivete Ferreira disse...

Tem toda a razão no seu comentário. Hoje considera-se irrelevante e desnecessário aprender "coisas" que já caíram em desuso. No entanto, ainda há professores/as que ensinam essas "coisas" à revelia do considerado actual e correcto. O meu neto aprendeu a numeração romana e a aplicá-la na indicação da data. O que mais me espanta é ver indicado, muitas vezes em documentos oficiais, o século em numeração árabe.

Joaquim de Freitas disse...

Oh Senhor Embaixador: Não será essa menina Belga, Suíça ou ou Quebe , ( como é que se escreve "Québequoise" em Português ?) onde se diz "septante cinq" !

Anónimo disse...

1666 tem todas as letras por ordem decrescente.

MJM

Anónimo disse...

Já agora, pergunta para queijo:

que significa
_
M (M com traço por cima)

em numeração romana?

MJM

Joaquim de Freitas disse...

M com um traço por cima vale 1 000 000

M com dois traços vale 1 000 000 000

Da mesma maneira que C (Cem) com um traço por cima vale 100 000, e com dois traços vale 100 000 000.

Helena Sacadura Cabral disse...

MJM
O número 1.000 era representado pela letra M. Assim, MM correspondiam a 2.000 e MMM a 3.000.E os números maiores que 3.000?
Para escrever 4.000 ou números maiores que ele, os romanos usavam um traço horizontal sobre as letras que representavam esses números. Um traço multiplicava o número representado abaixo dele por 1.000. Por exemplo, dois traços sobre o M davam-lhe o valor de 1 milhão.

Unknown disse...

Quantos anos vamos precisar para que ler numeração romana seja obra para arqueólogos? Precisámos de poucos para deixar de ler hieroglifos

rmg disse...


Caro Sr. Joaquim de Freitas

O "septante-cinq" é outra história.

Do que estamos aqui a falar é do "soixante-quinzième".

Cumprimentos

RuiMG

EGR disse...

Senhor Embaixador: já agora, mesmo para os que como eu aprenderam mas com o tempo alguns pormenores foram esquecendo- como os que Helena Sacadura Cabral nos relembrou-havera alguém que nos faça uma especie de resumo da numeração romana?
E já agora sempre direi que hoje quando ouço, ou leio,muitos dos "eles" me parece que também não aprenderam outras "coisas" a começar no português.
Olhemos para o exemplo do PM, e não só, e pensemos que, segundo dizem,até deu aulas no ensino superior!

Joaquim de Freitas disse...

Tem razão, Senhor RuiMG : Trata-se do "soixante quinzième" , que corresponde ao "septuagésimo quinto" Português, ao septante-cinquième Suiço, Belga, etc. ! Que corresponde ao "setenta e cinco" da senhora minhota! Une belle pagaille ! Infelizmente, os jovens , um dia, dirão mais facilmente " seventy fifth" !
Cumprimentos

JS disse...

Á ilustração deste "post" é um assaz curioso mostrador de relógio, tem as 24 horas.

O Ponteiro dos minutos, o maior, dá uma volta por hora, o normal, 60 minutos.
O Ponteiro das horas, o menor, dá (só)uma volta por dia, indica especificamente as 24 horas, ... 11,12,13,14 ....

As 4 horas estão mal escritas: IIII em vez de IV.
As 14 horas estão bem escritas XIV.

Astronautas que vem o Sol nascer várias vezes por dia, espeleólogos e submarinistas que não vêm o Sol, necessitam de este tipo de mostrador de 24 horas.
Depois de uma soneca, fome às 9 horas é pequeno almoço.
Fome às 21 horas é jantar ...
Ps._ Sr. Embaixador, aonde encontrou esta gravura, ou o relógio?.