Há azares formais que se tornam ridículos. No "Expresso" de hoje, o ministro Pires de Lima e o ministro do Comércio e Investimento britânico, Lord Livingston, assinam um artigo conjunto. Num gesto de verdadeira saloiice, o artigo é assinado "Lord Livingston e Dr. Pires de Lima".
Imagina-se a cena entre os assessores da Horta Seca e o jornal: "Então põe-se o Lord ao inglês e não se coloca um título ao nosso ministro? Era o que faltava!". Não quero, contudo, acreditar que o ministro, se consultado, não tivesse preferido o simples "António Pires de Lima".
Terá Pires de Lima, ao conhecer o seu colega britânico, tido o rasgo de lhe perguntar, como Stanley fez no célebre encontro como David Livingstone, em 1891, junto ao largo Tanganica: "Dr. Livingston, I presume?". Terá ficado daí o "doutor"?
