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quarta-feira, abril 23, 2014

Discriminação

Ao tempo da ditadura, as proclamações anti-fascistas de feição mais radical conclamavam, muitas vezes, à revolta dos "soldados e marinheiros", tidos como "o povo em armas", aliados "objetivos" do proletariado. 

A chegada do 25 de abril não atenuou o tom dessas proclamações, antes pelo contrário. Muitos dos movimentos de extrema-esquerda ganharam, a partir dessa data, uma ainda maior visibilidade nos meios de comunicação social, nomeadamemente nos seus apelos ao fim da guerra, à recusa do embarque para as colónias e até à deserção. As paredes do país ecoaram também essas palavras de ordem.

Após outubro de 1974, trabalhei no Estado-Maior General das Forças Armadas, numa repartição que se dedicava à análise e acompanhamento da atividade dos diversos grupos políticos. Um dos nossos colaboradores, que tinha a seu cargo tarefas administrativas, era um cabo da Força Aérea, com menos de 20 anos. A ele lhe cabia arquivar toda a parafernália de comunicados que iam surgindo, depois de lidos e analisados.

Um dia, ao receber uma dessas proclamações radicais, em cujo título se apelava uma vez mais à revolta dos "soldados e marinheiros", o rapaz não se conteve e, numa afirmação de orgulho do ramo militar a que pertencia, perguntou-me:

-  Ó meu aspirante. Porque é que estes tipos só falam dos "soldados e marinheiros", do Exército e da Marinha? Porque é que nunca dizem nada sobre os "aviadores", sobre a Força Aérea? Também somos gente, não?!

Nem sei bem o que lhe respondi... 

Entrevista ao "Público"

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