19.4.14

Bouteflika

Em 1989, fui numa visita de trabalho à Argélia. Durante um jantar num hotel da capital, fiquei sentado ao lado de um diplomata de um importante país europeu, que era tido por excelente conhecedor da vida política local. Na conversa, veio a certa altura à baila o nome de Abdelaziz Bouteflika. Fora uma figura proeminente da política do país, destacara-se como ministro dos Negócios Estrangeiros e, de repente, saíra de cena. Eu seguira essa carreira e tinha alguma curiosidade sobre a sua situação, à época.

O meu interlocutor explicou-me que Bouteflika, depois do exílio a que fora forçado, regressara recentemente ao país, tinha perdido prestígio e era tido como uma "carta jogada", como uma figura do passado. Ficou-me na memória uma sua frase algo depreciativa: "coitado, anda por aí, desejoso de ser convidado pelas embaixadas". Fiquei impressionado, confesso.

Voltei à Argélia por duas vezes, nos anos 90. Em ambas as ocasiões, Bouteflika continuava numa certa obscuridade política. A avaliação do meu interlocutor de 1988 parecia confirmar-se.

Em 1999, Bouteflika foi eleito presidente da República. Ocupa o cargo há 15 e acaba de ser reeleito ontem por mais cinco anos. 

A análise política recomenda sempre grande prudência e moderação nos juízos. Em especial nos definitivos.

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