segunda-feira, setembro 09, 2013

O cano

"Estes tipos estão muito atrasados. Parece impossível! Não sabem colocar canalizações!"

Estávamos na Líbia, em 1976, numa artéria de Tripoli. Com o condutor local, viajávamos três portugueses, membros de uma missão técnica exploratória das possibilidades de negócio em matéria de construção civil e obras públicas.

(Para a história, diga-se que essa missão, decidida pelo então ministro nos Negócios estrangeiros, Medeiros Ferreira, iria abrir caminho a uma imensidão de rentáveis contratos nesse setor, para empresas portuguesas, nas décadas seguintes).

O autor da frase, um engenheiro civil português, que seguia ao lado do motorista, queixava-se de uma elevação, que atravessava toda a faixa viária, obrigando a viatura em que seguíamos a "subir" essa protuberância rodoviária, com algum incómodo para os passageiros e, naturalmente, obrigando a uma sensível redução da velocidade. Ele achava que era um cano...

Ao meu lado, no banco de trás, um homem da banca portuguesa, Mascarenhas de Almeida, deu-me uma cotovelada cúmplice e ambos contivemos, a custo, o riso. Mas nada dissémos.

Por essa altura, por esse mundo fora, apenas num número escasso de países fora já introduzido o método de colocar, nas ruas e estradas, em locais mais sensíveis, amortecedores de velocidade. A Líbia era um deles, mas o nosso engenheiro, embora "civil", aparentemente não conhecia ainda a novidade.

Passaram-se alguns minutos. O engenheiro deve entretanto ter constatado que mais "canalizações" iam aparecendo, ao longo dessas avenidas. E a certa altura, saiu-se com esta:

"Pensando bem, esta ideia de usar tubagens para reduzir a velocidade dos automóveis não é má de todo! Às tantas, era capaz de ser útil fazer isto em Portugal..."

Terá sido ele?

9 comentários:

  1. Anónimo00:18

    Sem comentários. Também.

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  2. Anónimo00:29

    Caro Francisco

    Mesmo sem lhe ter pedido previamente a sua autorização, permito-me deixar aqui um pedido: uma ou duas três coisas ao meu Amigo Patrício Branco.

    1) Deixaste de aparecer na nossa Travessa. Estás zangado comigo? Ofendi-te?;

    2) Deixaste de me enviar imeiles. Estás zangado comigo? Insultei-te?

    Fiarei muito satisfeito se voltares a comentar e a enviar mensagens. Obrigado.


    Caro Francisco

    Para si um outro muito obrigado.

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  3. Anónimo09:12

    Em muitas ruas e avendias de Portugal não é preciso colocar esse tipo de "amortecedores" porque o tempo ocupou-se de "construir" outros que "lombam para baixo"!
    José Barros

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  4. Anónimo09:32

    Tem de reconhecer que é uma “engenhosa” correção... Própria de quem acha que nunca se engana… e muito comum no nosso meio, quando se mete a pata na poça (neste caso no cano)… E, não seja mauzinho: obviamente que não foi ele!

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  5. Não é mais um blog… É um blog para vos fazer rir, com crónicas, coisas que vocês também passam no vosso dia-a-dia. Serve isto para divulgar e humildemente vos peço para me ajudarem a divulgar, por favor ajudem-me. Pode ser? Obrigado

    http://ocarteiravazia.blogspot.com/

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  6. Anónimo13:15

    Caro Embaixador,

    Tenho a certeza que se recorda do nome desses "canos" no Reino Unido: "sleeping policemen". Os seguidores do seu blogue, antes de se animarem com a ideia de por as rodas sobre policias adormecidos ou quejandos sera bom verificarem a origem etimologica - "sleeping" porque estao na posicao horizontal e "policemen" porque os condutores, em principio, poderao estar sujeitos a vigilancia e multa....

    Saudades de Londres

    F. Crabtree

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  7. Anónimo13:33

    Caríssimo FSC
    A despropósito de 'O cano' e se me for permitido, gostaria de seguir o exemplo do caro H. Antunes Ferreira e deixar uma mensagem para a caríssima sua 'prima'.

    Cara Isabel Seixas
    A nossa comum amiga, a 'velha senhora', mostra-se muito sentida (está mal habituada!...) com a sua falta de reação às rimalhices que lhe dirigiu e que o Autor do blogue deixou passar na entrada 'Piropos', de 1 de setembro:

    eu de azar a esmifrar
    quadra impar e do caraças
    e a pensar logo juntar
    sonetilho não reaças
    e a julgar e apostar
    que o autor lê e nada passa
    - e a isabel a olhar pró ar
    sem mostrar a sua graça
    isto a par de provocar
    com piropo ou ameaça
    meu penar de rimalhar

    bela helena em seu lugar
    vem loiraça me saudar

    …dar andar ao altar do bar
    meu bazar onde tomar
    pra tomar - hic - e tomar
    tomar ar porra e parar
    de me afogar neste mar
    de -ar

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  8. Cara amiga aqui do post quebra molas
    cá me venho redimir
    de me esquecer de visitar o post graçolas
    onde a saudade foi carpir

    Piropos e epitetos
    enchem o enquadramento atual
    em formato de curriculos
    batismo politico e sensual

    Deixo-lhe então no piropos post
    uma resposta agradecida
    versos que estimo que goste
    duma desgarrada meia pimba

    Não terei perdão pela indelicadeza
    mas com esta desculpa de serão de rimas
    agradeço a chamada de atenção com firmeza
    não esquecendo as suas aspas às primas...

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  9. Anónimo19:41

    Cara Isabel Seixas

    Além da resposta no, cito, "post graçolas" (Piropos, de 01.09.13), a 'velha senhora', confiando na generosa condescendência do caríssimo Autor do blogue, quer replicar também aqui no, re-cito, "post quebra molas":

    'prima' chamei porque à roda
    de um nome andais
    mas primas somos nós todas
    ou ainda mais

    brinquemos irmãs: isto vai
    de mal a pior
    país nosso à fossa cai
    irmãs que horror

    quem diz país diz o mundo
    ratos e gatos
    vai tudo co'a guerra ao fundo
    iliteratos

    de raiva me vos inundo
    chata entre os chatos
    em desespero profundo
    e em plagiatos

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