É um lugar comum mencionar, por estes dias, o trabalho magnífico e esforçado dos bombeiros portugueses. Já por aqui disse, um dia, que cresci numa cidade onde, não só admirávamos as duas corporações de bombeiros, como tomávamos partido por uma dentre elas, numa rivalidade feita de fascínio saudável. Sou, assim, insuspeito de indiferença face a essa atividade com forte dimensão cívica.
Porque digo isto? Para enquadrar melhor a ideia, que venho a alimentar nestas últimas semanas, de que muitos dos infortúnios que têm afetado os nossos bombeiros, com a ocorrência de várias vítimas mortais, pode também ser a consequência de algum amadorismo e, em especial, de falta de uma adequada preparação técnica. O modo como vários desses tristes acidentes ocorreram, pelos relatos ouvidos, pode apontar nesse sentido. Admito estar errado, mas, se assim for, gostava que alguém me explicasse, por exemplo, que tipo de formação orientada para operações em zonas de montanha, com declives e variações eólicas muito específicas, têm os bombeiros que foram deslocados de cidades do sul, como foi o caso dos integrantes das corporações das zonas urbanas na periferia de Lisboa.
Fico com a sensação que, por detrás da justificada emoção com que glorificam os bombeiros que faleceram, pode estar uma história mal contada. Acho que a memória dessas mortes merece a verdade.
