Seguidores

Se quiser ser informado sobre os novos textos publicados no blogue, coloque o seu email

sexta-feira, setembro 06, 2013

"A Internacional"

Na noite de quarta-feira, na comemoração das ainda escassas décadas de existência de um bom amigo, acabámos a cantar-lhe os "parabéns a você", com a música de "A Internacional". É uma prática pouco comum nas festas de aniversários, salvo quando a densidade daqueles que seguem pela faixa esquerda dos caminhos da vida é forte e maioritária. Como era, obviamente, o caso. De qualquer forma, a letra cantada era bem mais inóqua do que a da original "A Internacional" (e, à atenção de quem não saiba, há uma variedade de letras de "A Internacional" muito apreciável), tanto mais que não se registava a presença de quaisquer "vítimas da fome", o que também era assegurado pela participação no repasto do "papa" da crítica gastronómica portuguesa, José Quitério.

Lembrei-me então que um dia, num intervalo de um Conselho de Ministros de um dos dois governos de António Guterres, foi decidido comemorar o aniversário do primeiro-ministro, com bolo e as inevitáveis velas. Alguns (assumo que fui um deles) decidimos pôr os ministros e secretários de Estado a cantar-lhe as palavras do "parabéns a você" com a música inesquecível de Pierre de Geyter. Foi curioso ver as reações: alguns de nós arrancámos a cantoria com a energia de uma geração que um dia soube ao que ia, outros, mais ou menos embaraçados ou com um sentido das conveniências apurado, trauteavam baixinho, e, finalmente, alguém vindo do tempo "da outra senhora", cooptado pela democracia com generosa abertura, parecia não saber onde se meter, como o sorriso amarelo bem denunciava.

Mais a sério: "A Internacional" é uma canção que ficou ligada à memória comunista, mas cujo espírito progressista sempre foi muito para além desse terreno específico de acantonamento ideológico. Para muitas pessoas da minha geração (política), "A Internacional" foi uma bela arma contra a ditadura, um terreno comum onde muita gente que lutava pela democracia e pelas ideias da solidariedade e do progresso se encontrava, com alegria e entusiasmo. Para mim, "A Internacional" faz assim parte da minha melhor memória afetiva. E não tenho o menor receio de o afirmar.

Na " Visão"

A coluna semanal de José Carlos de Vasconcelos é dos textos que raramente falho na leitura da "Visão". O Zé Carlos escreve um ...