quarta-feira, março 07, 2012

Patrimónios

O que se aprende com uma nova afetação profissional!

Esta semana, passo alguns dias, em Portugal, em reuniões e contactos destinados a inventariar o argumentário português na defesa da qualidade de Património Mundial do Douro Vinhateiro, em face da construção de uma barragem no Tua, a preparar um projeto de candidatura de Portugal à inclusão na "dieta mediterrânica" e a atentar nos argumentos dos proponentes de classificação análoga do Cante Alentejano.

Uma das riquezas do mundo da diplomacia é a possibilidade de trabalhar uma diversidade de temáticas que podem ser utilizadas para sublinhar, no exterior, os interesses que o país entende dever proteger para alicerçar o seu prestígio.

21 comentários:

  1. "O que se aprende com uma nova afetação profissional!"In FSC

    Também se ensina e promove um bom diagnóstico de situação como observadorr atento que preza atingir objetivos inicialmente delineados a favor da causa.

    ResponderEliminar
  2. não percebo o nosso interesse na dieta mediterrânica se não somos geograficamente um país mediterrânico. é tentar pegar o comboio que está mais proximo. Porque não falar antes duma dieta atlantica se é o mar que temos e de que nos devemos orgulhar e vamos bem longe por esse mar adentro com as berlengas açores e madeira?
    claro que os alimentos são muitos os mesmos mas poderiamos com estudo imaginação e ciência tentar lançar a dieta atlantica onde outros e originais ingredientes do mar da terra e do ar se iriam acrescentar aos chamados do outro mar.

    ResponderEliminar
  3. Anónimo09:41

    Já agora, caro embaixador , porque não propor o nosso medronho algarvio a património da humanidade!!!

    Era uma ajuda que dava à reflorestação da serra algarvia com essa espécie autóctone de grande beleza e virtudes !

    Ogman

    ResponderEliminar
  4. Anónimo11:38

    Caro Patrício Branco, fiquei com a impressão que pouco ou nada conhece da gastronomia Mediterrânica, porque se assim fosse perceberia que a nossa cozinha é assente na trilogia: azeite, pão e vinho - que caracteriza a base da alimentação mediterrânica, entre outros. Mas refere e bem que não é a única pois com os descobrimentos e abertura para o Atlântico passamos a incluir o peixe na nossa alimentação. Se está habituado como qualquer bom português a consumir peixe verá na sua confecção ingredientes como o pimento, tomate, ervas aromáticas, citrinos, azeitonas entre outros que constituem e se classificam como alimentos de base mediterrânica.

    Respeitosamente,

    Monica M

    ResponderEliminar
  5. Anónimo11:43

    Caro Patrício Branco,

    Isso é como dizer que o Chipre não é um país europeu porque está, geograficamente, na... Ásia :)

    Temos flora e fauna mediterrânicas, clima mediterrânico, tradições, hábitos e costumes mediterrânicos e é por isso que nos sentimos em casa quando andamos pelo sul da Europa.

    (aqui, falo sobretudo como lisboeta)

    ResponderEliminar
  6. Também era bom que a nossa árvore nacional, o sobreiro, fosse mais alvo de atenções. Os nossos montados estão a correr o risco de o deixarem de ser.

    ResponderEliminar
  7. Anónimo15:12

    E é claro que os argumentos a favor de um Douro livre de especulação energética, com qualidade de vida para os que nele vivem e com qualidade paisagística para os que vivem não vencerão contra os argumentos financeiros. Mais depressa um camelo passa pelo buraco da agulha, do que a construção a barragem do Tua cessará. E é assim que os "nossos" políticos pensam a "longo" prazo: um país em declínio demográfico, um interior sem condições básicas, tais como saneamento ou água potável para todos, mas com macro-hídricas, torres de alta tensão, tudo cumulado por projectos de arquitectura pintados a cores berrantes. Emigrar? Emigrar é pouco.

    ResponderEliminar
  8. Anónimo17:54

    Patrício Branco disse... A comida nas ilhas não é bem o que por cá se vê. Nos Açores, por ex. há uma variedade de coisas muito diferentes e boas. No Pico a carne feita na panela em lume brando é de gritos. E o arroz de lapas? E o polvo com vinagre? E as lapas do Porto Santo na ponta da Calheta?! E os bifes de atum na Madeira! E as serralhas que em tempos só se comiam em tempos de fome, e que agora estão nos pratos dos melhores hotéis. As serralhas são a "rúcula", que está ao preço do ouro, que durante anos só se dava aos coelhos, para esquecer os dias em que "a fome era negra..." Um dia destes coloco aqui a receita do milho frito com a nossa "espadinha-preta"; o que em português erudito significa o peixe espada-preto.

    ResponderEliminar
  9. Patricio Branco...leia "Portugal : o Mediterrâneo e o Atlântico" de Orlando Ribeiro e vera se somos ou nao somos um pais mediterrânico...nem so dos recortes da geografia vive o homem : )

    Orlando Ribeiro defendia que “Portugal não se podia compreender fora do seu "quadro mediterrânico".

    Até na polifonia do Cante somos mediterrânicos ; )

    ResponderEliminar
  10. Sr. Embaixador,
    proponha o máximo das nossas coisas a Património Mundial

    agora que os orçamentos de parques, museus, florestas,bombeiros, e afins, estão a ficar cada vez mais reduzidos, quem é que nos vai valer?

    Angela

    ResponderEliminar
  11. Anónimo20:16

    Ora aí está uma espirituosa e aromática proposta de Ogman, que ratifico integralmente.

    Guilherme.

    ResponderEliminar
  12. o Douro vinhateiro sem chuva?

    é que regar naquelas fragas deve ser difícil

    se calhar era melhor que lhes chamassem só Douro

    parece-me que vai ter mais futuro...

    ou vão importar Thai's para acartar iágua?

    é que pôr bombas a tirar àgua de poços de xisto...é capaz de não durar muito

    ao preço do gasoil

    ResponderEliminar
  13. e isso do Orlando Ribeiro (e dos seus descendentes ainda vivos na FLUL) do Mediterrâneo e da dieta

    quando a maior parte do país é de feição e clima (era) atlântico

    basta ver o seu painço e milhetes e broa no norte e nordeste
    só o azeite é comum

    e com 4 milhões a mcdon's e 3 milhões a piza e dr.oekters e a bife hamburgado
    dieta mediterrânea só se for em croissants und café...

    tomate (américa do sud) batata idem logo essa dieta mediterrânica deve ter chegado tardia

    ResponderEliminar
  14. e o gaijo do medronho all garvio de monchique ou do da serra arrábica...que os regue bem as colmeias já têm mortalidade acrescida nos matos nem flor que se veja..

    o medronho vai arder bem em Março...se calhar vai arder até Outubro sem paragens

    ResponderEliminar
  15. Senhor Embaixador
    É quase o mesmo que se aprende com uma nova afectação familiar. Mas a minha vem de afecto...

    ResponderEliminar
  16. Anónimo08:27

    Quanto ao património já se viu que não é com missões, regiões de turismo, ligas de amigos etc., que se vai lá!
    Servem para o que está à vista…
    Acho que sabemos como fazer, só que quando alguém coloca as soluções que devem ser aplicadas, deixa de ser “convidado” para os próximos encontros…

    ResponderEliminar
  17. pegando num comentario, arroz de lapas e lapas grelhadas,
    bifes de atum fritos em cebolada, atum de escabeche, carne de porco em vinha de alhos, filetes de espada (negro) com milho frito ou em tomatada, bodião, cavacos, espetada de louro, carne dos açores, cozido de preferencia das furnas, pimento vermelho em abundancia,serralha, sopa de chicharos, castanhas do curral das freiras, pão de batata, semilha, batata doce de diferentes variedades, espinafres da madeira, pitangas, sopa de trigo, 18 variedades de abacate, queijos dos açores, poncha, vinhos da madeira e pico, trutas do ribeiro frio, etc.
    claro que temos um clima mediterranico, aprende se logo na escola. e temos e usamos produtos alimentares chamados "mediterranicos". claro que usamos um pouco de azeite embora se usem muito mais margarinas e outros óleos alimentares.
    Geograficamente no entanto não somos um país da bacia do mediterraneo mas temos felizmente a mais valia forte do atlantico que poderiamos aproveitar, explorar. Não lhe vamos virar as costas e espreitar só para o mar do vizinho.

    ResponderEliminar
  18. Anónimo21:13

    Já agora, proponha à Unesco que a antiga Atlântida deixou vestigios em Besafrim, Lagos.
    A escrita mais antiga descoberta na Europa aconteceu em Bensafrim, LAgos.Dizem que pertence à civilização desaparecida +-5000 DC designada por Atlântida que compreendia uma vasta área que hoje está submersa algures no Oceano !

    Caro Embaixador , já viu o trabalho que lhe aranjaram para a pré reforma !!!

    O melhor é arranjar alguém jovem para seguir o seu trabalho senão vai tudo para os arquivos , digo eu !
    Ogman

    ResponderEliminar
  19. Anónimo22:58

    Posso deduzir que vai ser o Sr. a branquear o crime que está a ser cometido no Tua?

    ResponderEliminar
  20. Caro Anónimo das 23:58: pode deduzir que serei o interlocutor diplomático da UNESCO, em nome do Estado português, para tentar compatibilizar a construção de uma barragem no Tua, cuidando dos impactes ambientais e paisagísticos, com a preservação da atribuição ao "Douro Vinhateiro" do seu estatuto de Património Cultural da Humanidade.

    ResponderEliminar
  21. Anónimo01:18

    Yes minister no seu melhor

    ResponderEliminar

Um livro e uma mesa (28)

O livro de hoje é " A Fazedora de Reis - a vida de sedução, intriga e poder de Pamela Churchill Harriman ", de Sonia Purnell , uma...