Conversa ouvida, na manhã de hoje, num multibanco de Vila Real:
- Então, estás a levantar paínço?
- Não, pá! Estou a pagar o IMI.
- E que tal? Foi uma conta calada?
- Foi. Gasparam-me mais de 300 euros.
Chegado a casa, esmagado pela minha ignorância lexical, fui logo ao dicionário. Nada! Razão tem o Dr. Graça Moura: não há um vocabulário atualizado da língua portuguesa, que conte já com a imparável criatividade lusitana, nestes tempos de troika.

Sr. Embaixador Francisco Seixas da Costa, Este comentário que se ouviu e que seria a levantar painço, esta frase muito usada no norte, que se não mudou é milho mal moído e com isso se fazia o painsço, mas Gasparem os 3oo euros essa é com certa graça.
ResponderEliminarUm abraço
Joaquim Pinto
Mas já temos o Alvarinho...
ResponderEliminarDa qualidade da safra é que não sei!
Esqueci-me! Painço dava eu de comer aos meus canários, em pequena.
ResponderEliminarAgora, que já sou grande, dou aos pardais...
melhor que um ao seria o reconhecimento de novas palavras, bem como de regionalismos e jargão que entraram na normal comunicação linguística, vocábulos novos que são usados e deviam ser registados nas novas edições de dicionários e léxicos.
ResponderEliminarse vamos ao vocabulário atualizado (atualizado?) não encontramos lá muitas palavras de uso comum como aconteceu no episódio relatado.
Parece-me que, como qualquer novidade, o AO será como a COCA-COLA…
ResponderEliminarComo UMA PESSOA disse, a princípio estranha-se…
Só que há carapaças onde entranhar não é fácil… mas, na maior parte das novidades, o prejuízo é de quem está dentro dessas carapaças…
Todos temos carapaças… mas muito seletivas… há coisas que estão fora de questão…
Agora, nunca ter provado, por opção,: vinho, um arroz de cabidela ou uma lampreia à bordalesa, é qualquer coisa que não me entranha…
É só um pequeno "piscar de olho" a uma comentadora assídua deste blog que do outro lado do atlantico tentará também procurar o sentido da palavra...
ResponderEliminarO verbo "gaspar" dinheiro aos contribuintes terá sido introduzido recentemente no vocabulário mas não terá entrada no dicionário.
Sem ofensa para o nosso ministro das finanças, começo também a sentir uma maior "gaspeirada" na fiscalização dos parcos bens que tenho em Portugal !
"gaspar" como verbo com o novo sentido de cobrar-nos demasiado e pagar-nos menos não está nada mal, apropriado o comentário.
ResponderEliminar"O GRADE FOI A ATUPIR NOS REGOS DAS TANARIFAS". Tudo isto existe no sistema da língua portuguesa e até vem no Aurélio. Se o objectivo de qualquer linguagem é o entendimento entre dois seres, na língua portuguesa só é necessário que se estabeleça a comunicação entre os falantes e que se entendam até um esclarecimento cabal entre eles. Assim, como a frase é a estrutura base para a identificação de uma língua passo a dar os sinónimos correspondentes ao enunciado que escolhi para que nos sintamos mais enriquecidos. O grade=cão;atupir=enterrar;regos=poios de terra; tanarifa=abóbora tenra traziza de Tenerife - nos primórdios da colonização da Madeira -, ilha já conhecida nas idas e vindas das cidades conquistadas no Norte de África. Cá por mim estou muito bem com a norma padrão, que já nos impõe modelos; mais as regionais, a gíria e o calão que se encarregam de acrescentar mais modalidades, a um sistema tão bem implantado no mundo, que não precisa de leis ou decretos. Coisas de quem tinha pouco que fazer; porquanto estas trabalheiras aumentam quando os nossos intelectuais ou quadros de eleite não têm mais actividade agrícula e industrial para gastarem o tempo e o físico... Falta trabalho em áreas que preencheram tudo e todos nos 50 anos após a Grande Guerra, sobra o acordo linguístico como se isso fosse tapar as faltas que tivemos com o tratamento a dar aos brasileiros quando tiveram de imigrar para Portugal. Será o medo de que nos tratem mal quando agora temos que emigrar de novo para lá? Há que ser confiante, porque eles gostam tanto de Fernando Pessoa como nós... a pátria" é a mesma.
ResponderEliminarCom o forrobodó anterior de, gastar, gastar, gastar, não tínhamos outra alternativa senão gaspar, gaspar, gaspar…
ResponderEliminarBrincadeiras lexicais em que somos pródigos, portugas cheios de invenção e de vontade de tornear os obstáculos com um rico anedotário. Duvido que continuemos tão imaginativos depois de recebermos a conta do IMI deste ano de 2012, que com as novas avaliações dos imóveis prometem fazer-nos voltar aos tempos dos piratas do mar, que chegavam e levavam tudo quanto queriam. É a lei da selva, por via marítima ou terrestre, com disfarces gasparíticos ou alvarinhos, tanto faz!
ResponderEliminarInvejável é a vontade indomável de pesquisa para clarificar dúvidas...
ResponderEliminarAgora pensando bem fui invadida por um pensamento peregrino, isto de ouvir conversas, sei que é em público mas há algo de perversão ética aliciante atribuido às vezes ao género feminino esta capacidade de captação, sim senhor...
ResponderEliminarÉ só um sindrome de saudade da minha amiga velha senhora, espero que não esteja com gripe...
o aurelio (referido por um comentador) é um grande dicionário, registava tudo, há mais de 40 anos encontrei no pequeno aurelio regionalismos alentejanos (ganhão, p ex)beirões e algarvios, com o significado preciso e a indicação do lugar onde se usavam
ResponderEliminaralvarinho (hsc) lembra me o adjectivo alvar, sorriso alvar p ex.
ResponderEliminarERA UMA VEZ
ResponderEliminarPensando bem...GASPACHO pode passar a significar "mais um imposto", porque que sempre que Gaspar "acha"...
Cara Isabel Seixas
ResponderEliminarPassei por aqui, li e transmiti (a rimalhice pega-se?) à velha Senhora, que ficou sensibilizada com as suas saudade e preocupação:
muito obrigada
plo seu cuidado
boa isabel
muito espalhada
a gripalhada
ai deus louvado
foi-me infiel
mas ocuparam-me
engripalhados
doentes meus
uns despacharam-se
outros curaram-se
desta escapados
benza-os um deus
os despachados
já não os gaspa
gaspar borracho
o gaspar que acha
acha e despacha
tudo nos raspa
co'os seus gaspachos (*)
(*) roubado a ERA UMA VEZ