sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Redes sociais

Já por aqui se falou algumas vezes dos "blogues da política" que por aí andam. Com o Facebook e o Twitter, os blogues representaram, nos últimos anos, um importante espaço de combate político. Mas se já existia a perceção impressionista de que esse conjunto de instrumentos de intervenção vivia subordinado a estratégias bem delineadas, a entrevista dada por Fernando Moreira de Sá, à revista "Visão" desta semana, é um modelo de revelação sobre o modo como o "vale tudo" se instalou, desde há muito, nas redes sociais, somado à montagem de operações para falsificar a genuinidade de foruns radiofónicos e, presumivelmente, de programas televisivos com a "espontânea" intervenção telefónica do público.

Mas não se tratará tudo isso de um mero conjunto de suposições? Não. Fernando Moreira de Sá, ao mesmo tempo que desmonta o aparelho articulado pelo governo anterior em seu suporte, conta, com nomes à evidência, a rede criada em torno da campanha para a ascensão dos atuais titulares do poder político. Com uma autenticidade que deriva do facto de ele próprio ter sido parte dessa operação.

Esta é uma entrevista a não perder! O leitor nunca mais olhará para certos blogues da mesma maneira.

Em tempo: nas últimas horas, pessoas que respeito dizem-me que há exageros e inferências que não podem ser provados, no que foi dito na entrevista. Confesso que, tratando-se de um trabalho académico e tendo o autor (que não conheço) explicado sem aparente remorso que ele próprio cooperou na suposta "operação", o texto pareceu-me credível. Mas não me custa admitir que possa estar enganado. Esperemos, assim, pela decisão da Justiça, porque, se acaso alguém foi difamado ou caluniado, esse é naturalmente o único terreno legítimo para arrumar a questão.

15 comentários:

Anónimo disse...

"...ao mesmo tempo que desmonta o aparelho articulado pelo governo anterior..."
Desmonta? Não creio...

Anónimo disse...

E nós, quais títeres inocentes e ingénuos, a sermos manobrados por toda essa gente pouco escrupulosa.
Quantos anos levará este país a ver-se livre do estado de degradação moral e ética que ao longo das últimas décadas aqui se foi instalando na vida política e económica, perante a passividade ou conivência dos sucessivos responsáveis que nos têm (des)governado?

Anónimo disse...

Concordo consigo !

Começou com a subida ao poder de Pinto de Sousa onde a cenral de informações orientada sabemos bem por quem, e tendo como blog referência o Câmara Corporativa e Jugular.

Do outro lado, sob a orientação do equivalente lugar-tenente de Passos, fizeream a mesma "guerra"!

Assim está a "democracia" virtual que os farsantes-jotas, criaram.


Alexandre

Anónimo disse...

Já agora, se interessar, além do artigo da "Visão" (que tmbém li), Veja o post do blog "Estado Sentido",Portugueses a regressar"


Alexandre

ARD disse...

Acho estranho que se fale desta entrevista sem abordar os aspectos deontológicos e morais envolvidos.
Afinal, trata-se de "propaganda negra", de fraude intelectual (criação de "perfis" falsos"), muito provavelmente de difusão de calúnias e falsidades. Se não houver matéria penal - e eu julgo que há - há, pelo menos, baixeza moral.
Tratar este assunto só "tecnicamente", do ponto de vista da "eficiência" e dos "resultados", dando de barato os métodos, é cinismo de pacotilha e provincianismo a tomar-se por sofisticação.
E a cereja em cima do bolo é o tom "não sejam ingénuos e totós, todos fazem o mesmo".
Porque, se isso for verdade, então estão bem uns para os outros: são todos infrequentáveis.

Anónimo disse...

Pois seria a altura ideal para apontar o dedo, dizer nomes, sustentar as afirmações. Ou então, isto é uma banalidade que deveria ser evitada com o silêncio.

Anónimo disse...

"Fernando Moreira de Sá, uma nulidade ambulante a quem, como a tantas outras excrescências de uma democracia sufragada a dez tostões o voto, foram dados os seus dois ou três anos de chulice, arroga-se a repugnante prerrogativa de reescrever a actualidade." Frase retirada do Blogue "Estado Sentido", que diz tudo sobre o haverá a dizer quer sobre o dito Moreira, quer sobre esta sua entrevista à Visão.
R.



Defreitas disse...

O impacto dos media sociais como Facebook, Twitter, Bing e outros é tal hoje que se confundem frequentemente com a evolução da sociedade . Mesmo o SnapShot que começa a chegar !
Qual será o mundo de amanhã ao nível do trabalho, da economia, dos lazeres, da vida privada, das relações de uns com os outros incluindo a nível sexual, os valores desta sociedade, etc, quando as gerações vindouras conhecerão estes media desde a escola primària ( e não como eu, a partir dos 40 anos !) como é o caso já nalguns países.
Tenho a convicção que estes média actuais serão ultrapassados, ao mesmo título que o correio electrónico, que o telefone, o telégrafo, que entretanto acabaram por se transformar em utensílios comuns, suportes doutros utensílios que virão no futuro, os quais criarão novos problemas cruciais.
A próxima revolução será a dos objectos conectados. E o reconhecimento vocal na Internet. O principal problema se se quizer criar uma legislação para pôr um pouco de ordem nos "réseaux" sociais, é que ela é possível na Internet, mas impossível no Facebook, Twitter etc.

Anónimo disse...

Vale a pena ver o desespero da blogolândia da direita para se perceber a mossa que esta entrevista fez. Destaparam-lhes a careca e estão raivosos. No Estado Sentido há mesmo um que se passou de todo.

patricio branco disse...

util ter lido e verifico com satisfação que não frequento (nem nunca) nenhum desses blogues estrategicos de apoio citados, optimo, higiene mental etc
mas afinal, nestes tempos qq grupo politico tem de utilizar os meios actuais que existem para espalhar a mensagem, promover figuras, partidos, ideologias, candidatos, etc

ARD disse...

Se o pequeno aprendiz de Goebbels, além de outras infâmias, também denigre amigos, então estamos conversados.
E, se alguma instituição académica lhe atribuir um grau perante o vómito que ele descreve, então merece o Crato que tem.

Jorge Carvalheira disse...

Cá estão as esfregonas de serviço em acção!
O melhor modo de esvaziar este abcesso putrefacto é desqualificar o garganta funda, e misturar ao escândalo "a central de informações do Pinto de Sousa, orientada sabermos bem por quem".
Mas provar ou sustentar seja o que for... ZERO!

Anónimo disse...

Todos sabemos que foi montada uma gigantesca campanha de desinformação na última legislatura do Sócrates. Não havia dia em que o Correio da Manhã não anunciasse uma qualquer suposta burla do primeiro-ministro; em que figuras proeminentes da televisão não acusassem o Sócrates de uma qualquer manobra de silenciamento. Nessa altura o PS estava encurralado entre os professores da CGTP e os donos de colégios privados. O Presidente da República clamava pela indignação e ouvia os "Deolinda". Jornalistas de diários reputados inventavam notícias a seu bel prazer (e estão muito bem nos dias de hoje, graças a Deus). Tudo isto custava dinheiro ou favores a crédito. Quem financiou? Reduzir todo esse fenómeno a uma questão de redes sociais e a meia dúzia de energúmenos é "tapar o sol com a peneira". Houve uma oportunidade única de regredir 50 anos, imperdível para alguns, certamente poderosos, neste pedacinho de Europa. Ainda há dias, aquando do regresso do Sócrates à televisão, o Correio da manhã noticiou o achado de milhares de cheques da sua família num qualquer ermo do Alentejo.
Este tipo de estratégia não é nova. Mas com esta intensidade nunca se vira antes. Nem com a vergonha do caso Casa Pia, dos e-mails a difamarem o Eng. António Guterres e de outras situações anómalas acontecidas na viragem do milénio (a guerra do Iraque deve ter tido as suas contrapartidas, ao contrário de outros contratos bélicos).
Sobre a comunicação social em Portugal, basta ver quem manda nos jornais privados para perceber como nos tornamos marionetas ao serviço de interesses obscuros. Sobre a RTP, é curioso que, no tempo de Sócrates, praticamente todos os diretores nomeados pelo Durão se mantiveram no cargo, pelo menos os mais poderosos.
O interesse das redes sociais reside precisamente aqui: é a única forma de acedermos a múltiplas visões do mundo, triando criticamente o que se nos depara, sem corrermos o risco de pensarmos que devemos ser pobres e remediados, simplesmente porque nos dizem que somos medíocres e preguiçosos.

Carlos Fonseca disse...

Aposto singelo contra dobrado que não haverá nenhuma queixa por difamação contra Moreira de Sá, o delator da "coisa".

Não é que ele nos tenha dado grandes novidades. Aliás, deixou muita gente de fora (a maior parte da secção laranja do Diário de Noticias, por exemplo).

O que acho estranho é o despudor com que ele se põe a nu. Além de despir terceiros na praça pública.

O que terá acontecido? Não lhe deram acesso ao pote, com um lugarzinho de assessor, de especialista, ou mesmo de administrador de um banco?

Esses esquecimentos pagam-se sempre, mais tarde ou mais cedo.

O pior (para todos eles) é que ao atirar matéria orgânica particularmente mal cheirosa para a ventoinha, deixou-os a todos num estado lastimável.

Anónimo disse...

Pois... os esquecimentos dao nisto, sobretudo se quem participa tem a expectativa de obter algum beneficio! Mas isso nao deve desviar-nos do essencial: foram identificados métodos, meios e identidades. E de duas uma: ou há processos demonstrativos da ignominia ou cada um pensa o que quiser porque nisto da honra sou dos que pensa: quem nao se sente nao é filho de boa gente. Nao tem o Fernando razão? E esta noticia deve ser interpretada como? http://expresso.sapo.pt/francisco-almeida-leite-administrador-da-sofid-com-limitacoes=f842247