quarta-feira, 20 de março de 2013

Cultura geral

Anda por aí forte polémica sobre a prova de "cultura geral" com que se iniciou o novo concurso para a admissão de diplomatas no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Não conheço o regulamento do concurso e, confesso, não tenho uma opinião formada sobre se o modelo de prova para aferir tais conhecimentos gerais é adequado ou não.

Uma coisa quero dizer, desde já: entendo que qualquer diplomata português deve ter conhecimentos de natureza cultural que excedam a história diplomática e relações internacionais, o direito internacional ou a economia política. E que o essencial desses conhecimentos tem de ser demonstrado nas provas de entrada. E que deve ser excluído, liminarmente, quem não seja suficientemente culto. Se a prova adequada é a que foi apresentada ou se há outros melhores melhores para fazer essa avaliação, isso é já uma outra questão.

Quando, em tempos idos, fiz parte do júri destes concursos, havia lugar a uma prova, de cerca de 20 minutos, durante a qual três membros desse júri tinham uma conversa com cada candidato, com um período de conversa em francês ou inglês. Posso estar enganado, mas tive sempre a ideia de que era relativamente fácil, através desse diálogo, constatar se o candidato era razoavelmente culto e se sabia expressar e articular ideias em moldes adequados. Não tenho a menor dúvida de que, no final dessa conversa, nós percebíamos se o candidato não tinha condições para fazer parte da carreira. Por vezes, alguns que deixámos ir em frente vieram a revelar-se maus funcionários, porque a prova que haviam feito nos iludiu ou porque não tinham outras qualificações, algumas das quais só o tempo permite ajuizar. Tenho a consciência muito tranquila: sem exceção, todos os que ajudei a "chumbar" não tinham qualidades mínimas para entrarem no número de vagas que nos competia preencher. Alguns foram admitidos noutros concursos posteriores, ou porque melhoraram, ou porque o nível médio dos candidatos baixou ou porque os critérios do novo júri variaram.

Não posso admitir que entre para os quadros do MNE alguém que, num diálogo com um interlocutor estrangeiro, não consiga manter uma conversa com substância cultural, que, por exemplo, não conheça um mínimo de literatura portuguesa, que não tenha referências sobre pintores, arquitetos, cineastas, etc, que não tenha uma ideia dos grandes tempos da nossa História, que não conheça aqueles que ajudaram a construir a nossa identidade nacional, por esse mundo fora. Quando fiz parte dos examinadores desses concursos (e também já examinei colegas noutros momentos avançados da carreira, sob critérios diversos), não foi uma nem duas vezes em que, ao citarem autores contemporâneos, os candidatos, perguntados sobre o que tinham efetivamente lido desses autores, esclareciam: "ler, ler, não li!". E alguns deles acabaram por "passar", porque, não obstante não terem lido esses autores, mostraram ter suficiente informação sobre eles.

É para mim indiscutível que quem tem a pretensão de vir a representar Portugal pelo mundo deve possuir uma razoável cultura geral, bem para além das temáticas técnicas da profissão. Resta saber se é através de testes "americanos", e especificamente dos que foram aplicados, que isso se avalia.  

Deixo aqui uma nota que, no passado, escrevi sobre este assunto. 

36 comentários:

Anónimo disse...

ja agora tambem aplica-la a ministros...

Anónimo disse...

Cultura geral.

Compreendo que qualquer diplomata deva ter substância nos seus diálogos e perceber o mundo em que vive.

No entanto, sujeitar os examinandos a uma prova de cultura geral representa um verdadeiro perigo. Já me faço explicar.

Essencialmente, a questão centra-se no âmbito de aplicação.

O que se entende por cultura geral?

"Questões de história, geografia, arte, política internacional".

Mas Que história? História da linhagem dos reis portugueses ou de coroas vizinhas que também a disputaram? história da época moderna e da época contemporânea? história mundial do século XX? história dos descobrimentos? história do século XVIII?

Que geografia? Que temas de arte? Que tópicos de política internacional?

Ter a pretensão de tudo saber ou de que tudo se pode sabere é manifestamente irrazoável. Ou pior, a crença dogmática de que umas meras questões isoladas indicam se o candidato é culto ou inculto. Por mais cultos que sejamos, nem todos nós temos iguais saberes em todas as áreas. Testar um pouco de tudo é o mesmo que testar coisa nenhuma.

Indicar temas genéricos de avaliação que, pela sua própria natureza, comportam um forte grau de indeterminação põem em causa a confiança dos examinandos na prova: os examinandos têm de poder contar com programas concretos de forma a se poderem preparar de forma séria.

No entanto, parece-me que inquirir os examinandos sobre o que é um cefalópode tem o mesmo sentido de oportunidade que a proposta de taxar depósitos bancários em Chipre.

Para mim o modo correto de aferir a cultura geral de um candidato é numa prova escrita em que o candidato é levado a comentar dois ou três temas marcantes da atualidade internacional e portuguesa.

E aqui se testa se os candidatos lêem jornais de forma regular, se estão preocupados com os acontecimentos nacionais e mundiais, se procuram perceber os anseios dos portugueses cá dentro e por esse mundo fora nas diversas comunidades portuguesas.

Saber que D. Filipa de Vilhena armou os seus filhos cavaleiros é um dado, mas não será mais importante que um diplomata perceba que a história do nosso país é marcado pela diáspora, por um povo que sofre (veja-se o pranto fadista, a nostalgia)e que procura o seu sustento noutras paragens?

Corremos o risco de perder talentosos diplomatas se pensarmos que as qualidades essenciais dum diplomata passam pelo conhecimento de que Bento XIV concedeu a D João V o título de Majestade Fidelíssima! Haja bom senso!

Estou mais preocupado que um diplomata português saiba quando foram as 1ªas eleições livres portuguesas, quem são os Chefes de Estado e de Governo atuais, quando Portugal entrou na CEE, e saber pelo menos a independência de Portugal formal se deu em 1143 com a monarquia, o país só se tornou uma república em 1910.

Uma prova de cultura geral deve permitir liberdade ao próprio candidato de comentar. Por aqui se vê, mais dos que os seus conhecimentos, a sua capacidade de articulação de conhecimentos e reflexão.

Cumprimentos
Mar ptg

Anónimo disse...

Tudo muito certo, ainda que bastante óbvio.

No entanto a questão resume-se ao velho apotegma segundo o qual "quando factos não comprovam a teoria, modifiquem-se os factos".

Questões como o que é um guelfo; um prognata; a lei sálica; que "como é diferente é o amor em Portugal" é uma tirada de uma peça do Júlio Dantas (esse mesmo que foi posto a ridículo por Almada-Negreiros); que Descartes não tem ascendência portuguesa (enquanto que Espinoza, Valásquez e Ribeiro Sanches obviamente todos têm!); que Julie é uma importante obra literária de Rousseau (tão importante que a resposta apenas é acessível num obscuro site de edições completas do filósofo, não constando a mesma em nenhuma enciclopédia) e quem foi o mestre da Lourinhã, entre outras formas requintadas de averiguar as falhas do nosso processo sináptico (outra pergunta superabundantemente inteligente colocada à consideração dos ignaros pelos omniscientes feitores deste simulacro de exame ) - tudo questões que, dada a sua flagrante aleatoriedade e desadequação, iluminam muito mais o espírito quem realizou a prova do que a cultura geral dos candidatos.

Quando os bárbaros invadiram Roma, clamaram "o que não compreendes, destrói!"

O MNE, vendo-se invadido por bárbaros, clamou apenas "destrói!"

Rubi disse...

Tem razão senhor embaixador. É uma pena que a mesma exigência não seja feita a quem nos governa, e não estou só a pensar nos que tiram licenciaturas num mês, enquanto outros andam a comer 'relva' vários anos.
Ouvi há uns anos uma conferência de imprensa do ex-PM Sócrates, com o ex-PM Gordon Brown, e fiquei desiludida com o nível de inglês de Sócrates, para além de ter chamado a Gordon Brown primeiro-ministro 'inglês' várias vezes... Claro que para o cidadão comum pode parecer irrelevante. Mas para os Galeses, Escoceses e Irlandeses (do norte)é de extrema importância.

Anónimo disse...

Ah! Se pelo menos no MNE fossem todos cultos! E se a cultura geral elevasse o estado das coisas... Mas às vezes vemos, ouvimos e lemos... Vemos, ouvimos e lemos cada uma!
José Barros

António disse...

Fiz a prova, acertei em muitas das questões e falhei outras tantas...
Não creio ter sido uma prova assim tão descabida. Cada candidato ter-se-á sentido mais à vontade com um ou outro grupo de temas. No entanto, se a prova estivesse focada num área específica (i.e., as relações internacionais e todos os assuntos que estas comportam), não seria uma prova de cultura geral.
Julgo que o objectivo desta prova será testar os conhecimentos que não se aprendem ao longo de um percurso académico, e que assim reflectem mais a "cultura geral" do candidato, aquilo que o candidato leu sem ter sido obrigado, aquilo por que se interessa e que conhece, por oposto àquilo que decorou, àquilo que "marrou" nos bancos da escola.
Posto isto, acredito que não foi uma prova exageradamente difícil para quem aspira tornar-se diplomata. Afinal, sempre eram exigidas 'apenas' 63 respostas correctas em 90, ninguém pode saber tudo sobre tudo. E quem diz diplomata, pode dizer qualquer outra profissão que exija uma boa cultura geral. Para os conhecimentos específicos de relações internacionais, há a prova de conhecimentos, que continua a fazer parte do concurso.

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,

Espero bem que dessa prova façam parte algumas questões ditas de cultura científica - ignorar do que realmente se trata quando se fala de energia nuclear, de alterações climáticas, ou de missões tripuladas a Marte, é tão grave quanto não ter lido Eça ou Cervantes.

DL

David de Jesus disse...

Parece-me que há por aqui um problema de cultura linguística, cultura geral é por definição... geral.Não é "cultura das coisas que eu sei", "cultura da minha área de formação", "cultura da actualidade", "cultura daquilo que eu pensava que ia sair". Nem cultura sobre assuntos ligados à prática diplomática, para isso existirão testes subsequentes. Pode-se não gostar de testes de escolha múltipla, questionar o modo como o teste se processou, agora reclamar porque as perguntas incidiram sobre uma generalidade de temáticas...

Anónimo disse...

Um Post que só desejo seja lido pelos putativos candidatos.
Não podia estar mais de acordo.
Todavia, não deixam de ser pertinente alguns comentários aqui colocados, a propósito de quem nos vem governando (antes e agora). “Ouvistes”, “ambas a três estações televisivas”, etc, dariam para chumbar um candidato a diplomata– liminarmente. Mas, já é indiferente para se chegar e continuar Ministro!
Por fim, ao que ouvi deste concurso, teriam sido “introduzidos” os “créditos” nas suas qualificações profissionais, para aqueles que queiram concorrer. A ser assim, é mau. Ainda um dia destes acaba aprovado alguém com o perfil semelhante a Miguel Relvas.
Uma observação lateral: o nível cultural de muitos dos nossos actuais colegas, sobretudo das gerações entre os 30-45, já baixou, igualmente. Basta ouvi-los e falar com eles.
Bom Post!
a)Rilvas

Anónimo disse...

Caros paladinos da generalidade da cultura da generalidade:

Sois umas almas metafísicas e vastas, tão metafísicas e tão vastas que certamente tudo sabeis acerca da escola do cinismo, da disputa das curilas, do estilo chão e do último faraó do egipto.

É curioso notar como todos estes gárrulos soldados da cultura de trivial pursuit que conheço pessoalmente são aqueles que mais liminarmente tombariam neste massacre dos guelfos.

Isto não é coincidência: quem não sabe nada, pensa que todo o conhecimento é válido por igual e logo, que todo o tipo de perguntas, desde que "não venham nos livros da escola",são igualmente "aceitáveis".

Q.E.D: quanto mais se sabe de literatura, mais se percebe a comicidade involuntária (?) de colocar questões acerca de uma tirada de uma peça de Júlio Dantas, ou de uma famosa obra literária de Rousseau(desconhecida o suficiente para não constar de nenhuma enciclopédia de referência), que era um filósofo.

Para os filósofos da generalidade deixo à consideração a seguinte questão - uma pessoa que fala muito e diz pouco é, segundo Esopo:
1. Um prognata?
2. Um conhecedor íntimo da lei das sesmarias?
3. Um descendente por linha travessa de D.Filipa de Vilhena?
4. Um ignorante?

Os factos... os factos... (paráfrase de citação célebre de romance de Charles Dickens...)

Anónimo disse...

o teste teve as perguntas que teve não importa agora discutir muito isso mas que foi teste mauzinho foi. que as perguntas (algumas) eram muito peculiares, sim e nem uma sobre arte contemporanea, arte visual ou literatura contemporanea dalí, james joyce, proust, kafka, borges, paul klee sei lá tanta coisa que poderiam ter perguntado. acho sobretudo que foi foi feito por pessoas com alguma idade com uma ideia de cultura geral que hoje nao é bem a mesma.
Ana

Anónimo disse...

Exmo. Senhor Embaixador,

Muito agradeço o facto de se ter pronunciado sobre a polémica actual. Não só demonstra preocupação como, igualmente, é um sinal de diligência e cabal cumprimento do dever público.

Em primeiro lugar, é relevante afirmar como estamos em acordo quanto à necessidade de um exame de cultura geral e consequente avaliação do nível cultural dos candidatos à carreira diplomática. Seria extremamente desadequado, e muito infeliz, se numa qualquer recepção um dos nossos diplomatas fosse incapaz de discutir Literatura Universal, de estabelecer paralelismos entre James Joyce e Homero, apreciar as virtudes filosóficas transformativas e progressistas da tardia ascensão germânica ao Romantismo, etc. Podia referir mais temáticas com potencial para produzir longas conversas em círculos diplomáticos, mas não creio que este seja o momento adequado.

Não obstante, e como bem disse, o modelo de quizz americano - e, acrescento, dotado de uma aleatoriedade temática algo pueril como bem apontou a Mar ptg - não é o método certo.

Confesso que desconhecia que houve em tempos um teste como aquele que Sua Excelência referiu. Acrescente-se que esse mesmo teste me parece muito mais adequado do que o exame de dia 16 de Março. Como já foi dito noutros comentários, não permitir que o candidato desenvolva ideias, perspectivas e construa a sua narrativa num teste de cultura geral é altamente pernicioso a uma avaliação eficiente do seu verdadeiro potencial.

É absolutamente necessário permitir a expressão livre sobre temáticas culturais para averiguar a verdadeira cultura geral de um candidato, principalmente no que concerne a este concurso público em particular. Sublinhe-se que um diplomata não expressa a sua cultura geral num boletim de escolha múltipla nem através da enumeração enciclopédica de factos soltos e tematicamente desestruturados.

Releve-se, igualmente, que os temas do teste não foram os mais adequados à avaliação de uma cultura geral rica e relevante. Tal como foi referido num dos comentários, saber obscuridades não é sinónimo de possuir uma cultura geral adequada ao capaz exercício das funções diplomáticas.

Portanto, acredito que este exame falhou (e por isso está a gerar polémica) devido à sua patente desadequação em duas frentes: na da metodologia e na do leque temático.

Quando um qualquer exame falha em ambas as frentes deve ser repensado. Muito mais premente se torna esta revisão, quando o exame é desenhado para avaliar o potencial dos cidadãos a ingressar numa carreira diplomática. Impedir cidadãos cultos, dotados de CV comprovado, inteligentes e incrivelmente capazes de virem a exercer funções diplomáticas poderá ser uma das consequências directas deste exame

Compreendo perfeitamente a natureza eliminatória deste teste, mas não obstante creio que usar as provas de línguas como as primeiras eliminatórias seria muito mais adequado. Desta forma seria possível aproveitar os momentos mais avançados do concurso para testar a cultura dos candidatos, tal como a supramencionada conversa de 20 minutos, que me pareceu uma excelente forma de avaliação para a competência que aqui tratamos.

Uma última nota que creio ser relevante a todos os candidatos: a disponibilidade de apenas uma folha de rascunho complicou o ‘ensaio’ das respostas e pode ter prejudicado muitos dos candidatos em várias questões. Refira-se o meu caso, por exemplo, em que tenho pelo menos 3 respostas erradas devido a não poder rasurar a resposta não desejada e colocar o X na que queria que fosse realmente avaliada.

Em termos formais, não é despiciente mencionar a confusão com o sistema de identificação para a avaliação das provas, sendo que o edital avançou uma informação que, depois, não se verificou ‘in loco’ durante os procedimentos do exame, para surpresa de muitos candidatos.

Com os melhores cumprimentos,

João Teixeira de Freitas

patricio branco disse...

sem duvida que deve ser assim, uma solida cultura geral forma as pessoas, dá-lhes peso intelectual, mas não só para ostentar ou decorar, tambem para utilizar e representar com nivel e elevação. arte, historia, literatura, geografia, politica interna e internacional, etc, fazem falta e não só...

Anónimo disse...

Esta prova já me ensinou o que é um prognata, guelfos e gibelinos, e outros temas que, por pudor, me abstenho de enunciar. Felizmente conhecia, graças aos irmãos Ruy e Martim, a lei sálica (adio, por enquanto, a inscrição no curso de estudos gerais).

Confessada a minha agnosia (forma pseudo-eloquente de referir a supra confessada e latina ignorância), sempre gostava de saber, quantos pontos conseguiria ...

PS. Há algum sítio da internet em que se possa consultar a prova?! Gostaria de a conhecer por inteiro.

N371111

Anónimo disse...

A cultura geral aqui pode ser interpretada como a expressão britânica "general knowledge". Essa mesma expressão não tem bem a ver com cultura geral específica mas sim com a possibilidade da pessoa poder discorrer sobre um assunto. Finalmente estamos a falar daquilo que as universidades deveriam treinar os seus alunos. Porque cultura geral num sentido lato, penso que não pode existir de facto num mundo tão globalizado como este em que vivemos.

m.a.g. disse...


"Não posso admitir que entre para os quadros do MNE alguém que, num diálogo com um interlocutor estrangeiro, não consiga manter uma conversa com substância cultural, que, por exemplo, não conheça um mínimo de literatura portuguesa"

Conviria também que em qualquer cargo diplomático e, mormente os veteranos da diplomacia, escrevessem num português correcto, inteligível, digno.

"É para mim indiscutível que quem tem a pretensão de vir a representar Portugal pelo mundo"...DEVE NÂO BASTARDIZAR A LÍNGUA.

Anónimo disse...

Caro João Teixeira de Freitas,

É óbvio que não devem ser consideradas as respostas rasuradas porque é fácil, em ocasiões de indecisão, olhar para o colega do lado e copiar. Aí concordo plenamente com o júri.

Boa sorte para o concurso!

Isabel BP

Jose Martins disse...

Senhor Embaixaixador,
Sinceros parabéns.
Saudações de Banguecoque
José Martins

http://aquitailandia.blogspot.com/2013/03/seixas-da-costa-na-jeronimo-martins.html

Anónimo disse...

Cara Isabel BP,

A existência de 3-4 membros do Instituto Diplomático na sala deveria ser a garantia primordial de que os candidatos não olhariam para o lado mas sim para a prova que estava à sua frente. De outra forma parece-me um desperdício de recursos humanos para uma manhã de Sábado.

Não esqueçamos igualmente que cada candidato estava a uma cadeira de distância do outro, precisamente para impedir a prevaricação (pelo menos assim foi na minha sala).

E, ainda, só para que fique bem claro porque é que o argumento que apresentou não é de todo justificativo da privação do direito de autocorrecção: a ordem das perguntas em cada enunciado era completamente diferente.

Ou seja, de nada valeria olhar para o lado – muito menos a uma cadeira de distância – numa fútil tentativa de tentar ler uma página de nem sequer conseguiríamos encontrar no nosso próprio enunciado. Fui informado deste sistema na minha sala, assim como pude confirmá-lo em conversa pós-exame com colegas que estiveram noutras salas, perguntando-lhes sobre as suas primeiras e últimas páginas de enunciado.

Logo, francamente, não me parece ser essa a razão. Medo de haver um "código" pré-acordado de rasuras? Tenho as minhas dúvidas. Se não para que serviu o afamado sistema de código/nº de série dedicado a evitar identificações de candidatos, e cujos trâmites mudaram inesperadamente do Edital para o dia da prova?

Com os melhores cumprimentos e agradecendo as palavras de apoio,

João Teixeira de Freitas

Anónimo disse...

Cara Ana,
Essa sua observação de que o teste “...foi feito por pessoas com alguma idade com uma ideia de cultura geral que hoje não é bem a mesma”, por muito que me custe dizê-lo, joga, bastante, contra si.
Deixe que lhe diga, a cultura, ou possuir conhecimentos culturais, não tem a ver com a idade. Nem o seu conceito muda com a época em que se vive. Há pessoas com idade que não são cultas e vice-versa.
Ser culto parte do pressuposto de uma pessoa se interessar em adquirir conhecimentos. Por gosto, por interesse, por diversas razões. Em querer ter conhecimentos, em acrescentar Saber ao que aprendeu, ao que já sabe, etc.
Há pessoas que, simplesmente, passam ao lado do que à Cultura respeita. Não é criticável. Ser culto, ou manifestar interesse em aprofundar conhecimentos é uma postura, uma atitude de cada um de nós. Em Democracia, mesmo podendo ter acesso à Cultura, pode desdenhar-se, é-se livre de não a querer adquirir.
Agora, minha cara Ana, quando tal – ou seja, possuir conhecimentos básicos culturais - como aqui o Post refere (e em minha opinião muito bem), é requisito para se ser diplomata, então, ou se aceitam as regras, ou o putativo interessado não se candidata.
Essa de “a cultura de hoje(!) não é (ser) a mesma” significa o quê?
É por essas e por outras que, quando alguém argumenta como você o acaba de fazer (com todo o direito que lhe assiste, naturalmente), nos leva a pensar que os níveis de exigência solicitados pelo MNE, que já foram mais, creia-me, não são despiciendos, muito pelo contrário.
Quanto ao teste em causa, para “aferir os tais conhecimentos de cultura geral”, ao que vim, posteriormente, a saber, desde já discordo. E aí, posso estar com aqueles que o criticaram. Um teste como aquele que vos foi colocado só revela ao que se chegou no MNE actual. Que alguns de vós, brevemente, irão ingressar.
Poder-se-ia, por exemplo, solicitar ao candidato que fizesse uma curta exposição, sobre determinados temas, ou questões, que ali lhe seriam colocados/as, enfim, agora “aquilo” não deveria ser a forma, o modo, de aferir tais conhecimentos.
Mas assim foi, superiormente (!), decido. Conformem-se.
a)Rilvas



Isabel Seixas disse...

Sem dúvida que as provas de acesso obrigam os candidatos a fazer uma reflexão crítica e sistematizada do conhecimento que vai ser aferido.
Avaliar é dificil,acredito que tentar avaliar cultura geral numa prova é ainda mais dificil, os testes de aferição de conhecimentos "avaliam"a esfera restrita de conhecimentos a que aludem as perguntas e só, não avaliam o conhecimento detido sobre o conhecimento da matéria em causa...
Muitas vezes na conceção do teste, as questões formuladas face à sua configuração,só permitem é inferir o que o respondente não sabe.

O que o respondente sabe ?!...

Anónimo disse...

João Teixeira de Freitas,

Desconhecia esses pormenores... Se assim foi, retiro o que disse.

Fico a torcer para que o concurso lhe corra de feição porque é corajoso naquilo que diz - e isso, cada vez, é mais raro.

Isabel BP

Isabel Seixas disse...

Senhor Embaixador permita-me, gostei imenso do comentário das 23:37 do comentador Rilvas.


"Ser culto parte do pressuposto de uma pessoa se interessar em adquirir conhecimentos. Por gosto, por interesse, por diversas razões. Em querer ter conhecimentos, em acrescentar Saber ao que aprendeu, ao que já sabe, etc.

Há pessoas que, simplesmente, passam ao lado do que à Cultura respeita. Não é criticável.

Ser culto, ou manifestar interesse em aprofundar conhecimentos é uma postura, uma atitude de cada um de nós.

Em Democracia, mesmo podendo ter acesso à Cultura, pode desdenhar-se, é-se livre de não a querer adquirir."

Palavra Actual disse...

Senhor Embaixador,

Permita-me dizer que concordo inteiramente com o seu comentário. Existe um nível de cultura geral mínimo exigível que um diplomata de carreira tem de possuir.

Discordo, contudo, de algum do conteúdo do exame e do modelo de exame.

Começando pelo modelo de exame, o teste americano permite que a sorte decida quem passe. Claro que há perguntas que quem é culto saberá responder. Mas essas mesmas perguntas terão uma resposta igualmente certas por quem, não sendo culto, escolheu uma resposta ao acaso. Se o modelo escolhido é o modelo americano, então cada resposta errada deveria descontar. Assim, os não cultos não arriscariam. Ou então, faça-se um exame escrito de pergunta e resposta. Aí sim, se avaliaria a cultura geral de um candidato.

Concordo com o entendimento que tem de que uma conversa de 20 minutos permite avaliar a cultura geral de um candidato, mas aí ficamos sujeitos a critérios de avaliação muito subjectiva.

Quanto ao conteúdo do exame: não considero que as perguntas fossem além daquilo que deve ser considerado como cultura geral. Algumas exigiriam um estudo mais profundo de determinado tema, mas admito que um exame tenha perguntas com graus diferentes de dificuldade.

Contudo, na minha opinião, é inconcebível que um exame feito para avaliar a cultura geral de quem vai exercer uma função que tem como objectivo representar Portugal e os interesses de Portugal no estrangeiro, seja escassa em temas importantes para a História e cultura portuguesas. Refiro-me, por exemplo, a temas como os Descobrimentos Portugueses e o 25 de Abril, a participação de Portugal em missões de Paz, prémios Nobel portugueses, cinema contemporâneo, geografia portuguesa... Serão os candidatos admitidos nesta prova detentores deste conhecimento?
Conhecerão eles o seu país?

Deixo apenas uma pequena nota: quando se faz um exame de escolha múltipla, tem de se ter a certeza que as opções dadas são as correctas e que apenas uma poderá ser considerada como a resposta certa. Isso não aconteceu em, pelo menos, três questões do exame.

Catarina Garcia

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,

sobre a entrevista final, concordo que é um momento importante para aferir da preparação dos candidatos, bem como do seu perfil. Mas não pode ser a única e, sobretudo, não pode ser uma entrevista onde só estejam presentes os membros diplomáticos do júri, sem qualquer outra entidade que assegure a transparência e a correspondência do que é perguntado com uma matroz de correcção. E não pode uma prova que não seja passível de recurso..

Basta que V. Exa. pergunte aos Srs. Embaixadores Tadeu Soares, Neves Ferreira ou Nunes Barata o que aconteceu no último concurso, designadamente nessa mesma entrevista...

Cumprimentos.

Anónimo disse...

@Rilvas
Se calhar tem razão sei lá eu. Mas tenho como certo, que se há coisa que muda como mudam as pessoas é a cultura e a noção do 'que há para saber' e nem doutra forma poderia ser estando hoje toda a informação disponível, seria possível então saber tudo? Toda a história, todas as ciências, toda a arte, todas as biografias, não, claro que não, seleciona-se e quais são os critérios de escolha? são as modas, são certas personalidades que vão marcando as épocas. No século XIX, o que era tido como importante para saber, é muito diferente do que era nos anos 20 ou após 45. Da mesma maneira, é diferente hoje. E acho mesmo que os feitores deste teste têm entre 60 e 70 anos ou pelos menos as referências culturais desta geração. De qualquer forma a intenção era naturalmente eliminar o maior número possível de candidatos e neste sentido claro que seria um teste difícil, um teste feito para ser difícil e não um teste de cultura média, salvo algumas perguntas que eram de facto médias e fáceis até outras havia que eram obscuras e de temas muito incomuns. Mais uma vez, digo, sei lá eu, se calhar tem razão!

Ana

Anónimo disse...

Ana,
Ânimo e boa sorte, é o que se lhe desejo! Se, por acaso, não entrar agora, tente numa outra oportunidade. Gostei das suas palavras. Reflectem boas qualidades pessoais de si própria. Quem sabe até, se testes deste tipo, inaceitáveis em minha opinião, possam vir a deixar de existir.
a)Rilvas

Anónimo disse...

@Rilvas
muito obrigada :)

Ana

Anónimo disse...

É isso, também, o progresso, ou não?
Considerar que a "cultura geral" (exigível) se vai transformando de geração para geração não é, para mim, apelidar de "velhos do Restelo" aqueles cujos conhecimentos foram maioritariamente adquiridos em décadas há muito passadas. Mas, simplesmente, reconhecer que "o mundo gira" e os conhecimentos a adquirir se transmutam nesse girar.
Não será, hoje, mais importante saber quem é o Linus Torvalds do que quem realizou o "Pai Tirano" (apelidado de cineasta do regime por os seus filmes não representarem mais do que o sistema ideológico de valores do Estado Novo)? Ou compreender os OGM - quando a factura energética de Portugal foi, no ano de 2012, a mais alta de sempre e urge investir em combustíveis obtidos de maneira renovável e, simultâneamente, surgem resultados de estudos que comprovam a morte precoce/maior incidência de cancro em animais alimentados com organismos geneticamente modificados - ao invés de conhecer em pormenor a lei das Sesmarias?
Saber os porquês e acompanhar o desenrolar dos conflitos religiosos do Médio Oriente, Magrebe e restante África setentrional mesmo que desconhecendo a concessão do título de Majestade Fidelíssima por Bento XIV a D João V?
Se pensam: "Joana, é preciso saber tudo! A minha resposta terá de ser: é impossível saber tudo!
E perante a escolha entre: decorar as linhas de comboio de Portugal (que o meu avô orgulhosamente recitava para alegria de todos os netos nos almoços domingueiros) ou conhecer as taxas que incidirão sobre os depósitos no Chipre e respectivas consequências na economia europeia (e mundial), opto pelo segundo "tipo" de conhecimento.
E espero, sinceramente, que a cultura geral dos próximos diplomatas portugueses não seja comparável ao conteúdo de uma enciclopédia empoeirada.


Anónimo disse...

Senhor Embaixador, não posso deixar de lhe manifestar a minha concordância, em género, número e grau, com o conteúdo deste seu post.

Começo por fazer uma declaração de interesses: fui, também eu, candidata ao concurso diplomático em causa. Assim, também eu prestei provas a 16 de Março último.
Gostaria, se mo permitisse, de aproveitar a oportunidade para partilhar algumas inquietações que o exame de cultura geral – nestes moldes – me suscitou.

Em primeiro lugar, saúdo vivamente a ideia de avaliar, a par dos conhecimentos específicos sobre matérias como História, Política, Geoestratégia ou Relações Internacionais (que virão a ser amplamente testados em momento posterior), também a cultura geral dos candidatos a diplomatas. Cultura geral essa que se espera vasta, consistente e com um certo grau de elaboração – ou, se se preferir, de solidez substantiva.
Ora, o teste apresentado a 16 de Março dificilmente poderá ser, à partida, um método fiável para tal aferição. A cultura de almanaque anda raro de mãos dadas com os conhecimentos e referências que nos permitem discorrer sobre cada tema, fazendo as associações e inferências devidas ou simplesmente apropriadas. Mais avisado teria sido convidar os candidatos a dissertar – ainda que num breve excurso – sobre movimentos artísticos, correntes de pensamento ou desenvolvimentos históricos de monta. Creio que a intenção inicial seria louvável – subtrair a correcção à subjectividade dos correctores. Quem sabe se terá sido alcançado tal desiderato?

Dizia eu que tal teste me parecia, à partida, desadequado. No entanto, também à chegada o teste me pareceu pouco próprio e até, em certa medida, um tanto ou quanto questionável. Senão vejamos. Ao passo que em algumas perguntas se tratava de saber curiosidades relevantes, até pelo que traziam pressuposto, noutras as próprias respostas lhe retiravam essa mesma relevância (quando se pergunta se Eça se inspirou em Zola ou Flaubert, parece desconhecer-se que ambos lhe serviram de inspiração em diferentes momentos e obras). Se alguns pontos versados eram de importância indesmentível, seria conveniente que a pergunta desse crédito a essa mesma importância (Rousseau é um vulto incontornável da filosofia política, mas as suas obras e ideias de vulto ficaram arredadas da pergunta respectiva e deu-se palco a um romance epistolar menor, ainda por cima com o título a figurar incorrectamente nomeado nas hipóteses possíveis). Em certas perguntas, a falta de rigor é pungente (se se quer indagar sobre Fernão Lopes ou Fernão Mendes Pinto, esperando que não se identifique Fernão Mendes Pinto como historiador, conviria não esquecer que, para os parâmetros actuais, também não é pacífico que Fernão Lopes o fosse). E assim poderia continuar, neste triste périplo pelas 90 perguntas que pretendiam avaliar o nosso nível de saber...

Em abstracto, uma selecção assim feita, mais do que indignar-me, entristece-me. Concretamente no que me toca, confesso que, ainda que o fim (a superação da prova) me agradasse, não sei se o amargo de boca resultante do meio me deixaria verdadeiramente satisfeita. Helàs!

Sic transit gloria mundi, e o MNE segue-lhe as pisadas.

Obrigada pela paciência na leitura, e principalmente pela sua visão lúcida – mesmo se (mais ou menos) distante destas andanças.

AR

xxxSPA disse...

Caríssimo Senhor Embaixador, Exmos Companheiros de "luta" por este sonho de ser Diplomata e demais Ilustres Comentadores

"(...)Comunicado

O Ministério dos Negócios Estrangeiros decidiu mandar repetir a prova escrita de cultura geral do concurso de acesso à carreira diplomática.

Segundo informação do presidente do júri, a realização da prova, no passado dia 16 de Março, não terá assegurado as condições de igualdade entre todos os candidatos uma vez que, em algumas salas, foi autorizada a substituição do enunciado da prova e, em consequência, a correção de respostas rasuradas.

Este facto contraria as instruções previstas no enunciado da prova.

Para garantir a total e igualdade de circunstâncias dos candidatos, deste concurso de acesso, o MNE decidiu anular o exame, convocando os candidatos para uma nova prova, a realizar no próximo dia 20 de abril (...)"

Então... Até breve... ;)

vasco disse...

Bom dia a todos. Confesso que não li todos os comentários mas, até onde li, não vi uma única referência a algo que marcou a minha ida a este exame. Só na minha sala vi 3 distintos candidatos a consultar o google nos seus belos iphones. Achei tão vergonhoso que tive vergonha de os denunciar, pensando ou sonhando, terem sido poucos. À saída tive a oportunidade de falar com alguns (outros) candidatos e fiquei a saber que o que vi na minha sala não foi caso único. Isto sim é de uma falta de lealdade atroz.
Quanto às perguntas em si, acho que era de esperar um "mix" do género. Perguntas absurdas que em nada ajudam a aferir da cultura geral do candidato, e outras perguntas com cabimento.
Abraço
Vasco

Anónimo disse...

Deixemo-nos de lucubrações. Apesar das provas, sempre houve um elemento fundamental que decidia a entrada para o quadro do MNE: a pertença à maçonaria do candidato ou do seu progenitor.
Isto é histórico e facilmente confirmável.

Anónimo disse...

Por vezes, alguns que deixámos ir em frente vieram a revelar-se maus funcionários, porque a prova que haviam feito nos iludiu ou porque não tinham outras qualificações, algumas das quais só o tempo permite ajuizar. Tenho a consciência muito tranquila: sem exceção, todos os que ajudei a "chumbar" não tinham qualidades mínimas para entrarem no número de vagas que nos competia preencher.

Explique lá esta contradição... alguns que deixaram passar revelaram-se maus funcionários... e quem lhe diz a si, que os que chumbaram não dariam bons funcionários? Pela Cultura Geral?... Fraco, fraquinho...

maria disse...

Senhor Embaixador, permita-me responder a duas questões aqui colocadas: - Estranho a presença de qualquer tecnologia na sala durante o exame, pois foi-me dito o contrário. Refiro-me à consulta nas páginas do google, de alguns candidatos. Só por isso e perante as normas do concurso, deveriam ter sido eliminados. Quanto ao comentário dos que passarem serem da maçonaria ou filhos de, desminto categoricamente, pelo menos até esta fase. Estou já a falar depois de se saber o chumbo de quase 90% nesta última prova de cultura geral.

Anónimo disse...

Verdade seja dita, a reputação do MNE está completamente destruida. Quando 90% dos candidatos são eliminados duma só vez, numa prova de teste americano, mais interessada na história da monarquia absoluta portuguesa (parece que há anti-republicanos a dirigir, e muito mal, a feitura das questões) do que em deixar aos candidatos a possibilidade de desenvolverem temas de política internacional Atuais.

Quase me arrisco a dizer que os 2% que passaram na prova já têm "lugar marcado".

Porquê ainda não veio a público as questões colocadas nessa "prova"? Há algum receio de que Portugal saiba as obscuridades arcaicas que perguntam aos candidatos?? Só teme quem deve!

A má reputação desta prova reflecte-se em toda a estrutura do MNE desde os podres concelhos das promoções (promotions for the boys), até ao acesso ao mne (jobs for the boys).

Caso seja eleito primeiro ministro, esperem uma limpeza em todos os quadros de cúpula (incluindo aposentados na cúpula) do mne. Há muita história mal contada e poderemos ver antigos dirigentes do mne, e "ministrados potenciários" potencialmente PRESOS.

Mas enquanto durarem as orgias, podem continuar a brincar com os 2000 candidatos (alguns dos quais licenciados com Grande Mérito, em faculdades de excelência), que os melhores irão sempre distinguir-se noutras carreiras e ser dignificados como merecem. Guardem a incompetência para os vossos boys.