sábado, 3 de novembro de 2012

Justiça e Paz

No início da minha intervenção, deixei claro que vinha "de outra freguesia", mas isso não diminuiu o grande gosto que tive em participar em mais uma iniciativa da Comissão Nacional Justiça e Paz, que hoje teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O convite foi-me formulado pelo professor Alfredo Bruto da Costa, uma figura por quem tenho grande admiração, pela sua persistente luta em favor daqueles que a sorte esqueceu.

O tema do encontro era "Portugal - o país que queremos ser", mas a mim coube-me, num "mano-a-mano" com o meu amigo Guilherme Oliveira Martins, trabalhar de forma crítica e prospetiva o documento "Para uma reforma do sistema financeiro e monetário internacional na perspetiva de uma autoridade pública de competência universal". Trata-se de um interessante texto que, apoiado em algumas Encíclicas, interpela os cidadãos e os Estados, lançando desafios ao mundo multilateral. O debate que se seguiu foi muito enriquecedor e, como não podia deixar de ser, cruzou a doutrina social da Igreja com a política europeia e algumas temáticas do quotidiano nacional.

Na minha intervenção, procurei sublinhar os aspetos mais relevantes das propostas contidas no texto e julgar da sua compatibilidade realista com os modelos multilaterais relevantes, desde a ONU à OMC, das questões ambientais globais à reforma do sistema de Bretton Woods.

E, de passagem, porque o documento, que tem origem no Vaticano, é impiedoso para as derivas liberais, não deixei de notar a estranha circunstância de ser da Universidade Católica Portuguesa que emana a mais radical produção neoliberal que por aí anda, ao que parece, como fiz questão de dizer, bem menos preocupada com a pauperização da sociedade do que com a promoção da "popperização" das almas.

3 comentários:

Alexandre Rosa disse...

Meu caro Francisco
Tive acesso a passagens da tua comunicação, que muito me agradou, e tomou a liberdade de postar uma nota no meu FB aesse propósito.
Muitos parabéns e obrigado pela coragem e militância cívica, que tão necessária é.
Abraço

Isabel Seixas disse...

Credo sr. Embaixador

Que susto o senhor deve ter "pregado"(e prégado)
ao privilegiar a importância da preocupação com a comprovada
pauperização da sociedade, tão óbvia sem necessitar do rigor de Popper ou da ciência para corroborar.

Bem enquadrada a reflexão no debate de justiça e paz...Na universidade católica...

Gostei, parabéns.

Helena Oneto disse...

Concordo em absoluto com o comentario da nossa amiga e poetisa Isabel Seixas. A sua notavel intervenção deve ter causado um certo incomodo não so a alguns dos oradores como a algumas personalidades na assistência.