terça-feira, 13 de novembro de 2012

Francisco Louçã

Francisco Louçã deixou a liderança do Bloco de Esquerda. Ao longo de cerca de 13 anos, ele foi a cara do Bloco, formação que ganhou muito com o seu brilho intelectual e que, igualmente, acabou por ter uma avaliação pública, nomeadamente em termos de sufrágios, que ficou muito tributária do modo como o país o foi apreciando como figura política.

Acompanho, desde há muito, o percurso político de Francisco Louçã, pessoa por quem tenho estima e consideração pessoal. Com ele troquei por diversas vezes ideias sobre a Europa, cuja evolução, há vários anos, a ambos nos preocupa. Já na política doméstica saudavelmente divergimos no desenho das soluções de futuro. Isso não me impede, contudo, de considerar que, em termos objetivos, com a sua saída da cena parlamentar, a nossa Assembleia da República perdeu um dos mais bem preparados tribunos.

12 comentários:

Anónimo disse...

Há questões que não me são possíveis de compreender!

Entre muitas, veja-se uma das últimas:

Duas opiniões sobre Angela Merkel:

A do Sr. Embaixador: A senhora Angela Merkel é lider político de um grande país democrático…

A de Francisco Louça: Assaltante Merkel terá resposta na visita a Lisboa…

Ipsis verbis. Estarão a falar da mesma pessoa?

Tantas loas (de todos os quadrantes) não são de estranhar? estarei eu já com alguma coisita anormal ou…aquela do “dimple” tem razão de ser?

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Julgo que o Miguel Portas não terá sido menos cara do BE. Caras diferentes, é certo, mas verso e reverso de uma mesma moeda.
Sempre me irritou o estilo de Louçã - confesso -, que me fazia lembrar o de certos padres que conheci.
Mas fez parte dos economistas que os meus alunos tinham de ler ou, pelo menos, consultar. Não penso como ele, discordo das suas soluções mas nunca deixei de o escutar. Até para discordar...
Hoje, tenho de publicamente confessar, que me pude aperceber, com a doença e morte do meu filho, quanta "alma" escondida havia por detrás daquela rigidez!

Anónimo disse...

Subscrevo inteiramente o que aqui diz. Tendo tido a oportunidade de o conhecer + de perto na AR, felicitei-o pela decisao (so alguem muito especial e inteligente tomaria a decisao de largar tudo, i.e., liderenca do BE e lugar de Deputado)e ate tomei a liberdade de lhe deixar um espumante unico, produzido em Tormes (quinta que foi palco de inspiracao para Eca de Queiroz, onde escreveu "A cidade e as Serras" e onde tive oportunidade de, ha muitos anos,acompanhar verdadeiros exercicios de "adivinhacao" sobre o conteudo de muitos manuscritos ali existentes - talvez para tentar adequar a velocidade de escrita a do pensamento, nao havia til, cedilha, ponto nos i, etc., naqueles manuscritos, nao sendo nada facil le-los... - de que resultou a publicacao do livro "Obras postumas", da autoria da filha do escritor, Maria Eca de Queiroz)para brindar aquela decisao, mesmo sabendo que a AR fica + pobre...

São disse...

Estamos de acordo.

Como sou de Esquerda, ainda sinto mais que o Parlamento ficou empobrecido com a sua saída...e que Passos aliviado.

Os meus cumprimentos.

patricio branco disse...

no be há bons tribunos, pessoas inteligentes, cultas, bem preparadas para falar e para actuar no parlamento. mas parece-me um partido burguês e intelectual, quadros universitários, profissionais liberais, esquerda fina. vejo-o como um partido de reflexão, com gosto e vocação de oposição seja qual for o governo eleito, mas não partido de acção, colaborar num governo, o que parece não querer ser. fica-se portanto pela oratória.
ora o be poderia ter um papel charneira preenchendo certos sectores e associando-se com a sua contribuição. um pouco o que se passou na rda com o governo schröder-joschka fischer a exitosa coligação sdp-verdes.
Sim, o be podia encarar fazer um dia o mesmo. e dedicar-se tb às autarquicas, uma camara ou duas ou mais ficava-lhe bem
louçã tem discurso inteligente, claro, lucido, mordaz, etc, outros no be tambem o têm. uma nova fase para o partido começa, que resulte.

Rubi disse...

Mas estava na hora de sair, já havia um desgaste enorme. Pessoalmente gostava muito mais de Miguel Portas!

Catinga disse...

Quando vi o texto, no formato "foto+ nome", pensei logo "querem ver que este também se foi?". E não é que foi, mesmo? Mas do Parlamento...

Um Jeito Manso disse...

Gostei de ler este seu texto, Embaixador. Posso não concordar com algumas posições dele e do BE (nomeadamente quando, contra a lógica e objectividade, parecem desfocar-se, elegendo como principal adversário político o PS) mas reconheço em Francisco Louçã uma pessoa inteligente, de verbo claro. Um excelente tribuno, directo, frontal e claro e que fazia sempre grandes intervenções, especialmente quando a matéria girava à volta de economia.

Miguel Portas era o rosto do idealismo, da generosidade transbordante e, não apenas pelo rosto e pelo sorriso, de facto, contrastava com o rosto cheio de ângulos de Louçã, todo ele fracturante (pelo menos na aparência).

Seja como for, acho que estas suas palavras revelam a sua capacidade de análise tendencialmente isenta e isso só valoriza este seu espaço.

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Dra. Helena Sacadura Cabral: o seu filho Miguel Portas, por quem eu tinha muito respeito e simpatia, era uma imagem muito forte do Bloco de Esquerda, tal como Fernando Rosas também o foi. Mas, no plano objetivo, acho que a imagem de Francisco Louçã, para o bem e para o mal, ficou mais ligada ao nome do partido, pela visibilidade mediática que adquiriu.

patricio branco disse...

efectivamente, miguel portas era o rosto humano do be, louçã o verbo frio do partido. a analogia de hsc fez me pensar.

Anónimo disse...

Quando não há tribunos que saibam utilizar bem, ao menos, algumas das figuras de retórica, Louçã servia-se delas com uma mestria invejável. Pena que não usasse, ao menos, algumas para desmontar a demagogia da Direita que apregoava o Sócrates a razão única da - crise. Não consigo aceitar isso de uma pessoa tão esclarecida e que devia ter feito um exercício de pedagogia com o povo que sustenta o sistema democrático aonde ele se sentou. Miguel Portas agradou-me mais no tempo do crescimento do Bloco. Quando falava trazia sempre algum registo histórico para as coisas. Gosto de aprender todos os dias qualquer coisa que me explique o presente que se vive... Não era um Kenneth Clark, mas Miguel Portas tinha qualquer coisa de "Lord", pela mesma razão que leva a Inglaterra a dar esse título aos seus Seniores.

Anónimo disse...

Subscrevo aqui o comentário de UJM.
Quanto a Francisco Louçã (F.L), sempre tive por ele grande apreço intelectual. Brilhante.
Li um ou outro dos livros que publicou, entre os quais este seu último, “A Dívida Dura”, que gostei.
Vai, seguramente, fazer falta na A.R.
O B.E continuará e F.L não deixará de lhe dar o seu, importante, contributo.
Numas próximas eleições, não me admiraria que voltasse a subir. Acredito que sim.
Quanto a Miguel Portas, recordo-o com imensa saudade. Era igualmente brilhante. E talvez politicamente mais cativante.
P.Rufino