segunda-feira, 5 de novembro de 2012

América

Como acontece cada quatro anos, por estes dias, todos somos um pouco americanos. Todos (portugueses, chineses, russos e até israelitas) temos o "nosso" candidato numas eleições que cabe aos americanos decidir, sabendo, de certeza segura, que alguma coisa acabará por sobrar para nós daquele que vier a ser o resultado da sua escolha. Talvez não fique bem dizer isto, mas esta cíclica fatalidade é um sinal claro do que é, na realidade, a "independência" do resto do mundo. 

Ah! e uma coisa é clara: qualquer que venha a ser o presidente americano para os próximos quatro anos, ele vai, forçosamente, desiludir-nos. Porquê? Por uma razão bem simples: porque ele é eleito para defender os interesses americanos e não os nossos. 

11 comentários:

EGR disse...

Senhor Embaixador: sem duvida que nos esquecemos do aspecto que V. Exa.salienta.
Mas, apesar de tudo, sentir-me-ei mais tranquilo se o Presidente Obama for reeleito.
Parece-me que sempre havera formas diferentes de defender os interesses da America,em particular,face aos do nosso continente.

Anónimo disse...

E o dono do laço é o Embaixador José Filipe Morais Cabral....

Fada do bosque disse...

Será que há diferença? Eu pouco me parece... parece mais as duas faces da mesma moeda.


Na dimensão política da crise constituiu-se um "novo" comando, pautado pela ordem armada do capital, que é cada dia mais violento. Essa articulação passou por uma reformulação no sentido de unificar o bloco de forças que tem na defesa do neoliberalismo, a sua agenda constante. Essa síntese política e ideológica sacralizou, numa inflexão à direita, um conjunto de forças que antes tinha pequenas divergências de método, mas que agora se unificaram na perspectiva de um padrão de disputa que encontra fundamentos na americanização da política. Portanto, temos um projecto do bloco conservador que é operado na esfera política e na sociedade civil, por uma política e dois partidos, com todo o seu arcabouço montado a partir de uma estrutura de coligação política e nos aparelhos de hegemonia.

Uma política e dois partidos, mas também, uma direita e dois partidos. Esse projecto originário do sistema eleitoral americano, com o acirramento da luta de classes, a burguesia agiu para torná-lo perene em amplos espaços da cena política mundial, como forma de domínio sem risco através de eleições "seguras". Passamos a ter esse modelo na política alemã, isso tem ocorrido na França, na Espanha, em Portugal, Canadá, India, Chile, México, Itália, Paquistão, Austrália, e está consolidado na Inglaterra. A partir da primeira década do século XXI, o Brasil iniciou a sua adesão a esse modelo, com a indiferenciação, a grosso modo, das políticas entre o PT e o PSDB na gestão do Estado" (Boito, 2011).

Essa americanização da política tem, no modelo americano, uma "forma enfim encontrada" para permitir à "disputa" eleitoral manter intacto o aparato ideológico conservador, realizando o ciclo jurídico da "democracia" burguesa, do qual sairá vencedor o partido republicano ou o partido democrata, mas principalmente a burguesia, que apenas realiza a disputa entre as suas fracções, para saber quem será hegemónico no bloco que controlará o poder (POULANTZAS, 1971).

domingos disse...

Resumindo a Fada das Matas: A esquerda, tal como é conceptualizada na Europa, é ultra-minoritária nos "States". Valia a pena analisar porquê, mas isso fica para outro dia. O que lá conta são apenas 2 direitas: uma emotiva, primária e interesseira e outra iluminada, evoluída e sofisticada, mas sempre direita. Certo?

Anónimo disse...

Os interesses mais claros deles, americanos, e os interesses mais claros nossos, dos portugueses, vi-os defendidos quando a América decidiu a invasão do Irak. Aqui sim. Até as razões encontradas para a invasão, com o pleno acordo de Portugal e sem o acordo da ONU, em flagrante degenerescença da verdade, eram razões clarissimas. 
A palavra diplomática face às teses belicistas saíu muito enfraquecida. Ficam-nos imagens fortes: a fotografia dos Açores, a intervenção de Dominique de Villepin na ONU, o horror das bombas democráticas da América... e o gosto amargo de não conseguirmos apurar responsabilidades...
José Barros   

Anónimo disse...

Tomara eu que aqueles que nós elegemos defendessem os nossos interesses ...

Anónimo disse...

Com a saída do anónimo das 11:00h é que ri mesmo. O resto é mesmo muito sério...

patricio branco disse...

vai ser interessante seguir os resultados da votação, renhidos ao que parece. pena a diferença de horario.
qualquer que seja o vencedor, tanto faz para portugal.
curioso como na europa não temos a percepção dos factores que mobilizam os estadunidenses a votar num ou noutro.

Anónimo disse...

Pois é... Nunca percebi se este tipo de eleições nos USA ou na Eurpoa são uma espécie de circo. Mas... eu não sei

zamotanaiv disse...

...E mais que estes, os Israelitas...
Com grande lata corrijo-o.
Bem vindo Senhor Embaixador!

patricio branco disse...

afinal a vitoria do que ganhou não foi renhida como nos diziam as sondagens, 3/5 e 2/5 ou 60% / 40%.