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domingo, março 22, 2026

O adeus de Bayrou


O centrismo francês tem uma história "honorable" mas de escassos e muito fátuos sucessos. Em tempos recentes, François Bayrou foi a cara do centrismo histórico que deu caução política ao apregoado neo-centrismo que o "macronismo" seria. Conseguiu convencer Macron a nomeá-lo primeiro-ministro, mas, chegado ao cargo, demonstrou uma inesperada inabilidade e mesmo algum irrealismo que pareceram dar razão a quem o considerava já um político de "outro tempo". Saiu da chefia do governo sem glória e sem deixar grande memória. Regressado à sua geografia política de origem - era "maire" de Pau - tentou mais uma reeleição, mas os estilhaços de um escândalo muito mediatizado terão corroído sem remissão as suas esperanças. Derrotado, sai agora da cena política num tempo em que a França mergulha num futuro cheio de interrogações. Sem ele.

Nunca esquecerei que François Bayrou foi uma das poucas vozes que esteve ao meu lado, num debate muito tenso no Parlamento Europeu, há 26 anos, quando ali titulei, da bancada da presidência, a posição dos "catorze" países que se opunham à entrada da extrema-direita no governo austríaco. Do outro lado da barricada estava Jean-Marie Le Pen, que zurziu violentamente os meus argumentos, perante a atitude equívoca do presidente da Comissão, Romano Prodi, e o silêncio de todos - repito, todos - os deputados portugueses. Um dia, em Paris, tive oportunidade de agradecer pessoalmente a Bayrou esse seu gesto solidário.

Com o fim político de Bayrou, restam poucas figuras de um outro tempo daquilo a que ainda se chama V República, que hoje cada vez se assemelha ao regime a que sucedeu.

O adeus de Bayrou

O centrismo francês tem uma história "honorable" mas de escassos e muito fátuos sucessos. Em tempos recentes, François Bayrou foi ...