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sábado, março 21, 2026

Ainda não decidi


O procurador especial que, há uns anos, investigou Donald Trump morreu. O presidente americano colocou esta mensagem numa rede social (não, não é "fake news"). Tenho dificuldade em escolher o adjetivo mais adequado para qualificar esta reação.

sexta-feira, março 20, 2026

E um pouco de vergonha?


O PSD é mesmo favorável a que um partido que foi capaz de colocar em frente ao nosso parlamento, no dia da posse do presidente da República, um cartaz que revela bem o seu sentido de Estado possa indicar um candidato para integrar o Tribunal Constitucional?

quarta-feira, março 18, 2026

José Carlos de Vasconcelos


Foi uma bela festa, Zé Carlos! Tantas histórias, tantos poemas (mesmo de outros, porque o Zé Carlos é muito generoso) e palavras boas da Rosário e do Hélder, numa sala cheia de amigos e admiradores do José Carlos de Vasconcelos. 

Leiam o livro! Vale bem a pena.

segunda-feira, março 16, 2026

E se....

Lembram-se das manifestações populares no Irão, que geraram uma repressão sangrenta? Não é de excluir que, depois da agressão israelo-americana, com a deliberada destruição das infraestruturas do país, o reflexo nacionalista possa vir a reforçar o regime dos aiatolás.

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A conhecida "Central da Inveja" ainda não divulgou o montante da reforma de Mário Centeno? Ou sou eu quem está distraído ou essa importantíssima informação ainda não foi divulgada. É que, assim, o indispensável processo de indignação pública não consegue arrancar. Despachem-se!

domingo, março 15, 2026

Só acontece em França, é claro!

 


Aventuras e desventuras árticas


Há dias, o Sporting levou uma triste abada em Bodø. Na véspera do jogo, num grupo onde eu estava, só alguns sabiam que se tratava de uma cidade situada acima do Círculo Polar Ártico. 

Fiz então um figurão, ao dizer que não só já lá tinha estado mas que até tinha ali passado a noite numa tenda, num acampamento militar, com uma temperatura de cerca de 10° negativos. 

O Sporting acabou por não apanhar esse frio, mas praticamente congelou por ali as suas ambições na Champions.

Dormir num saco-cama, assente numa placa de esferovite directamente pousada sobre o gelo, numa tenda militar, sob uma baixa temperatura exterior multiplicada pelo vento, é uma experiência para a qual se exige uma certa coragem. Ou inconsciência, como foi o meu caso. A verdade é que a tenda tinha no centro uma espécie de aquecedor, com uma chaminé que saía pelo tecto. E no seu interior, valha a verdade, a temperatura estava bem acima dos números de fora. Mas mesmo assim...

Foi em 1980. Estávamos num campo de treino da NATO, organizado pelas tropas norueguesas. O dia fora longo e, ao fim da noite, partilhava a tenda com dois colegas, um belga e um turco. Mas ali chegados, enfiei-me logo no meu saco-cama, saquei de uma lanterna de bolso, que prudentemente levara comigo, e pus-me a ler o "Herald Tribune" que tinha trazido de Oslo (o jornal ainda existia com esse nome...). Acompanhava-me uma pequena garrafa metálica com um belo whisky de malte, em cuja tampa, com esmero, coloquei algum gelo que raspei do chão. As recomendações NATO tinham sido estritas - nada de álcool! -, mas achei que uma pequena excepção podia ser admissível para o civil inveterado que eu era. E nem a proximidade do Pólo Norte tinha o condão de me afastar de alguns comezinhos prazeres mais cosmopolitas...

Notei que o meu amigo belga adormeceu logo e estranhei ver o turco a tentar fazê-lo fora do saco-cama. Disse-me que estava com calor e que ficaria bem assim...

Acabadas a minha dose de whisky e a leitura, adormeci também. Acordei, creio que cerca de uma hora depois, alertado pelo belga. O nosso colega turco, imprudente, ao ter-se deixado dormir fora do saco-cama, estava enregelado, sentia-se mal e não conseguia aquecer, nem sequer aproximando-se do aquecedor.

Que se podia fazer? Sair da tenda, à procura de ajuda, na gélida e ventosa noite ártica, era um ideia suicida. Adiantei uma hipótese: porque não bebia o nosso amigo turco um trago do meu whisky? Seguramente que isso poderia ter um efeito-choque, ajudando à sua recuperação. O belga concordou que era uma boa sugestão. E é aí que o turco nos surpreendeu: "Não posso beber álcool. Sou muçulmano". E continuava a tremer de frio.

Com alguma diplomacia e poder argumentatório - estávamos entre diplomatas, caramba! - tentámos convencê-lo de que o rigor dos ditames religiosos, com toda a certeza, era passível de uma pontual derrogação quando estava em causa uma emergência de saúde. O whisky podia assim ser considerado, no caso vertente, como um mero medicamento - "embora bem mais saboroso do que é habitual", devo ter pensado. O turco, já um pouco abalado, acabou por concordar em seguir a opção que lhe era oferecida: bebeu uma boa dose do meu velho malte e até repetiu... E lá aqueceu, como previsto, conseguindo dormir.

Pergunto-me, até hoje, se a minha leitura das regras religiosas muçulmanas esteve ou não correta. Ou será que me posso considerar culpado se acaso o meu amigo turco, por via da minha sugestão, mudou de hábitos de vida?

sábado, março 14, 2026

"One point down"


Percebi que o telefonema, que há pouco recebi, tinha sido suscitado por um post que aqui coloquei, em que mencionei uma breve hospitalização por que passei. Já quase me tinha esquecido dessas horas "de molho" (como o meu pai designava estar de cama, por motivo de saúde), ocupado que estava em garantir uma mesa num bom restaurante, onde vou jantar neste sábado.

"Já vi que não seguiste o conselho daquele nosso amigo do "one point up"!" Percebi logo que o meu interlocutor se referia a uma pessoa, infelizmente há muito desaparecida, que tinha umas manias um tanto bizarras.

Um dia, vi chegar essa pessoa ao escritório, muito pálido e perguntei-lhe se se sentia bem. Não obstante ser por demais evidente que estava com problemas de saúde, disse-me: "Estou lindamente, sinto-me mesmo muito bem", caindo depois, numa evidente exaustão, sobre um sofá. Calei-me. A diferença de idades e a falta de confiança não me permitiam desmontar aquele teatro. 

Passaram uns tempos e os papéis inverteram-se. Eu estava com uma imensa dor de cabeça, talvez mesmo febril, e referi, em frente a ele, que me me sentia pessimamente. 

Com um sorriso, num argumentário que casava bem com a sua atitude anterior, ele sentenciou: "Nunca diga isso! Nunca deixe transparecer perante outra pessoa que tem uma fragilidade, em especial de saúde. É que essa pessoa, muito provavelmente, está sem padecimentos, o que imediatamente o inferioriza a si. Porque, ao pressentir que você tem um problema, ele sente-se logo superior. E nós, nas nossas relações humanas, temos de fazer um esforço para estar sempre acima dos outros". E concluiu com uma máxima em inglês que nunca mais esqueci: "If you are not one point up, you are one point down" (Se você não estiver um ponto acima, ficará um ponto abaixo).

Achei aquilo uma imensa patetice, em si mesmo um sintoma de inferioridade, e só lho não disse logo ali porque se tratava de uma pessoa muito mais velha, a quem devia respeito. Aliás, mesmo que tentasse seguir o conselho, eu nunca o conseguiria: sendo um assumido hipocondríaco, falar das minhas doenças é um hóbi que, de quando em vez, não dispenso… mesmo que, por essa razão, me arrisque a ficar logo um ponto abaixo de alguém que, “são como um pero”, me esteja a ouvir!

Desculpem lá!


Sei que pode ser incómodo ter de enfrentar a realidade, mas, para quem o possa ter esquecido, notaria que há mais de dois milhões de pessoas a (tentar) sobreviver em Gaza e na Cisjordânia. Desculpem ter lembrado.

Às armas?

Se o mundo ocidental, pressionado pela questão petrolífera, vier a seguir o apelo de Trump para a criação de uma força multinacional para o Golfo Pérsico, estará a deixar-se arrastar para uma guerra desencadeada por Israel e pelos EUA, que não levou minimamente em conta as suas previsíveis consequências globais. 

"Manda quem pode?"


Fazer uma comparação entre a invasão russa da Ucrânia e as pretensões norte-americanas sobre a Gronelândia pode revelar-se, à primeira vista, um exercício algo forçado. Nada parece aproximar a violência militar desencadeada por Moscovo da proposta, quase grotesca, de aquisição territorial aventada por Washington. E, no entanto, ambas as situações revelam um traço comum mais profundo: a crescente disponibilidade das grandes potências para assumirem, quase sem disfarce, a lógica das zonas de influência como aparente princípio orientador de uma nova ordem internacional que pretendem impor. 

Trata-se de uma lógica vetusta, responsável por alguns dos capítulos mais trágicos da história europeia e mundial, que regressa agora num contexto em que o poder destrutivo dos meios militares tornará qualquer eventual erro estratégico incomparavelmente mais letal, quiçá mesmo existencial. 

Durante a Guerra Fria, a Carta das Nações Unidas parecia consagrar, pelo menos no plano formal, um princípio de igualdade soberana dos Estados, num espaço de cooperação multilateral que se anunciava cada vez mais denso. Esse ideal coexistiu sempre, de forma tensa, com a prática concreta das duas superpotências. Estados Unidos e União Soviética disputaram incessantemente esferas de influência política, económica e militar, recorrendo a alianças assimétricas, conflitos por procuração e variados mecanismos de pressão indireta. O multilateralismo que ambos proclamavam era frequentemente “à la carte”: mobilizado quando coincidia com os seus interesses estratégicos, relativizado ou ignorado quando os contrariava. Ainda assim, a ONU preservava um papel simbólico central, como palco institucional do diálogo global, acolhendo a voz de dezenas de novos Estados resultantes dos processos de descolonização. 

Com o fim da Guerra Fria, instalou-se a ilusão de que a distensão Leste-Oeste teria sido mutuamente benéfica e que a lógica das zonas de influência se tornara obsoleta. Tal leitura revelou-se enganadora. O ocidente vitorioso não abdicou de expandir a sua influência política e institucional no Centro e Leste da Europa, à luz de um proselitismo democrático. Os sucessivos alargamentos da NATO e da União Europeia avançaram sobre espaços que durante décadas tinham integrado a órbita soviética, num tempo em que Moscovo parecia demasiado debilitado para conseguir reagir. 

Gradualmente, porém, o poder russo recuperou assertividade e fez a leitura de que essa aproximação às suas fronteiras não fora mero produto do acaso histórico, mas resultado de uma estratégia deliberada. A deriva autoritária interna do regime russo encontrou no ressentimento acumulado pela derrota na Guerra Fria um terreno fértil. A humilhação simbólica e material associada à implosão da URSS foi instrumentalizada na sociedade russa como uma narrativa mobilizadora. Dela emergiu uma doutrina explícita de reafirmação da legitimidade de uma zona de influência própria. A invasão da Ucrânia consagrou isso de forma clara. A mensagem subjacente era de que Moscovo considerava inaceitável que um Estado inscrito na sua esfera histórica pudesse escolher soberanamente um outro destino geopolítico. A humilhação pela "perda" dos países bálticos ficara bem marcada. 

Do outro lado, os Estados Unidos, que durante décadas se apresentaram como principais garantes de uma ordem internacional sob regras comummente aceites, permitem-se hoje gestos que revelam uma conceção de que a soberania dos Estados situados no seu espaço de auto-definida influência tem como limites os interesses americanos. A ideia de adquirir a Gronelândia, por mais irrealista que pareça, funciona como afirmação simbólica de que Washington continua a encarar o sistema internacional como um tabuleiro onde as grandes potências podem reivindicar espaços estratégicos quase sem constrangimento normativo. 

A vítima colateral deste regresso às zonas de influência poderá vir a ser a própria ONU. Durante a Guerra Fria, apesar dos bloqueios frequentes no Conselho de Segurança, as Nações Unidas preservavam uma função simultaneamente simbólica e prática: eram o lugar onde o mundo, mesmo dividido, se reconhecia. Hoje, para as grandes potências, esse modelo parece progressivamente desajustado aos seus interesses. Dispensada a retórica da igualdade formal dos Estados, americanos e russos exibem, sem artifícios, o primado dos seus interesses nacionais. 

A China observa esta dinâmica com uma prudência calculada, mas fá-lo alimentando a ambição de também vir a consolidar a sua própria esfera regional, preocupando vários países da zona do Indo-Pacífico, que durante décadas confiaram na proteção americana, ainda que sob a equívoca fórmula da “ambiguidade estratégica”. 

Resta a Europa. Portadora de uma vocação normativa fundada na primazia das regras, das instituições e do multilateralismo, vê-se confrontada com uma realidade que claramente a ultrapassa. A ordem internacional que lhe foi favorável fragmenta-se. As interrogações multiplicam-se, enquanto as respostas escasseiam. Deste desfasamento nasce um sentimento difuso, mas persistente, de desassossego e de insegurança que marca, de forma indelével, o nosso continente e a nossa geração histórica.

(Publicado na revista "Prémio", março de 2026)

"Não tem o 68?"


Foi a meio desta semana. A operação, planeada a tempo sem urgência, anunciava-se rápida. Entrada no hospital numa tarde e saída na manhã seguinte. Se tudo corresse bem, claro. Correu: muito bem. Por muita descontração que eu me esforçasse por exibir - "vou para lá de Uber", tinha dito em casa -, "on the back of my mind" havia algum receio, disfarçado de esforçado otimismo.

À chegada, ao ser-me indicado o número do meu quarto, inquiri sorridente: "Não tem livre o 68?", como se estivesse num hotel. A senhora olhou para mim, com estranheza: "Não há cá nenhum quarto 68!" E mais perplexa ficou quando me ouviu dizer: "Não há, mas houve". Logo acrescentei, dando uma de velho que quer fazer-se passar por imbatível conhecedor: "Mas isso já foi há muitos anos. Esqueça!" Ela, com mais que fazer do que aturar a minha caturreira, baixou os olhos para a papelada e deve ter pensado: "Sai-me cada um na rifa!".

De facto, só um maduro como eu se lembrava, 58 anos depois, de querer ter a "sorte" de ser inquilino, embora por uma noite, do mesmo quarto que Salazar ali ocupou em 6 de setembro de 1968, na sequência da queda da cadeira. 

Mas, que se há-de fazer?, eu tenho estas manias de fazer um "vêzinho" nos lugares da História!

sexta-feira, março 13, 2026

Mais uma conversa sobre o Golfo...


... desta vez com Jaime Nogueira Pinto. Ver aqui.

Fúria mansa

"O senhor não está furioso?" A pergunta era do afogueado motorista de táxi, que, no domingo passado, me tinha ido buscar a casa para me conduzir até à estação de Santa Apolónia, para partir para o Porto. 

Chegados ao Cais do Sodré, idos de Santos, percebemos que não havia maneira de cruzar para o lado oriental da cidade. Tentámos diversas hipóteses de trajeto, mas, aparentemente, uma mini-maratona tinha criado o caos no trânsito. O Wase, endoidado, apontava para uma volta imensa, pela avenida de Ceuta e sei lá que mais. 

Com a hora do comboio a aproximar-se, já numa hipótese desesperada que passava pelo Príncipe Real, e sem a menor certeza de conseguir aproveitar o horário seguinte, disse ao homem, que praguejava sem cessar, para regressar à minha casa, de onde tínhamos partido há quase três quartos de hora. Fi-lo, ao que presumo, com uma resignada serenidade.

"Mas o senhor não disse que queria chegar ao Porto ainda hoje?", retorquiu, estranhando a minha calma. "Claro que quero. Tenho lá uma reunião, amanhã de manhã, bem cedo. Mas, sendo assim, vou de carro". 

O homem reagiu, olhando, incrédulo, para trás: "E diz-me isso assim com toda a calma?! Não está furioso? Eu, no seu lugar, estava e muito! Vai pagar-me quase vinte euros, tem de conduzir mais de três horas, vai cansar-se e gastar gasolina e portagens. Não está mal disposto com tudo isto que lhe acontece?"

Com um sorriso, interiormente talvez algo amarelo, respondi-lhe. "E o que é que adianta eu estar a aborrecer-me?" Filosófico, acrescentei: "Na vida, aprendi que, quando uma coisa nos corre mal, devemos fazer o esforço para esquecer o assunto de imediato, encontrar uma solução alternativa e passar à frente: o que não tem remédio, remediado está. É assim que eu vejo as coisas. Demorou-me alguns anos a conseguir reagir assim, mas dou-me bem com esta atitude". E é verdade, até certo ponto.

Até eu estava surpreendido com a intimidade que estava a ter com o taxista. Ou talvez a minha atitude tão afirmativa fosse já para o contrariar. Faltou explicar-lhe que ter de fazer a viagem de carro me ia impedir algum trabalho que tinha planeado fazer, no sossego do comboio. Mas não lhe disse que já tinha intimamente organizado uma alternativa: durante a condução, iria experimentar as novidades do Spotify e pôr-me a par das músicas recentes. "À quelque chose malheur est bon", como sabiamente dizem os franceses.

Acrescentei: "A minha preocupação, agora, é ir atestar o carro, que está na reserva, e, depois, arranjar uma mesa para jantar bem num restaurante do Porto. Tinha pensado só comer uma sanduiche, no comboio. Assim, para me compensar, vou jantar "à séria". E, ao domingo, é difícil conseguir um bom restaurante por lá. Essas são as duas "grandes" preocupações que tenho..."

O taxista calou-se por uns instantes. Deve ter achado o seu cliente meio maluco. Para agravar o ambiente, e sublinhar a minha atitude de relativo bem-estar, eu ia cantarolando baixo. 

Talvez para desanuviar, já à chegada a casa, o taxista perguntou-me: "Quem acha que vai ganhar o Benfica-Porto, daqui a pouco?" "Não sei, mas gostava que perdessem os dois". A minha resposta, pelo silêncio que fez, não lhe terá agradado. 

Isto de ser sportinguista tem muito que se lhe diga. Isto é: só ficamos furiosos depois de Bodø. Mas logo passa.

Falemos da terceira guerra do Golfo

 


Pode ver e ouvir aqui.

quinta-feira, março 12, 2026

Formação profissional


Chegou-me há horas pela Amazon um livro de memórias de um diplomata francês, pessoa que conheço há décadas, aliás como acontece com alguns outros colegas portugueses.

Trata-se uma obra minuciosa, que seguramente necessitou de arquivos pessoais muito completos, para obter um total rigor nas datas, nos nomes mencionados, nos dossiês que são desenvolvolvidos. 

Admiro sinceramente quem se aventura por esse modelo autobiográfico, que acaba por se converter num valioso auxiliar para os historiadores. Essa minha admiração também deriva do facto de, ao longo da minha carreira profissional, ter guardado muito poucos documentos, ter tomado muito poucas notas que pudessem um dia servir de "andaimes" para construir algo parecido. Confio na minha memória, o que torna o que escrevo muito mais impressionista, com certeza bastante menos útil. Acresce que, também por isso, nunca cometi a ousadia de escrever uma autobiografia.

No livro em causa, é contada uma história curiosa relativa à Roménia, onde esse diplomata francês foi embaixador. É sabida - e o livro detalha isso bem - a má imagem que os romenos têm no imaginário comum francês. O texto refere os aspetos injustos desse preconceito. Mas conta uma história, que não se sabe se será lenda. 

Numa certa aldeia romena, haveria uma "escola de formação" de assaltantes de parquímetros parisienses. Para "treino", tinham sido "trazidos" de Paris exemplares desses aparelhos, para garantir uma formação mais realista...

O texto não menciona o nome da aldeia, o que me impele a também não mencionar o nome de uma localidade portuguesa por muitos anos conhecida pela "qualidade técnica" dos seus carteiristas. Sendo isso verdade ou não, dizia-se que existia aí um "centro de formação" com um manequim, cheio de pequenos guizos, processando-se as aulas na tentativa de retirada de carteiras sem que disso se "desse fé", como se costuma dizer nessa região.

E aqui fica este texto de fim de tarde, que, em duas historietas, parte das elaboradas memórias de um diplomata francês para acabar na singela memória, quiçá económica com a verdade dos factos, de um seu colega português.

quarta-feira, março 11, 2026

Cuore


Hoje, apeteceu-me deixar aqui esta canção de Rita Pavone, que, na nossa juventude, sabíamos de cor.

terça-feira, março 10, 2026

"Olhe que não, olhe que não"


Esta semana, Jaime Nogueira Pinto e eu falamos da Carta Constitucional de 1826 e de muitas outras coisas a propósito, em mais um podcast do "24 Horas". 

Pode ver aqui: https://youtu.be/Lu92j6dqqpM?is=m2_YgtqO3A6sBDSz

segunda-feira, março 09, 2026

Será?


Em França, o Rassemblement National é qualificado como sendo de extrema-direita, com toda a naturalidade, por parte da imprensa. Em Portugal, onde o Chega está ideologicamente bastante mais à direita do que o RN, parece haver pudor (será medo?) em "chamar os bois pelos nomes".

domingo, março 08, 2026

Estava assim...


... há minutos.

Em Belém



Entrei no palácio de Belém, pela primeira vez, em início de maio de 1974 (foi há muito tempo: maio ainda se escrevia com maiúscula). Tinha ali sido enviado pela unidade onde era militar, para abordar um assunto delicado com um senhor chamado Vitor Alves, um simpático major que só então percebi ser uma importante figura do tal MFA, entidade ainda misteriosa à volta da qual rodava a nossa vida pública de então. 

Voltei lá - e lá estava Vitor Alves outra vez - na noite de 11 de março de 1975, integrado num grupo de oficiais, ou quase isso, que interrompeu uma reunião do "Conselho dos Vinte" e forçou a realização da assembleia do MFA que leva para a História o nome dessa data - dia que, recordo, tinha começado com uma tentativa violenta de golpe de estado spinolista. 

No final de maio desse ano, ali regressei de novo, dessa vez chamado ao Conselho da Revolução, que estava presidido por Costa Gomes, enviado pelo SDCI, o serviço de informações militares onde então estava colocado, para abordar um assunto que igualmente não vem ao caso. No final, fui convidado para almoçar com eles (recordo que eram lulas e nada más). Ah! E Vitor Alves lá estava também. 

Vinte anos mais tarde, recebendo Vítor Alves no meu gabinete do governo na Cova da Moura (curiosamente, o mesmo que tinha sido ocupado por Spínola no 25 de Abril - esse Abril tem sempre maiúscula - e já fora de Botelho Moniz e centro da "abrilada" falhada de 1961) rimo-nos dessas coincidências em tempos revolucionários. 

Creio que, ainda nesse ano único que foi 1975, voltei a Belém, em junho, chamado por Loureiro dos Santos, que ainda não era general e secretariava o Conselho da Revolução. O motivo dessa curta conversa também não é para aqui chamado, mas era menos relevante. Semanas depois eu iria sair do serviço militar e ingressar no MNE.

Depois disso, como diplomata, voltei bastantes vezes a Belém, nos tempos de Eanes e de Soares, mas, naturalmente, nunca para ali ser recebido por qualquer deles. 

Com Sampaio, em funções no governo ou como embaixador, estive ali inúmeras vezes. 

Já outras, poucas, porque não havia razões funcionais que a isso justificassem, foram as ocasiões com Cavaco Silva. Mas, curiosamente, fui o primeiro embaixador português que ele recebeu em audiência após ter sido empossado. 

Coincidiu ter de ir a Belém na tarde da passada sexta-feira, último dia útil dos dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente com quem mais vezes ali estive, não obstante me ter reformado de funções públicas anos antes da sua primeira posse. Diferentes encargos e ensejos levaram a que as coisas assim fossem. 

Na ocasião, o Pátio dos Bichos estava como a imagem mostra.

Creio que nunca até hoje contei em público o trecho de uma conversa que um dia tive, também em Belém, com Jorge Sampaio. Apetece-me fazê-lo hoje. Viviam-se os derradeiros meses da insólita, embora felizmente efémera, experiência primo-ministerial de Santana Lopes. 

Falava com Sampaio de três líderes sucessivos do PSD: Marcelo, Barroso e Lopes. Sampaio comentou qualquer coisa como isto: "Tive com o Barroso uma relação institucional sempre correta, embora não isenta de fortes tensões. Uma delas, por sua causa, como sabe. Do mesmo modo, o Lopes (ele usava uma outra "fórmula" nominativa, semanticamente algo diversa mas divertida, para se referir ao agora edil da Figueira) cuida sempre em manter uma atitude de respeito e um comportamento adequado, não obstante questões várias que têm surgido (Sampaio era muito reservado em matérias de Estado, observando o clássico "need to know" e eu não precisava de saber dos problemas dele com o primeiro-ministro de então). Nesse domínio, da correção institucional, devo dizer que não tenho a menor razão de queixa de ambos. Mas sinto sempre que há qualquer coisa de fundo a separar-me deles. Fazem parte de outra geração, de um outro mundo de vida. Curiosamente, com o Marcelo nunca é assim: com ele, não obstante todas as divergências, e até dificuldades que possam surgir com aspetos da sua personalidade, acaba por passar sempre uma corrente, talvez devido à maior proximidade da idade. Não é da mesma opinião?"

Era e continuo a ser, tanto mais que a minha idade está bem mais próxima da do presidente "sortant", como chamam os franceses ao incumbente até amanhã. Mas devo confessar que, não obstante todo o respeito institucional que me merece, bem como o registo de simpatia e até amizade que não escondo ter por ele, ainda não "assentou o pó", dentro de mim, sobre o saldo da década de Marcelo Rebelo de Sousa como presidente da República. Assim, apetece-me usar a fórmula da contabilidade: no razão desta presidência, pelo método das partidas dobradas, só posso concluir que os débitos ficam à esquerda e os créditos à direita. É o que, nesta fase, tenho a dizer para os autos...

sábado, março 07, 2026

Lá terá que ser!


Como sportinguista, tenho de reconhecer: para o ano há mais. 

É a vida e é apenas uma bola.

Elevadores

Desculpem lá, mas alguém sabe se, com o acidente do elevador da Glória, "morreram" de vez os elevadores de Lisboa? Os restantes não deviam já estar a operar em pleno? Por que será que ninguém fala disto?

Golfo

Com a mania que Donald Trump tem de mudar a toponímia a seu bel-prazer, estou admirado que não tenha começado a chamar "Golfo Arábico" ao Golfo Pérsico, como os árabes gostam (e, já agora, alguns comentadores deviam aprender que os iranianos são muçulmanos mas não são árabes).

"A sombra de Passos"


É muito raro eu colocar por aqui um texto de que não seja autor. Hoje abro uma exceção para este artigo de José Pacheco Pereira.

"Seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo.

Passos Coelho deixou uma herança maldita no PSD, mais funda do que se pensa: o abandono da identidade social-democrata, que mal ou bem tinha sobrevivido até Cavaco Silva. O Governo Passos-Portas-troika foi mais do que um Governo de “necessidade” imposta, foi uma experiência de engenharia social que só não foi mais longe devido às limitações que o Tribunal Constitucional colocou à governação e ao falhanço da tentativa de mudar o programa do PSD que foi entregue à direita radical. Foi isso que significou “ir além da troika”.

Muitas das ideias que hoje estão encarnadas no Chega e na Iniciativa Liberal foram aplicadas pela governação de Passos, em particular a colocação como alvo da austeridade da classe média que tinha ascendido da pobreza pela acção do Estado. Este processo de elevador social era um elemento fundamental do pensamento de Sá Carneiro, e correspondia à tradição social-democrata e à doutrina social da Igreja, a de que o funcionamento do capitalismo e do mercado não eram eficazes no combate à exclusão e à injustiça social, que devia ser uma função garantida por um Estado com um programa que olhasse para a desigualdade e para as suas raízes. O último momento em que o PSD fez uma séria tentativa de aplicar este programa social-democrata foi o Plano de Erradicação das Barracas, com Cavaco Silva.

Mas, como sempre acontece, Passos deslocou o PSD para uma direita radical, atacando a função pública, colocando os “jovens” contra os seus pais e avós com a ideia de uma “justiça geracional”, atacando os sindicatos e retirando direitos aos trabalhadores, privatizando tudo o que pôde, parando apenas quando o travaram, como aconteceu com a Caixa Geral de Depósitos, e fazendo pagar a austeridade aos sectores da sociedade que tinham recentemente saído da pobreza, num processo que tenho classificado como o de “pai lavrador – filha professora primária – neto universitário”. O bloqueio do elevador social em Portugal, como noutros países da Europa, foi um dos factores do ascenso do populismo e da extrema-direita após a crise financeira da banca, que acabou por ser paga por aqueles que nenhuma culpa tinham da ganância que a motivou. Schäuble, um dos seus autores, reconheceu que errou e pediu desculpa, cá nada disso aconteceu.

Mas as políticas moldam os partidos e o PSD nunca mais foi igual. Os discípulos de Passos que não foram para o Chega nem para a Iniciativa Liberal – e muitos foram – estão hoje à frente do PSD, da direcção do partido ao grupo parlamentar. Mas são, de facto, menos “reformistas” no sentido de Passos (e, diga-se de passagem, do Chega), porque são mais tacticistas e perceberam o desgaste eleitoral do Governo Passos-Portas-troika na base eleitoral do PSD, perdendo a juventude para a Iniciativa Liberal e os mais velhos ou para a abstenção, ou para o Chega.

Porém, com ou sem “linhas vermelhas” e “não é não”, é à direita que hoje o PSD está confrontado com a diluição das suas fronteiras sociais-democratas. Essas fronteiras já tinham soçobrado em vários momentos, nas regiões autónomas e na competição com o Chega no mais perigoso tema da imigração. Embora a questão da imigração seja real e tenha havido muitos erros na governação socialista e na incapacidade de reconhecer que havia aqui um “problema”, o modo como Montenegro e o Governo a defrontaram significou um upgrade do discurso do Chega que, a partir daí, dominou a agenda política, e foi o melhor serviço que foi prestado ao Chega. A combinação de uma declaração solene do primeiro-ministro em horário nobre com a rusga hipermediática na Rua do Benformoso, o complemento da declaração dramática de Montenegro, foi sem dúvida o factor mais relevante na ascensão do Chega, que viu a sua visão estrutural da imigração impor-se pela acção do Governo.

Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA

A sombra e a motivação para o frenesim declaratório de Passos, que não tem outro sentido senão um regresso, não se sabe muito bem como, são o chamado “pacote laboral”, a “reforma” que está presente por detrás das suas declarações sobre o falhanço reformista do Governo. Não é por acaso que o “pacote laboral” é a motivação de Passos, embora o alcance da sua acção seja mais vasto. O primeiro passo de Passos é a pressão para um acordo parlamentar de fundo entre o PSD e o Chega e a Iniciativa Liberal, e qualquer acordo sobre a legislação laboral é sempre um acordo de fundo. Depois, esse acordo que daria a maioria às políticas da direita radical mostraria quem manda em Portugal, revelaria a irrelevância da esquerda, a começar pelo PS, e abriria caminho para outros acordos, a começar pelo Tribunal Constitucional e na revisão da própria Constituição. Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega, e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA.

Por isso, o pessimismo da inteligência deve ser nestes dias mais forte do que o optimismo da vontade. Se esse optimismo se dirigir para o combate duro a este caminho, será bem-vindo. É também por isso que seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo."

Um texto aqui publicado há dez anos


"Chega hoje a Belém. Esperemos que para bem. Não votei nele, mas desejo, com a maior sinceridade, que, nos próximos cinco anos, saiba interpretar o interesse do país, que conhece muito bem. Entra de mãos livres, com escassa dependência partidária, o que lhe confere uma maior responsabilidade. Por um tempo de graça cuja duração só dele depende, terá a possibilidade de ser o presidente da "acalmação", como noutros tempos se dizia.

Julgo que o conheço bem, mas quantos de nós não dirão o mesmo? É um homem inteligente, arguto, rápido, perspicaz. Por muito que o olhemos sempre no meio de muita gente, é um solitário. Confia imenso em si mesmo, porque a vida lhe tem dado razões para isso, porque a sorte também o tem bafejado, embora a sorte dê muito trabalho. Espera-se que, em Belém, saiba ouvir e seja capaz de refrear um estilo impulsivo que, por vezes, o fez cometer alguns erros. Erros que, no entanto, não foram suficientes para estragar o "percurso limpo" que, com maestria estratégica, o levou até à Presidência - verdade seja que também por falta de comparência de uns e por falta de jeito de outros.

Não vale a pena sublinhar o contraste que fará com a imagem de Cavaco Silva, que ele procurará tornar muito evidente, sem nunca o dizer. O seu modelo de presidente, também sem o dizer, é, na realidade, Mário Soares - no abraço, na afetividade, na simplicidade que, nem por ser ensaiada com coreografia de mestre, de uma forma tão natural que já faz parte de si mesmo, deixa de ter alguma coisa de genuíno. No fundo, estou certo de que, no dia que sair de Belém, também lhe não desagradaria ser comparado, em postura ética, a Jorge Sampaio. Mas também nunca o dirá. Será igual a si mesmo. Enfim, logo veremos!"

sexta-feira, março 06, 2026

O sinaleiro de Belém


Lá estava ele, hoje à tarde, o sinaleiro do cruzamento de Belém, perto da Versailles nº 2. 

Nunca percebi a lógica das aparições deste que me parece ser o único sinaleiro de Lisboa  - em tempos não muito longínquos, vi outro em S. Mamede.

Se alguém souber a resposta para isto, não a dê, para manter o segredo.

Líderanças


Parece não se confirmar que esta afirmação de Trump tenha alguma coisa a ver com a liderança futura do PSD.

Perfilados de medo



Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
e a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido...

(Alexandre O'Neill)


quinta-feira, março 05, 2026

Gibert Jeune

Tive o privilégio de pertencer a uma geração, com pouco dinheiro mas muita sorte, que conseguia flanar algumas vezes por Paris, do final dos anos 60 em diante. 

De início, chegávamos à boleia, outras vezes no Sud, à Gare de Austerlitz, mais tarde em viagens aéreas baratas e, depois, já nem por isso. 

Recordo-me que, das primeiras vezes, um dos lugares tradicionais de encontro com amigos ou conhecidos, nessa época sem telemóveis, era a Place Saint-Michel, junto à fonte, ao final do dia. 

Comprar livros novos, na Paris desse tempo, era um luxo. Nas Gibert Jeune ou nas Gibert Joseph, os saldos, de livros novos e usados, eram sempre magníficos. Só que, depois, era difícil transportá-los para cá. Alguns ainda por aí andam nas estantes, com poucas páginas lidas. 

Leio que a Gibert Jeune da Place Saint Michel fechou portas. Pronto, que se há-de fazer!

Médio Oriente


Ver aqui

António Lobo Antunes


Morreu António Lobo Antunes, um dos escritores maiores da língua portuguesa. Fui seu leitor desde o primeiro livro, embora não tenha lido toda a sua obra. Só o vim a conhecer pessoalmente quando vivi em Paris, capital de um país onde ele era admirado, estudado e muito divulgado. Tive-o por diversas vezes em eventos na embaixada que chefiava, jantámos em algumas ocasiões, charlámos em público outras. Tal como eu, ele admirava Melo Antunes, que cruzara na guerra colonial e de que fora um amigo muito próximo. Na relação social, António Lobo Antunes tinha, em permanência, a atitude que os franceses qualificam de "nonchalant", que desarmava os interlocutores e os deixava na dúvida sobre a importância que realmente dava às conversas. Era um homem brilhante, com tiradas magníficas, como luminosa era a sua escrita, da crónica ao romance, através da qual mantinha uma espécie de eterna guerrilha virtual com José Saramago, que se lhe terá adiantado no Nobel da Literatura por que visivelmente ansiava, embora o não quisesse admitir. A última vez que falámos foi, já há anos, na tarde de um sábado, na livraria Ler, em Campo de Ourique. Felicitei-o então pelo anúncio de que a Gallimard tinha decidido incluir a sua obra na prestigiada coleção Pléiade, ideia infelizmente ainda não concretizada. Disse-lhe que era uma extraordinária consagração; notei que ele estava compreensivelmente feliz com a notícia. O Nobel veio à nossa conversa, que por ora prefiro guardar. Deixo um abraço de muito pesar aos meus amigos e seus irmãos Miguel e Manuel.

Eles à bulha

Desde que o PSD (ainda PPD) existe, sempre achei muita graça aos seus dissídios internos. Era sempre um gosto ver aquela gente "à bulha", porque pressentia que isso ia ser bom "para nós". Nos dias de hoje, por que será que quase (só quase, claro) sinto pena de Montenegro?

quarta-feira, março 04, 2026

"Olhe que não, olhe que não"


A minha conversa semanal com Jaime Nogueira Pinto, desta vez falando de jornais.

Pode ver clicando aqui.

terça-feira, março 03, 2026

Espanha


A Espanha é dos escassos países europeus cuja atitude, face aos EUA, merece a minha admiração.

Isso é que era!


Pena foi que Portugal nunca tivesse mandado a dona Gertrudes Thomaz a uma reunião da NATO.

segunda-feira, março 02, 2026

"Livros!"


"É proibido ter livros?" retoquiu o estudante a um dos pides que tinham invadido a "república", onde vivia com uma dezena de colegas, e que, de rompante, lhe entrara pelo quarto dentro. 

O homem, à vista de uma estante apinhada de volumes, e desapontado por não ter descortinado nada de suspeito, nessa incursão repressiva que tinha outros alvos, havia soltado um desdenhoso "Livros!"

"Não é proibido, mas é um mau começo", respondeu-lhe o esbirro da António Maria Cardoso.

O fascismo era também isto.

Duas amigas

Regozijo-me ao ver duas amigas, com profissões muito diferentes, assumirem agora posições que representam óbvios passos em frente no seu percurso, como reconhecimento do seu mérito e como oportunidade para porem em prática a experiência entretanto adquirida. 

Falo de Helena Carreiras, eleita reitora do ISCTE, e de Valentina Marcelino, que vai assessorar politicamente o novo ministro da Administração Interna. 

Conheço Helena Carreiras do tempo em que ambos integrámos a direção do Clube de Lisboa e, depois, ao acompanhar e pontualmente colaborar com a sua ação como ministra da Defesa. 

Trabalhei de perto com Valentina Marcelino no MNE, há mais de 30 anos, tendo observado depois, em Londres, o seu percurso na BBC, bem com a sua posterior especialização, como jornalista, na área onde agora vai operar.

A ambas desejo muitas felicidades.

"Da Guerra e da Paz"


Colóquio promovido pela Associação Bento de Jesus Caraça. 

Ver clicando aqui.

Ainda não decidi

O procurador especial que, há uns anos, investigou Donald Trump morreu. O presidente americano colocou esta mensagem numa rede social (não, ...