Sem surpresas. O lançamento da candidatura de Sampaio da Nóvoa correu bem e não trouxe a menor surpresa. O que é bom e é mau.
O candidato projeta serenidade e seriedade. Com facilidade, sabe-se ao que vem. Pressente-se aquilo a que, se for eleito, será sensível e atento. Fica evidente que, com ele, o país terá em Belém uma referência ética. Sampaio da Nóvoa é, por ora, o candidato de um país ultrajado com o descaso da governação que a (falta de) sorte nos trouxe em rifa. Pretende reconciliar o país com a política, embora para isso percorra a linha muito fina e arriscada do distanciamento dos partidos, que historicamente foi pasto para algumas derivas menos felizes. Mas é um homem que, não sendo ainda íntimo do país, oferece confiança. Falo por mim.
Do que não gostei no lançamento da candidatura? Dos presentes. Ter uma sala cheia de cabelos brancos ou coloridos, de reservistas da política, de "has-been", daqueles a quem as reformas foram cortadas, dos que sofrem as agruras das quebras do Serviço Nacional de Saúde, dos que se escandalizam e penam com as discricionaridades na justiça e no fisco, dos que assistem indignados ao caos na educação, dos que têm familiares desempregados ou emigrados, enfim, dos indignados com as "trapalhadas" - isso é demasiado fácil e não faz (ainda) uma candidatura. Estava ali muito do anti-cavaquismo, da revolta contra as manigâncias dos que se deliciaram para além da "troika", mas isso não chega. Gostava que o lançamento desta candidatura tivesse mobilizado gente mais nova, quadros em faixas etárias ativas, de uma sociedade civil que vá muito para além do (óbvio) serviço público. Enfim, gostava de ter visto Sampaio da Nóvoa mais ao lado do futuro do que de um presente indignado. Como é o meu caso.
Ah! E faltou Eanes, claro. Não é general para essas guerras. Estão lá Soares e Sampaio? Ele não, reservar-se-á para outros momentos. O único ex-presidente que o candidato escolheu como referente moral só emprestará as suas cinco estrelas a ocasiões especiais, onde o palco seja só seu. Mandatário nacional? Patético, mas também sem surpresas.