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terça-feira, janeiro 27, 2015

Síndroma de Estocolmo

Tem algo de patológico o conhecido "síndroma de Estocolmo", o estranho sentimento de afetividade que alguns raptados criam face aos seus raptores, depois um período de pressão psicológica. O governo português parece ter-se tomado de amores masoquistas pelas receitas da Alemanha, na lógica do "quanto mais me bates mais gosto de ti". Deve provocar sorrisos piedosos nos corredores da chancelaria berlinense este afadigado seguidismo face às versões mais radicais da austeridade, este extremado tropismo a fingir de "nórdico", este liberalismo obsessivo que atravessa a maioria cessante.

Lembrei-me ontem disso ao ouvir as lamentáveis declarações do primeiro-ministro, desqualificando de uma forma muito pouco elegante as propostas do Syriza, com o objetivo claro de agradar à tutela alemã. Foi triste e alguém deveria dizer ao dr. Passos Coelho que, nas relações internacionais, é de bom tom manter respeito pelos seus contrapartes, em especial tratando-se do líder eleito de um país aliado e amigo. Por maiores que sejam as divergências que tenha face às suas opções políticas, causa-me sempre um grande incómodo ver um qualquer dirigente do meu país fazer "tristes figuras" na ordem internacional, como ontem aconteceu. Já quanto aos comentários, também de grande infelicidade, do dr. Pires de Lima sobre o mesmo assunto, acho que já todos levamos isso à conta da sua estranha propensão recente para as graçolas de mau gosto, que tem vindo a desgastar a sua imagem. Estará o governo a perder a cabeça?

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...