A frieza anglo-saxónica consagrou a frase "there is no such a thing as a free lunch" para significar que um convite para uma refeição, por princípio, tem sempre de trazer "água no bico", isto é, nunca será totalmente "grátis". Lembrei-me disto, há umas semanas, quando convidei para almoçar um conhecido com quem tenho uma relação de simpatia e que já não via há alguns anos. A certo ponto da conversa, talvez surpreendido por eu não lhe ter pedido nada, comentou: "E então? Necessita de alguma coisa de mim?"
Há pessoas que não entendem que uma ocasião como um almoço pode não ser mais do que isso e que nem todos são como eles, que vivem na ansiedade de aproveitar o instante "entre la poire et le fromage" (nunca percebi por que diabo os franceses trocam, na expressão, a ordem natural dos pratos dentro da refeição) para avançarem com um qualquer pedido.
No que me toca - gabando-me, com prazer, de nunca ter convidado alguém para almoçar para lhe "meter uma cunha" -, cada vez mais aprecio almoços "sem agenda", de pura e grave "conversa fiada"...