Pela voz do chefe da sua diplomacia, Portugal expressou no Conselho de Segurança o conjunto de razões pelas quais considera que a credibilidade daquele órgão da ONU ficará em causa se, através dele, não for possível dar expressão à indignação que atravessa os meios mais responsáveis da comunidade internacional, face à repressão sangrenta a que as autoridades sírias condenam grande parte da sua população.
A presença portuguesa no órgão mais relevante da ONU, lado a lado com outros países ocidentais, mas igualmente com parceiros do mundo árabe, defendendo os valores da paz, da tolerância e da democracia, é algo que dignifica o nosso país, que dá visibilidade a uma ação externa que é pautada pelo diálogo e pela busca de compromissos mas, igualmente, pela firmeza na defesa de princípios que entendemos essenciais para a construção uma sociedade internacional mais justa e mais estável.
Aqueles que, no passado, colocavam em dúvida o interesse e a racionalidade da opção por uma candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança, interrogando-se sobre a utilidade desse esforço, podem ter agora a resposta através desta visibilidade de que Portugal usufrui. É que - como por aqui tenho dito várias vezes - existe por aí um país antigo, que o mundo vê hoje como um parceiro político sólido e confiável, que está muito para além das dificuldades na esfera económica que conjunturalmente atravessa. Esse é o país que a diplomacia portuguesa, como garante da continuidade da imagem externa de Portugal, procura representar e afirmar.
