Inicio hoje funções (também) na UNESCO. Para além de dirigir o trabalho diplomático português em França, cabe-me, a partir de agora, representar o nosso país numa organização que tenta que o projeto universalista da paz se concretize através da educação, da ciência e da cultura.
Por ironia, são precisamente as clivagens políticas que levam a que a UNESCO atravesse hoje um período algo complexo, com fortes restrições orçamentais, que muito afetam o seu funcionamento e os seus programas. Não é a primeira vez que a organização passa por tempos turbulentos e, estou certo, vai conseguir, tal como já aconteceu no passado, ultrapassá-los.
Portugal tem um histórico de trabalho muito positivo na UNESCO. Melo Antunes desempenhou um lugar cimeiro na organização e, no plano diplomático, Portugal foi nela representado por figuras que deixaram uma sólida marca de prestígio. O êxito da campanha que levou, há poucos meses, à consagração do Fado como "património imaterial da humanidade" testemunha bem o grande profissionalismo da nossa presença na organização.
Esse passado faz também parte da responsabilidade que agora herdo. Espero poder assegurar uma passagem de testemunho segura e, em especial, estabelecer com a diretora-geral da UNESCO, Irina Bukova, por feliz coincidência uma amiga pessoal de há muitos anos, um frutuoso ambiente de trabalho.
