Os telejornais televisivos, logo seguidos da imprensa, divulgaram, há pouco, um pequeno filme de uma conversa, na abertura da reunião do Eurogrupo de hoje, entre os ministros das Finanças de Portugal e da Alemanha.
O filme foi feito à distância, mas foi captado o som da conversa, traduzida com legendas. A troca de palavras era, naturalmente, para ser mantida sob reserva, dada a extrema delicadeza do que estava a ser comentado. Estamos perante um caso flagrante de escuta, uma invasão inaceitável da privacidade dos dois interlocutores, que não sabiam que estavam a ser ouvidos. No caso do ministro alemão, o que disse pode, facilmente, colocar-lhe problemas parlamentares.
Se há limites para as práticas intrusivas da comunicação social, este era, claramente, um deles. Uma imprensa que já segue práticas deste género autoqualifica-se. O "chicospertismo" mediático tem de ter um limite.
