domingo, 5 de março de 2017

Macron


Ontem, alguém lembrava: "aquilo em França é tudo em "on": é o Macron, é o Fillon, é o Hamon, é o Mélenchon...".

Se a direita democrática não se vir livre rapidamente de Fillon (o nível de assistência ao comício no Trocadero, em Paris, daqui a horas, pode ser um fator decisivo - e, em princípio, vai chover), colocando Alain Juppé no seu lugar, a probabilidade de ter Emmanuel Macron no Eliseu é muito elevada. Grande parte do PS, que não aceita Hamon, está a passar-se para o seu lado.

Macron afirma que não é nem de direita nem de esquerda - o que é uma frase típica de quem é de direita, como a História nos ensina, sem uma única exceção. (A regra é igualmente válida para quem diz que "essa coisa de esquerda e direita é uma dualidade ultrapassada e sem sentido")

Faz-me lembrar um colega da Carreira, um homem simpático que, para o meu gosto, tinha uma coreografia opinativa demasiado mimética com os poderes de turno e que um dia apregoava, em tempos de prevalência conservadora pelos claustros, ao serem-lhe lembradas algumas anteriores ligações à esquerda: "eu não sou de esquerda nem de direita, sou alentejano". Tá bem, abelha!

3 comentários:

Anónimo disse...

Mas entre a abelha e Marine eu escolho a abelha e imagino que vossa excelencia fara o mesmo.

Quanto à esquerda escolher o Macron, nao foi este que escolheu o Hamon... e diga-se até "o seu amigo" Bayrou escolheu o Macron...

Pode ser que o tipo nao seja tao mau quanto isso.. Mas uma segunda volta com Macron e Le Pen é melhor que uma segunda volta com Hamon e Le Pen, que me parece seria demasiado tensa. (E enquanto a direita moderada votara caso necessario em Macron, nao a vejo necessariamente a votar Hamon, o que em caso de tal necessidade poderia ter por desfecho a vitoria da senhora indesejavel).

Macron tera de ser habil para poder unir e governar a França de hoje. Conselhos e conselheiros nao lhe faltarao.

(Acreditar que Juppé poderia passar a segunda volta parece-me prematuro. Juppé pode matar a candidatura de Macron e fazer Hamon passar a segunda volta, o que nao me parece boa ideia, como ja disse)


Courage!

Anónimo disse...

Falta ainda explorar o fillon digo filão das relações de Macron à Arábia Saudita. Será o bon chic bon genre no poder.

Anónimo disse...

Mas quem é que na politica francea nao tem relaçoes com a Arabia Saudita? So Melenchon ou Le Pen. Fillon eventualmente poderia ser mais duro com os paises do golfo e com toda a razao. O problema é que quem quer uma carreira politica nao pode errar tanto.

Agora o papalvo Melenchon, e loira de melena nenhum deles sera capaz de grande coisa,apenas de destruiçao, nao de construçao.

Macron, eventualmente, sera alguem que defendera menos uma certa especie de nacionalismo frances, por outro lado a França nao precisa de nacionalismo, precisa de uma identidade que represente todos os seus cidadaos, em que todos se revejam (pelo menos a grande maioria).