segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Contras e prós

Não foram poucas as vezes que achei algumas escolhas temáticas de Fátima Campos Ferreira para o seu "Prós e Contras" algo descabidas. Mas sempre vi, da sua parte, mau grado certas opções menos felizes na escolha de intervenientes e até, por vezes, deficiências na condução do programa, uma vontade de trazer para o debate público uma reflexão séria. E nunca alinhei nas leituras conspirativas que, aqui ou ali, foram feitas de que tinha uma "agenda" interventiva no quotidiano político. Pelo contrário: tenho-a como uma jornalista que, ao longo da sua carreira, sempre se esforçou por estruturar uma imagem de independência.

Choca-me - diria mais, entristece-me bastante - o facto de Fátima Campos Ferreira se ter prestado agora àquilo que não passa de um óbvio frete político (não tenho outra palavra, Fátima, desculpe lá!), claramente dirigido contra o principal partido da oposição, num tempo pré-eleitoral que recomendaria à RTP, que todos nós pagamos, um mínimo de isenção.

Fátima Campos Ferreira, uma pessoa por quem não escondo que tenho consideração pessoal, comete com esta sua (será sua?) decisão um erro que irá manchar, para sempre, a sua imagem como jornalista. Espero que tenha disso consciência.

20 comentários:

Valdemar Iglésias disse...

Como a coligação de direita estava a perder no debate directo, tiveram que subir a parada.

Não vai mudar nada.

Vão perder estas eleições.

Anónimo disse...

Somos um País de conversa e de bocas (sound bite aí para os do sul e “ilhas”). Claro que isto não é assunto para um programa de exibição da realidade, muito menos em campanha de “vindimas”. E é de muito mau agouro se foi imposto… nem no tempo do “saudoso”…
Quanto ao assunto em si, só tem uma solução: O Rangel sentar o “cu no mocho” e os juízes em abaixo-assinado, por larga maioria diversificada quanto a “alinhamentos” (nada de representantes porque já não acreditamos em representantes), dizerem da sua justiça. Qualquer discussão extra é para nos confundir e ficarmos ainda mais convencidos do que o que estamos!

Anónimo disse...

O que é que esperava?
É melhor esquecer a consideração que a tal senhora ainda lhe merece!

Anónimo disse...

O que é que esperava?
É melhor esquecer a consideração que a tal senhora ainda lhe merece!

Anónimo disse...

Excelente texto.

No entanto deviam também ser entrevistados, Alberto Costa,Noronha do Nascimento, Pinto Monteiro e Marinho Pinto.

Anónimo disse...

Os socialistas sempre confundiram "isenção" com "intocabilidade". Nada de novo.

Luís R. Valente

Anónimo disse...


"Há poucos dias, explicavam-me que Passos não dar uma entrevista à RTP era não só um facto inédito, como uma pouca vergonha.

Agora, que a entrevista está marcada, há quem me explique que é a RTP a contribuir para a propaganda da coligação.

Há poucos dias, explicavam-me que Rangel fez umas declarações sobre a justiça e Sócrates que foram autêntico tiro no pé da coligação.

Agora, que a RTP vai fazer um programa (P&C) onde esse tema será abordado, explicam-me que é mais propaganda a favor da coligação.

Por favor, decidam-se. Ou então vão lá tratar da esquizofrenia."

Anónimo disse...

Dizer o quê?!

Anónimo disse...

Volto a perguntar: se acham que a justiça não é influenciável pela política, que cara podem ter para chamar "prisão política" ao caso Sócrates?


Catinga

(sem paciência para fazer login)

Antonio Cristovao disse...

Manchar para sempre)? por trazer um assunto em que se nota, nitidamente resultados que não são comuns aos governos anteriores? e em que ninguém do governo, trata directamente?
Será incomodo para alguns,preso44, Miguel Macedo, Duarte Lima...mas que saibamos, não foram estranhos(ou os agentes da justiça) que andaram a pedir fotocopias ou dar vistos gold; foram os próprios e acho comprometedor quem se indigna em que se aborde a justiça/corrupção, agora na véspera das eleições; então quando é que será oportuno?

Anónimo disse...

A tentar tudo para que o Maninho se mantenha no Governo. Devia ter vergonha na cara

Anónimo disse...

Ao que isto chegou! Estão a brincar com o fogo...

Anónimo disse...

Aquilo que parece ás vezes é. Passo a explicar, com esta atitude a RTP fez o jogo do PS, claramente já toda a gente entendeu que não haverá maioria absoluta para ninguém. Sendo assim o PS que tenho duvidas se ganhara sequer as eleições, tem agora na mão o motivo para a vitimização. Gostaria que a Cãndida Almeida, Pinto MOnteiro e por ai vai fossem também chamdos a terreiro, porque sempre me cheirou que quiseram abafar tudo o que de indicios havia contra Sócrates. Ai sim achincalharam a magistratura e a justiça Portuguesa que já de si não é lá grande coisa. Mas infelizmente pelo poder vale tudo.Como tal continuam estes joguitos de clubite partidaria que já só enganam os tolinhos. Aliás as sondagens tem dito isso.

Jaime Santos disse...

Como Miguel Sousa Tavares vai fazer parte do painel, eu estou mais descansado. E isto porque ele não deixará de fazer a pergunta inversa: existe interferência da Justiça na Política? As violações do Segredo de Justiça no caso de Sócrates (e antes noutros) são uma forma de deixar cair factos para a opinião pública que se não servem para influenciar as Magistraturas Judiciais no momento de julgar, servem então (ou também) para quê? Isto além de constituírem uma grave violação dos Direitos de Defesa de um Cidadão, o que é o aspecto mais grave, como é óbvio. Não estamos a falar de uma brincadeira, mas da violação de um dos princípios mais básicos do Estado de Direito, o Princípio da Legalidade Processual. Se esta não for garantida, o Processo é nulo, independentemente da inocência ou culpa de quem é acusado. A Justiça não se define só pelo fim que pretende atingir (o esclarecimento da Verdade dos Factos e se necessário a Punição de quem violou a Lei), mas igualmente pelos Meios que utiliza nessa prossecução... Convém lembrar que nos EUA, no caso dos chamados 'Pentagon Papers', o caso contra o Ellsberg desfez-se quando se descobriu que a Casa Branca tinha tentado desacredita-lo violando a Lei. Qual é a nossa tradição jurídica nesta matéria?

EGR disse...

Senhor Embaixador: o decurso do programa prova plenamente o que escreve.`
toda a primeira parte serviu para um sujeito repelente que acode por Octávio Ribeiro,que dirije um pasquim chamado "Correio da Manhã", destilou o seu odio a Sócrates.
Com total cumplicidade de Fátima Campos Ferreira.
O frete ficou bem vista.

Anónimo disse...

Pelo contrário fui muito bem elucidado pelo diretor do correio da manhã de que os comentadores estão ao serviços de interesses particulares a condicionar a opinião pública. Assim, agora se compreendem bem os ataques àquele jornal e a irritação dos referidos durante este tempo todo.
A conversa que estava prevista, de que a justiça foi condicionada na sua atuação, foi habilmente contornada e ainda bem porque aumentaria a confusão uma vez que só pode ser esclarecida pelos próprios juízes condicionados e não pelo painel disponível.
Finalmente concluiu-se que Salazar deixou isto tão bem "armadilhado". De tal sorte que as "desgraçadas" das corporações não veem mais nenhum interesse senão o próprio. O raio do Salazar também deve estar na origem do temporal de amanhã que me irá deixar todo molhado na vinha...

jj.amarante disse...

Pareceu-me que o programa correu bem, tendo o director do Correio da Manhã sido justamente atacado por quem o ladeava e pelo Miguel Sousa Tavares que defendeu bem a tese que a politização da justiça tem sido feita mais de dentro para fora do que de fora para dentro. Querendo com isto dizer que o executivo tem muito pouca capacidade de condicionar os magistrados existindo pelo contrário a possibilidade de estes agirem segundo uma agenda política própria, impunemente, pois os seus pares não lhes pedem explicações por esses comportamentos desviantes.

Não me pareceu que a Fátima Campos Ferreira tenha feito um frete a quem quer que seja.

Francisco Seixas da Costa disse...

Não pude ver o programa e, sendo eventualmente relevante o que nele possa ter sido dito, muito mais importante foi o facto dele ter tido lugar sob um tema que, manifestamente, era inadequado a um período pré-eleitoral. Todos sabemos a quem poderia aproveirar a invocação desse tema, neste preciso tempo político e judicial. E à televisão paga por todos nós temos o direito de pedir independência.

Anónimo disse...

A montanha pariu um rato! Não vi no programa nada que interferisse com o calendário eleitoral nem que fosse atentatório de qualquer dos partidos em escrutínio.

Anónimo disse...

anónimo das 10:37, é o que dá o estarmos (imagino que também esteja) alerta a estes consecutivos sinais de abafo democrático.