sábado, 1 de novembro de 2014

Estado (quase) islâmico

Foi há pouco. Tinha o carro parado, com motor a trabalhar, janelas abertas, à espera de uma pessoa. Era uma avenida sem ninguém, em Lisboa.
 
A rádio estava ligada na Antena 2. Era um programa sobre poesia, aparentemente um espetáculo público, com apresentação de um brasileiro. A certo ponto, o apresentador convidou, em francês, outra pessoa a ler um poema em árabe, "não porque alguém vá perceber, mas para sentirem o caráter melodioso da língua". Achei graça ao exercício, aumentei um pouco o som e, durante dois ou três minutos, ouvi a "lenga-lenga", de facto sonoramente bela, do que seria o tal poema.
 
Estava eu nisto entretido quando, no passeio ao lado, surgiram duas senhoras, bem idosas. Notei-lhes o olhar grave, desconfiado, ao passarem junto ao carro, ao ouvirem uma litania em árabe, ainda por cima num tom enfático, quase de proclamação. Hum...! Um carro com o motor a trabalhar, sem quase ninguém por perto, num local deserto de Lisboa, de onde saía uma voz árabe! Não pode ser boa coisa! Vi-as subirem a rua, cochichando uma para a outra, deitando, a medo, miradas repetidas para trás, talvez levando os meus óculos escuros à conta de disfarce. Chegaram à esquina seguinte, pararam, deitaram um último olhar severo e desapareceram. Terão ido chamar a polícia?  

6 comentários:

Antonio Cristovao disse...

felizmente estava em Portugal.Numa cidade inglesa tinha a policia a investigar em menos de dois minutos, como aconteceu mais de uma vez com amigos meus.

Anónimo disse...

Como se diz na minha aldeia: "Quem tem cú, tem medo"...
ah ah ah ah aqh

Joaquim de Freitas disse...

Sabe-se bem que os muçulmanos são os autores do maior numero de crimes em Portugal. E que os Árabes bombardeiam quase todos os dias um pais europeu por causa do petróleo.

O obscurantismo existe em muitos países por razoes diversas. Aqui próximo de minha casa tive um exemplo interessante : tendo acompanhado a minha Esposa numa casa de frutas e legumes, fui testemunha dum problema criado pela presença dum jovem com a pele muito escura ,grandes olhos negros, uma cabeleira negra que me causou uma certa inveja, e que tinha na mão um garrafa de sumo de laranja, que queria pagar com um cartão de crédito, que a empregada recusava por ser uma quantia inferior a 10 euros.

Um diálogo difícil entre a empregada e o cliente, que falava um francês incompreensível, levou-me a intervir para os ajudar. Perguntei-lhe se falava inglês e o sorriso de satisfação apareceu logo. Expliquei-lhe a situação. Não tinha dinheiro liquido. No momento de abandonar a transacção perguntei-lhe se vivia próximo. Sim, muito próximo , num grupo de apartamentos de estudantes estrangeiros. Ofereci-lhe de pagar eu o sumo e que depois , quando passasse por ali deixasse a soma ridícula à empregada que conheço bem. Assim fizemos. Os comentários da fila entretanto aumentavam porque era de certeza um emigrante ( como se os emigrantes tivessem cartões de crédito) a caminho das tendas de Calais, onde centenas de pobres desgraçados oriundos maioritariamente das antigas colónias britânicas procuram esconder-se nos camiões para ir para o Eldorado : A Inglaterra!

Já cá fora, voltei a encontrá-lo, agora acompanhado por outro individuo da mesma nacionalidade que encontrou por acaso e também vinha fazer compras.

O meu amigo "emigrante" era um estudante nativo da Índia (Delhi), que fazia um Doutoramento na INRIA, em Montbonnot, a 3 km da minha residência, organismo publico de pesquisa , dedicado às ciências e tecnologias do numérico.

Esta historia fez-me pensar no meu Minho natal, onde muitas vezes ouvia pessoas idosas e muito crentes tratar de "judeu" alguém que tinha tratado mal alguém ou mesmo o gato da casa ! Nunca pude fazer crer aos meus avôs que o Cristo era Judeu e não fazia mal a ninguém!

Anónimo disse...

Como diz o JR de Oliveira ele há estado sólido, líquido, gasoso ... E islâmico...

Anónimo disse...

Os árabes ! Sempre suspeitos!
No passeio em frente da minha casa, uma familia árabe estaciona frequentemente ali o seu carro. Outros vizinhos já me disseram que aquilo era uma ousadia e que deveria intervir. Até a minha mulher quase chegava a caír na tentação...
Mas o passeio não é nosso !
- Mais tout de même ! O carro sempre ali encostado ao muro perturba os vizinhos...
- Pois é, coitados, vamos então começar a lá pôr o nosso em vez de o meter todos os dias na garagem...
José Barros

Anónimo disse...

Não existe perigo S.Sócrates Vela por nós !