quarta-feira, 23 de julho de 2014

Obras

- Ó mãe! Onde é?

Era uma miúda creio que com menos de 10 anos. Estava sentada com os pais, a olhar a televisão, a ver algumas imagens da etapa da Volta a França, num café de Vila Pouca de Aguiar, hoje, depois do almoço.

- É na França, disse a mãe.

- E lá não há obras?

- Obras? Claro que há obras!, foi a resposta do pai, em tom irritado, sem tirar os olhos do plasma e a mão da Super Bock.

A miúda calou-se. Mas eu percebi bem o que ela queria dizer.

Gosto imenso de ver as reportagens televisivas do "Tour", cada vez mais bem realizadas. E há anos que me delicio com os panoramas soberbos que temos o privilégio de observar, com as bermas bem arranjadas, com os campos alinhados, com os muros impecáveis e, em especial, sem os estaleiros eternos de obras, que fazem parte do cenário calisto deste nosso país.

Por lá, por França, apeteceu-me dizer à miúda, também há obras, mas há o cuidado - melhor, a obrigação - de as disfarçar, porque o culto da paisagem faz parte da preservação da qualidade de vida de um país que sabe que ganhar o olhar admirativo dos outros é a condição essencial para continuar a ser o maior cativador de turistas de todo o mundo.

9 comentários:

Azinheira disse...

Não podia estar mais de acordo! Bom gosto e civismo dão-se bem com natureza cuidada.

Anónimo disse...

ESPECTACULAR!!! Neste reino da Dinamarca (O'Neiil) é o que se vê de mau gosto por quase tudo o que é sítio. Até a Câmara de Lisboa quer fazer um leilão dito público para vender ao dito e fantástico Grupo Espírito Santo o quartel dos Bombeiros junto ao Hospital da Luz. Quem projectou o dito cujo: o arquitecto Manuel Salgad, autor do projecto arquitectónico do Hospital da Luz e, actualmente, n.º 3 da Câmara de Lisboa, agora atrás de um tal Medina. Se a panela ferver, ferver... pode ser quer rebente nas ruas! Estamos fartos.

Fernando Correia de Oliveira disse...

Na Suíça, não há obras. É um país que visito uma ou duas vezes por mês, por questões profissionais. Quando digo aos meus amigos que na Suíça, na Alemanha, na Áustria, "não há obras", eles só acreditam depois de lám terem ido várias vezes e olhado para a paisagem com outros olhos. Claro que há obras, mas os estaleiros estão escondidos e a noção de baldio à balda é coisa imcompreensível para estas sociedades da Europa central. A poluição visual em Portugal, com entulho nas bermas das estradas e estaleiros permanentes à vista de tudo e todos é a "assinatura" de uma sociedade sem ética ou estética. E não é preciso ser rico para se ter isso. Basta ter uma certa educação.

Anónimo disse...

Em Portugal, para muitas obras, é um nunca mais acaba!
Na Covilhã, um prédio de uns vinte andares, continua por acabar há mais de 20 anos e, decerto na esperança de um dia continuarem a obra, nunca de lá tiraram a grua...
Todos os anos ali passo e já deveria ter repetido tantas vezes aos meus filhos que agora, ao passar por ali, já são eles que repetem: "Papá, aquela grua ali no leio da cidade..." Sim, sim, é uma obra por acabar. O que não abemos é se a grua já estará muito ruida com a ferrugem...
José Barros

Portugalredecouvertes disse...


Concordo! não deveria existir desleixo nas zonas de espaço público, é uma afronta para quem olha e claro que não gosta

Anónimo disse...

Mas há a outra perspetiva (têm sempre a que lhes dá jeito): Isto é que é o DESENVOLVIMENTO! Exclamação de um deputado do "círculo" em visita a S. Marta e com os sapatos todos enlameados.
Mas as leis existem. A UE obriga a transpô-las. Só que não são aplicadas enquanto não fazem a "adequada" adaptação, como uma que está para sair em que um trabalhador qualquer pode ser o diretor técnico da obra.
É a completa substituição dos técnicos pelo vereador ou politico, com a incompetente (?) complacência das ordens. O objetivo que procuraram desde sempre.
(Lá estou eu, o anónimo, a ladrar e o "antifascista" a arreganhar os dentes sem saber onde morder)

Anónimo disse...

e publicidade? e restos de coisas? e carros abandonados? e postes de tudo? e desleixo permanente e crónico com dezenas de anos? e grafitis? e ruínas? e maisons medonhas de todos os tipos em que cada um um, na fúrias individual e desprezo pela colectividade, faz o que quer?
não?..... ah, c´est La France
NC

Anónimo disse...

Lisboa é o exemplo da porcaria, do desleixo, do lixo, dos estaleiros intermináveis (mesmo quando se diria que a obra estaria terminada...), uma vergonha!..
Para não falar dos buracos e das passadeiras de peões invisíveis...
Só num dos mandatos do engº. Abecassis esteve parecida. Andam todos, PCML e Vereadores noutra...

Anónimo disse...

Acabado de chegar mais uma vez da Áustria e tendo percorrido meio mundo, só posso dizer que Portugal está a anos luz do que é civismo. Em Viena não há parquímetros, graffitis, os prédios têm de uma maneira geral o mesmo tamanho e a mesma configuração, as pessoas só atravessam as ruas nas passadeiras e quando está verde, as obras estão disfarçadas e as paisagens estão todas trabalhadas, não há campos por limpar ou trabalhar. Outra mentalidade da qual não vislumbro que alguma vez venhamos a alcançar.