terça-feira, 4 de maio de 2010

Grécia

Alguns títulos da imprensa portuguesa, na abordagem que fazem da questão do empréstimo dos países europeus à Grécia, são reveladores de uma imensa má-fé, tacanhez de espírito e da ausência de um sentido mínimo do que esse ato representa para o equilíbrio europeu - de que Portugal é o primeiro interessado. Nisso se distinguem, pela negativa, da generalidade da imprensa francesa, onde, por todo o lado, se vê algum cuidado em explicar o que o empréstimo significa e se detalham as razões da taxa escolhida. Porque parece quererem tomar-nos a todos por parvos, alguns dos nossos jornais procuram ainda uma deliberada - e populista - confusão entre o que é um empréstimo com garantias e que (não) é um dispêndio público.

No final de contas, isto quase acaba por ser mais triste do que desesperante.

7 comentários:

José Barros disse...

Mas, ironia à parte, há quem fique na idade dos porquês. Eu só pergunto: porque é que os bancos não emprestam directamente à Grécia sem passarem por terceiros para conseguirem o empréstimo mais barato?

Gil disse...

Imprensa de hoje, dia 4:
1ª página do PÚBLICO:
"Portugal arrisca ter prejuízo com o empréstimo milionário à Grécia
O Estado vai ter de se endividar para dispor de 2000 milhões de euros. E os juros a pagar podem ficar acima dos 5% que deverão ser cobrados a Atenas".

1ª página do DIÁRIO ECONÓMICO:
"Portugal vai ganhar dinheiro com ajuda à Grécia".

Sem comentários...

Anónimo disse...

Excepção feita à TSF que, ontem, convidou o António Peres Metello a esclarecer que não se trata de despesa do Estado, mas de um empréstimo - não entrando assim para as contas do défice. Tomara que não venhamos nós também a precisar de socorro.

Marina Pinto Barbosa

Alcipe disse...

O problema é que os políticos cavalgam esta onda populista e "I want my money back" vai em breve substituir o Hino à Alegria como cântico da Europa... Por quanto mais tempo teremos Europa?

Guilherme Sanches disse...

Memória custa, a do português que só sabe o Padre Nosso até ao "venha a nós".
Depressa se esquece do dinheiro que entrou aos milhões neste pobre país da então CEE.
Será que alguém pensa que caía do Céu?
Seria o S. Pedro que mandava imprimir as notas e as enviava por uma "nuvem de mercadorias", ou seriam outros portugais a ajudar esta grécia de então?
Eu tenho um palpite...
Como se diz por aqui - mais vale ajudá-los ( a versão original é aturá-los) do que ser como eles.
Um abraço

Anónimo disse...

Senhor Embaixador:a chamada comunicão social está infestada por
pessoas que oscilam entre a indigencia de conhecimentos e a má fé.
Para assim concluir basta prestar atenção ao que se ouve e lê

Fenêtre du Portugal disse...

Para o Sr José Barros :

Uma pergunta talvez mais pertinente seria :

Porque que motivo a Grécia não fabrica (ou não pode fabricar) ele própria o dinheiro necessário ?

Na resposta encontrará a... verdade. :-)