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sexta-feira, maio 07, 2010

Protocolo

O serviço do Protocolo do Estado, que fisicamente se situa no Ministério dos Negócios Estrangeiros, é uma estrutura sobre a qual recai, entre uma multiplicidade de outras tarefas (apoio às missões estrangeiras em Portugal, emissão de documentos diplomáticos de viagem, condecorações, etc), toda a responsabilidade na organização dos milhares de pormenores de todas as visitas e viagens de altas figuras do Estado. É um trabalho que exige imenso tacto, posse de uma "massa crítica" de experiência, um grande bom senso e... uma incomensurável paciência. Tenho muitos anos de observação do trabalho do nosso Protocolo, que coincidem com idêntico período de admiração por colegas que, nesse serviço, dão ao serviço público um grande exemplo de dedicação e profissionalismo. Infelizmente, a sua ação, muitas vezes caricaturada por quem conhece mal estas coisas, tende a passar desapercebida, ou melhor, só se destaca se acaso ocorre alguma falha.

Como acontece um pouco por todo o lado, sempre por lá houve colegas mais atentos e empenhados, ao lado de outros que o são um tanto menos. Vai já para muitos anos, havia um chefe do Protocolo um pouco distante, conhecido pela sua escassa dedicação aos detalhes, que repousava o serviço no labor dos seus esforçados colaboradores. Nas visitas ao estrangeiro, a tendência do nosso homem era para se comportar quase como um convidado, dedicando o seu tempo a falar com os ministros ou com os empresários, relegando a "intendência" para os seus funcionários. E estes, coitados, lá iam dando conta do recado. 

Um dia, numa visita presidencial, um assessor do chefe de Estado encontra o nosso homem no hall, entretido numa boa conversata com um famoso empresário, e pergunta-lhe: "Parece que houve uma mudança no horário. Afinal, a que horas é que o senhor presidente sai para o jantar?". E o diplomata, bem embrenhado que estava no diálogo, responde-lhe, leve: "Eh! pá, não sei. Pergunta ao Protocolo..."

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