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sábado, maio 15, 2010

"Le Monde" ibérico

Em quatro colunas com fotografia, o jornalista Jean-Jacques Bozonnet, relata, no "le Monde" de hoje, as medidas de austeridade decididas pelo governo português. Onde escreveu Bezonnet este texto? Em Madrid, onde é correspondente! Àquela distância, admirem-se que a imagem possa ficar desfocada!

Alguém já se perguntou sobre qual será o valor acrescentado que a redação do jornal encontra num texto escrito pela pena informática de um seu colega que se passeia pela Castellana e que não consiga escrever diretamente em Paris, baseado nos mesmos "takes" de agência? Ou nos mesmos jornais que se podem comprar no quiosque parisiense da avenue Friedland? Ou será que é mais "fino" usar um correspondente à distância, a modos de quem comenta as peripécias políticas de Cabul a partir de Islamabad ou de Cuba a partir da Flórida? 

Este tropismo ibérico, a que nem um jornal com a qualidade do "Monde" escapa, repete a prática que era usada por alguma imprensa internacional nos tempos da ditadura portuguesa e faz-me lembrar quando, nos anos 60, as notícias da "revolução cultural" chinesa eram colhidas pela imprensa da boca de "viajantes chegados a Hong Kong".

Longe parecem ir os tempos em que o relato da realidade portuguesa assentava nas excelentes crónicas que José Rebelo fazia para o "Monde", diretamente de Lisboa, nos anos da Revolução de Abril. Esse foi também um período em que a imprensa francesa mandava a Lisboa os seus melhores repórteres. Pela mão de José Rebelo, recordo-me de ter então recebido em casa Dominique Pouchin, para falar sobre a situação política, e de ter passado horas a ajudar Marcel Niedergang a decifrar, no bar do hotel Mundial, a confusão criada pelas diversas siglas da extrema-esquerda portuguesa.

"A Arte da Guerra"

Os estilhaços da bomba Epstein, o novo quadro comercial internacional e o reforço da viragem à direita no Japão. Veja em "A Arte da Gue...