sexta-feira, 31 de julho de 2009

Luas

Ao ver reportada, há dias, a persistente existência de alguns cépticos, por esse mundo fora, que ainda não acreditam na chegada do homem à Lua, em Julho de 1969, não pude deixar de recordar um episódio anedótico anterior, passado em Portugal.

Estávamos em 1957 e a União Soviética anunciara a colocação em órbita do seu primeiro satélite, o Sputnik. Este primeiro passo na aventura espacial, hoje considerado decisivo para tudo o que se lhe seguiu, não foi muito bem visto por alguns sectores oficiais portugueses, quiçá tementes que, com esse êxito, as doutrinas políticas que emanavam de Moscovo pudessem ter o seu caminho facilitado no nosso país.

Ora uma voz da “ciência” portuguesa, o astrofísico professor Varela Cid, concluíra uma teoria sobre o tema que agradava ao regime. E recordo que aí tivemos, com direito a quadro negro e explicações a giz, a demonstração pelo nosso “sábio” luso, na nascente RTP, da "impossibilidade" prática de um satélite poder ser posto em órbita.

Não há limites para o ridículo.

4 comentários:

Santiago Macias disse...

Nunca tinha ouvido falar desse episódio. É para momentos desses, e não só para transmitir jogos do campeonato de futebol de 1987, que a RTP/MEMÓRIA deveria servir.

Carlos F. Oliveira disse...

A história também pode ser lida aqui:
astropt.org/blog/2007/10/04/50-anos-depois/

Francisco Seixas da Costa disse...

Confesso que a nota de Carlos F. Oliveira me deixou perplexo: eu recordo bem a imagem do "sábio" face a um quadro negro, onde, a giz, explicava, de ciência certa, a "impossibilidade" do satélite poder orbitar. Mas será que a vi na imprensa ou que foi na televisão? Pessoa que me referia por vezes o assunto dizia-me ter sido na RTP. Mas já cá não está para o comprovar. Vou tentar saber por outra via.

Francisco Seixas da Costa disse...

As emissões da RTP começaram em 7 de Março de 1957. Ora o Sputnik foi lançado em 4 de Outubro de 1957. Será que a RTP cobriu a apresentação do "professor"? Já a imagem nos jornais (quem tiver acesso às colecções do DN ou do Século poderia verificá-lo) deve ser numa data posterior a 4 de Outubro de 1957.