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quarta-feira, fevereiro 22, 2017

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Pelas redes sociais, dou-me conta de que o "Prós e Contras" da passada segunda-feira, dedicado aos problemas da interioridade do país, foi considerado por muitos uma "seca". Imagino que quem estava à espera de ver discutidos os SMS entre Centeno e Domingues ou a saga do Acordo Ortográfico ou o aeroporto no Montijo ou outra temática "fraturante", como o quase aniversário de Marcelo em Belém, tivesse ficado desiludido ao assistir a uma discussão serena, sobre questões que importam à vida das pessoas, sem histerias nem provocações. Como é sabido, as boas notícias não são notícia e, como ficou patente naquele debate, já há boas notícias, embora não suficientes, no que respeita à tentativa de ultrapassagem das questões da periferização dentro do país. Percebo que não seja muito "sexy" ver os mais populares programas televisivos "raptados" de Lisboa, da agenda da capital, desse mundo que vive entre os jornais e os deputados, entre os donos do regime e os que os comentam. As televisões, como se queixava com razão uma participante, mostram ainda o interior como um espaço de tipicismo rural, decadente, feito de clichés de aldeia, de cabelos brancos e de uma simplicidade amável parada no tempo, para a qual alguns olham com paternalismo complacente. Ora o que este programa ensinou ao país é que nesse interior - e esta edição foi gravada em Vila Real - há hoje interessantes fatores de inovação e de rutura com o marasmo, a despontarem por muitas das suas terras, jovens com iniciativa a sacudir o fatalismo do destino, instituições a pilotarem a modernidade, uma massa crítica pensante muito para além do paroquialismo, autarcas a olhar bem para a frente e a não se acomodarem ao país macrocéfalo, lisboacrêntrico, que alguns teimam em querer prolongar. Querem um bom teste para se perceber quem vive no passado e quem quer agitar positivamente o futuro? Olhem para as posições face à descentralização. É um excelente barómetro!

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