segunda-feira, janeiro 16, 2017

Maria Cabral

Era uma morena sardenta, que um dia alguém trouxe para o cinema novo que, por cá e em boa hora, tinha sido aprendido na Cinemateca de Paris, olhando o neorealismo italiano e a "nouvelle vague" francesa, vendo os americanos que importava ver, lendo os Cahiers e discutindo no Vává. Tinha no olhar uma rebeldia melancólica, um "mal de vivre" que ia bem com uma geração em transição, do rock à guerra colonial, pides pelas esquinas, muitos copos e alguma esperança.

Maria Cabral morreu, dizem, com 75 anos. Em Paris, como se deve morrer. Para mim, desculpem lá, ela terá sempre aqueles 20 anos.

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Contive-me – e arrependi-me. Uma parva, na estação de serviço da Domingos Sequeira, quando o empregado chamou o próximo cliente, passou desc...