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quinta-feira, janeiro 19, 2017

"Faz frio"?

Há meio século, ainda sobreviviam por Lisboa alguns restaurantes (em geral, velhas tascas "evoluídas") com as mesas separadas por tabiques. A privacidade sonora era relativa, mas o culto de uma refeição preservada dos olhares alheios (hoje, é o contrário: o interesse na exposição social chega a prevalecer sobre a qualidade da comida) levava ao gosto pela frequência desses locais. 

Recordo-me de um clássico, cujo nome esqueci, na esquina da avenida Sacadura Cabral com o Campo Pequeno, onde fui pela primeira vez pela mão sabedora de Afonso Praça. Se não me engano, no género, ainda hoje existe a Estrela da Sé.

Mas é do Faz Frio que mais me recordo. Nesse tempo em que, para o jantar (e tirando as casas de fado) o vizinho Bairro Alto tinha ainda muito poucos locais "íveis" (significado deste neologismo que um dia ouvi ao Alfredo Alvela: "local onde se pode ir"), o Faz Frio (para as novas gerações: fica quase em frente ao Pavilhão Chinês) era um pouso frequente para grupos de que eu fazia parte. Tinha (terá ainda?) uma paella por encomenda que, não chegando aos calcanhares marítimos da da Saisa, era de se lhe tirar o chapéu (mas não excluo que os meus critérios de exigência fossem então bem mais baixos). Voltei ao Faz Figura há um ou dois anos, depois de uma ausência de décadas, mas, para além de estar cheio de estrangeiros, não me ficou registo relevante de memória dessa experiência.

Por que é que me lembrei hoje do Faz Frio? Ora essa! Porque hoje faz frio, mesmo muito, e, se acaso me apetecesse voltar a sair de casa, era aí mesmo que iria jantar. Bom, se calhar, estou aqui a enunciar esta intenção porque sei, de certeza segura, que hoje fico no quente caseiro. Seja como for, este é o dia do Faz Frio.

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