A (minha má) foto é de Luíz Inácio Lula da Silva, doutor "honoris causa" pelo Institut d'Études Politiques - SciencesPo, em Paris, ontem, ao final da tarde.
Posso estar enganado, mas creio que na história de SciencesPo nunca terá havido um doutoramento mais animado, com um público jovem tão entusiasta, a assistir a uma "lição" tão extraordinária como a que foi dada pelo antigo presidente brasileiro.
Lula foi igual a si próprio. Leu um discurso mas, além disso, fez um brilhante improviso. Já ouvi muitas vezes Lula falar em público. Nunca encontrei um líder político que, com tanta genuinidade e inteligência, soubesse adaptar tão bem as suas palavras aos diferentes auditórios, sempre com sucesso.
A certo passo, Lula falou do tempo em que os economistas do "Norte" davam conselhos "paternais" ao Brasil e a outros países do "Sul", sobre a melhor forma de conduzirem as suas economias. E Lula perguntou: que diabo aconteceu a esses "sábios"? Onde é que eles se esconderam, agora que o "Norte" tanto precisaria das suas soluções?
Lula da Silva, no termo da sua intervenção, fez um forte elogio da política. Chamou a juventude a interessar-se pela vida cívica, a não desistir, a superar os maus momentos e as derrotas: "Quando aqui, em SciencesPo, necessitarem de alguém para dar uma aula sobre derrotas políticas, chamem-me! Andei 20 anos a perder eleições. Em política, aprende-se muito com as derrotas, podem crer."
