1. Ontem, ao final da noite, quando a aviação da coligação já bombardeava alvos militares na Líbia, passei pela ponte Bir Hakeim, sobre o Sena, e lembrei-me que o seu nome comemora a batalha onde o exército francês combateu com sucesso, no deserto líbio, as tropas do "eixo" italo-alemão.
2. Por que será que, mesmo aceitando eu como boas e razoáveis as razões de base que justificam a ação militar em curso, não deixo de sentir um certo mal-estar com esta guerra? Será apenas por ser uma guerra? Será, egoisticamente, por ter lugar tão perto da Europa? Será pela ideia de que se sabe sempre como uma guerra começa, mas nunca se sabe como e quando ela acaba? Ou será pela certeza de que os "colateral effects", isto é, as vítimas civis, são particularmente difíceis de medir numa operação militar com as caraterística da que está em curso? Não sei.
3. Um dia, na Líbia, nos anos 70, olhei em volta e dei-me conta que tudo estava escrito em árabe. Com uma exceção: as tampas de ferro do saneamento do centro de Tripoli tinham os seus dizeres em italiano, a língua da colonização, desde 1912 até à independência, em 1951.
