A Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, uma estrutura jovem mas que tem desempenhado um trabalho muito positivo de apoio e agregação dos empreendedores que ligam economicamente Portugal e a França, realizou hoje, na Embaixada, a sua assembleia geral anual. Desde que cheguei a Paris, entendi que abrir-lhe as nossas portas era o contributo mínimo que poderia prestar, para além do encorajamento que, ao longo do ano, procuramos manifestar ao conjunto das suas atividades.
No início da assembleia, falei aos associados do cenário económico em Portugal. Não escondi as dificuldades existentes, mas procurei sublinhar que estamos a fazer o nosso trabalho "de casa", com rigor, com transparência, com os números sobre a mesa, porque é à luz deles, e só deles, que queremos ser julgados. Não temos a tentação de esconder a crise que atravessamos atrás da crise internacional, mas recusamos que esta seja iludida no cômputo geral da situação, como às vezes pretendem alguns avaliadores de "rating". Falei das empresas, do otimismo que tenho visto da grande parte das que por aqui contacto, da contribuição que têm dado para os números excecionais que a nossa exportação tem revelado em tempos recentes. Abordei a questão da nossa banca, da leitura que sobre ela se faz internacionalmente e do modo como a sua situação se liga com as perspetivas de evolução da nossa dívida soberana. E falei também da Europa, das suas novas fragilidades, das suas hesitações e da esperança que continuamos a colocar nesse magnífico projeto em que nos continuamos a rever. No fundo, deixei claro que, para que as dificuldades se atenuem, todos temos de trabalhar em conjunto, remando para o mesmo lado.
