Nas últimas semanas, o debate político interno francês tem estado centrado nos sinais dados por algumas sondagens que colocam Marine Le Pen, líder do "Front National", um grupo político ultra-conservador, como o candidato com maior apoio potencial, na perspetiva das eleições presidenciais de 2012.
Vale a pena recordar que, em 2002, o pai da atual lider, Jean Marie Le Pen, teve a segunda maior votação na 1ª volta das eleições presidenciais, atrás de Jacques Chirac, deixando para trás o candidato socialista. A França não esqueceu ainda esse "terramoto" político, pelo que ele não deixa de estar presente na memória coletiva, no caminho para 2012.
O "Front National" tem uma agenda política centrada nas questões de segurança, imigração e discussão das temáticas da interculturalidade em França, mas igualmente numa rejeição do euro e na defesa de fortes medidas protecionistas. A nova líder do partido apresenta, contudo, uma imagem menos radical que o seu pai, o que, segundo alguns observadores, estará na origem da sua maior popularidade e do aparente crescimento na aceitação pública do seu partido, a qual será testada nas eleições cantonais dentro de uma semana.
Hoje, Marine Le Pen desloca-se à ilha italiana de Lampedusa, local de desembarque prioritário das vagas de migrantes africanos, onde abordará essa mesma temática.
Confesso que, ao ouvir falar de Lampedusa e ao observar a evolução recente da imagem do "Front National", não pude deixar de me lembrar da clássica frase posta na boca de Falconeri, no romance "O Leopardo", de Giuseppe Tomasi de Lampedusa: "Se queremos que as coisas permaneçam como estão, as coisas têm de mudar" ("Se tutto deve rimanere com'è, è necessario che tutto cambi").