"Em Portugal, país posto à prova pelos mercados e pelas agências de notação, o Governo elaborou um programa de estabilidade baseado em hipóteses de crescimento manifestamente muito prudentes e submeteu-o ao Parlamento, onde não dispõe senão de uma maioria relativa; este pequeno país, depois de ter realizado um primeiro ajustamento orçamental que fez passar o seu défice público de 6,5% a 2,5% do produto interno bruto (PIB), tem agora de se empenhar em retomar um esforço idêntico.
E, contudo, Portugal é injustamente inscrito na lista injuriosa dos PIGS (porcos) (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) pelos operadores do mercado. Nem crise financeira, nem crise imobiliária... Apenas uma redução forte das exportações para a Espanha, país que conhece uma verdadeira crise do modelo económico e cujas dificuldades são de uma outra ordem...
Se se compararem os dados orçamentais ou macroeconómicos de Portugal com os da França eles aparecem mais ou menos idênticos. E, contudo, graças a Deus, as condições de financiamento da dívida francesa permanecem estáveis nos mercados internacionais, enquanto que as de Portugal conhecem uma nítida deterioração... Porque os que nos observam do estrangeiro acham que a França tem mais hipóteses do que Portugal de recuperar e de melhorar a sua competitividade internacional na fase da saída da crise".
Quem escreveu isto, num artigo no "Le Monde" que pode ser lido aqui, é o relator-geral da Comissão de Finanças do Senado francês, Philippe Marini.