Há um critério de gosto que nunca me falha: a "urgência" com que leio os livros. Hoje, de manhã, recebi, do Marcello Mathias, o seu "Os dias e os anos", um diário de 1970 a 1993. Passei toda a hora do almoço a deliciar-me com a inteligência aguda dos textos, escritos num português de lei, com uma aparente frieza auto-cética, com a coragem de afirmação de profundas convicções. Como me diz o Marcello na sua amável dedicatória, são textos "contra a maré". Ou muito me engano ou vou acabar estas 400 e tal páginas pela noite dentro.