Oloron-Sainte-Marie é uma belíssima pequena cidade junto aos Pirinéus, perto de Pau, a dois passos de Espanha, onde uma associação de portugueses já com muitos associados franceses, dirigida por uma "mulher de armas", Elsa Godfrin, faz maravilhas para cativar os locais para os valores culturais e turísticos do nosso pais.
É sempre muito interessante observar a vida desta orgulhosa França de província, com uma ativa sociedade política, muitas vezes marcada por uma agenda que se afasta das grandes tensões nacionais, mas que não deixa de ter os seus momentos de "stress".
Hoje, ao almoço, o Maire da cidade, Bernard Uthurry, contou-me a história deliciosa de uma postura municipal que, há cerca de dois anos, decidiu fazer publicar, para limitar o excesso de ruídos de que os seus concidadãos se queixavam. O texto da decisão andava há anos pela Mairie, tendo-o herdado do seu predecessor. Cheio de trabalho, e confiando no conselho que lhe era dado pelos seus adjuntos, assinou-o praticamente sem ler.
No dia seguinte, acordou com a agência France-Presse e os jornais regionais em agitação: o texto previa a supressão do cantar dos galos na cidade! Mobilizadas pelo "fait-divers", a imprensa nacional e as televisões agarraram logo o tema. O Maire foi assim acordado politicamente pelos galos que, sem pensar, proibira de cantar. E teve de recuar na sua decisão, face à gargalhada nacional que se anunciava.
A política, por vezes, também se faz destes bizarros sobressaltos.
