sábado, janeiro 16, 2010

Tintin na China


As aventuras de Tintin vão passar a ser publicadas na China, depois de largas décadas de proibição. Com a óbvia excepção do "Tintin no país dos sovietes", porque há demónios que não convém, por ora, chamar à vida. E estou curioso com a edição do "Tintin no Tibete".

No que nos toca, os chineses terão agora oportunidade de apreciar as astúcias mercantis de Oliveira da Figueira, a sabedoria académica do professor coimbrão Pedro João dos Santos e as movimentações africanas do jornalista sem nome do "Diário de Lisboa" - as três únicas personagens portuguesas criadas por Hergé, com o primeiro apenas com alguma relevância.

Pergunto-me também de que forma as imprecações do capitão Haddock vão ser vistas pela China e nem posso a imaginar o que pensarão do já clássico insulto "bachi-bouzouk". Contudo, com o seu volume demográfico, talvez os impressionem menos os "mille milliards de mille sabords de tonnerre de Brest"..

Quanto a eventuais censuras nos álbuns, a ocorrerem, elas estariam longe de ser as primeiras: até por cá já tivemos intervenções "à Estaline", no tempo do saudoso "Cavaleiro Andante" e da nada saudosa ditadura, como em tempos lembrei aqui.

12 comentários:

  1. Ó Senhor Embaixador o que ri com o seu "tonerre de Brest" que eu tanto usava em miúda, quando o meu irmão mais velho vigiava o meu namoro. Nem digo com quem para não rir às gargalhadas!
    :))

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  2. Anónimo00:01

    Bom, resta saber se se mantém as figuras dos pretos, com aquelas beiças enormes, vestes (e saiotes) caricatas, com ar de selvagens. Hoje, os que podem – naturalmente (a elite), andam de gravata, de automóvel e já nao carregam a carga dos brancos aos ombros pela selva dentro. E até vão ao Gambrinus jantar, com motorista branco a conduzir-lhes a viatura cara. Mas, se bem recordo, havia também personagens com o olho oblíquo. Como reagiram os chineses a isto? Ou já está “expurgado” dos novos livros e mais apresentável?
    Albano

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  3. Este post saiu inicialmente com um texto incompleto

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  4. Sera que foi negociado em troca da GOOGLE ?

    Quase que é caso para dizer : "Com Tintins se enganam os imbecis !".

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  5. Já houve atitudes chinesas: a edição chinesa chamava-se "Tintin no Tibet chinês" !!!

    Imediata e indignada reacção da viúva de Hergé, que exigiu a retirada da edição, porque "Hergé sempre apoiou o Tibete livre e independente".

    A Casterman (editora do Tintin), embaraçada, concluíu um compromisso com os chineses : venderam-se os 10 000 exemplares da edição já pronta ... e a edição seguinte passou a chamar-se simplesmente "Tintin no Tibete"!

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  6. Ah! Mas não foram editados na China o "Tintin no País dos Sovietes" e o "Tintin no Congo" ... por reaccionários!

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  7. Anónimo11:02

    Estava a pensar quais as alterações que vão imprimir as diferentes configurações do abecedário chinês ao livro...

    Cá na terra existem uma série de armazéns chineses que vendem todo o tipo de utilidades pelas módicas quantias de poucos cêntimos até alguns euros, já lhes vou comunicar a boa nova porque tenho reparado pelo menos num deles que passa a vida a ver filmes em DVD em língua chinesa.

    Quanto à Sua perspectiva em análise, nomeadamente da censura, identifico-me na integra com a Sua opinião.
    Isabel Seixas

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  8. Anónimo22:45

    Adoro os posts do Sr Embaixador,que leio diariamente com curiosidade e ânsia pelo que aprendo e apreendo, mas os comentários aos mesmos da Isabel Seixas...fascinam-me de igual modo! Já agora um desafio a quem tão bem escreve: porque não cria um blogue?
    Leitora assídua de Pedras Salgadas

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  9. Anónimo19:39

    Meu Caro Francisco
    Pois se o Macdonald já chegou ao Império do Meio como não Tintim. Tenho também curiosidade para ver o "Lotus Azul", um retrato muito rigoroso da China do seu tempo. Tchang (o mesmo de T. no Tibete)foi responsável pelo facto de a BD europeia, na escola belga, ter dado um enorme salto positivo, a partir da influência chinesa. A ver vamos! Um abraço amigo do GOM

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  10. Anónimo22:06

    Cara conterrânea
    (Sou de Bornes, com muito orgulho claro)
    Simplesmente obrigada, mas conceber é difícil...
    Já opinar...
    Dai que enquanto sentir que a assertividade do Sr. Embaixador, não perde a paciência com as minhas ...
    Irreverências, incorrigíveis nem com a idade... Cá estarei...
    Isabel Seixas

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  11. Anónimo17:53

    Cara Isabel Seixas, que surpresa a minha e que modéstia a sua quando afirma que é mais fácil opinar do que conceber! Realmente que o é...para mim e para a grande maioria, mas não para si, cuja Obra concebida revela a facilidade com que trata as palavras e os temas. Humildemente vergo-me ao seu talento literário e felicito-a, mais uma vez, pelos seus comentários aos posts do eloquente Senhor Embaixador.
    Só hoje o descobri e daí a minha surpresa!
    Leitora assídua de Pedras Salgadas

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  12. Anónimo19:30

    Apenas um post-scriptum ao meu anterior comentário e que, por lapso,não foi dito. Sou leitora assídua em Pedras Salgadas, mas não de Pedras Salgadas. Isto porque carinhosamente me tratou por conterrânea (o que seria um prazer!), mas a minha terra é outra e felizmente também tem gente ilustre e eloquente, tal como esta onde resido.

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"A Arte da Guerra"

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