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sábado, janeiro 30, 2010

Faits divers


É curioso observar esta inescapável tendência da comunicação social para "agarrar" o insólito, o imprevisto, mesmo que insignificante para a história. Ninguém resiste a esta tentação. 

Há uns anos, numa cerimónia pública a que eu assistia, o presidente Lula deixou cair ao chão um copo de água. Os fotógrafos "flasharam". Recordo-me de ter dito para o chefe de gabinete de Lula, que estava ao meu lado: "Vai ser curioso ver quantos jornais amanhã não trarão esta fotografia...". Sem excepção, todos trouxeram!

Já tenho pensado que um bom trabalho de "marketing" político poderia mesmo planear incidentes inocentes, feitos apenas para a fotografia, por forma a humanizar certas personagens políticas. Algumas estão bem necessitadas disso...

Num terreno idêntico, esta questão faz-me recordar a prática de uma pessoa pública que conheço, a qual, durante as entrevistas que concede, sempre "deixa cair" uma ou duas expressões, procurada e controladamente "chocantes", num tom contrastante com o resto das suas declarações. Para quê? Para tentar que essas frases sejam "chamadas" para títulos da entrevista, evitando que os jornalistas venham a escolher outras. Assim procurando contornar a velha regra de qualquer entrevista jornalística: a nossa pior frase será, quase sempre, o título.

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...